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quarta-feira, 21 de março de 2018

PSDB pernambucano deverá encolher em relação a 2014


O jornalista Inaldo Sampaio, colunista do Jornal Folha de Pernambuco, publicou em sua coluna de hoje (21) que o PSDB, mais uma vez, não terá candidato próprio ao governo estadual e ainda corre o risco de ver reduzir-se sua bancada na Câmara Federal. Lembrando que o partido elegeu apenas três deputados em 2014, Bruno Araújo, Betinho Gomes e Daniel Coelho, perdendo agora este último que já está de malas prontas para se juntar aos pós-comunistas do PPS. Com a passagem de Bruno Araújo pelo Ministério das Cidades, Inaldo diz que esperava-se que o partido atraísse novos candidatos a deputado estadual e federal. Mas apenas um se apresentou até agora: o vereador André Régis.

Com Bruno à frente dessa pasta, os tucanos tiveram uma boa chance para preparar a candidatura dele à sucessão de Paulo Câmara, mas jogaram fora essa oportunidade. Tanto pelo naufrágio do seu maior aliado dentro do partido, o senador mineiro, Aécio Neves, como também por problemas que enfrenta com a operação Lava Jato.

Inaldo, como nós do Blog do Cisneiros, também acredita que partido abre mão de chapa própria e marchará com a candidatura do senador Armando Monteiro (PTB). Chegou-se a cogitar a ideia do nome do ex-ministro tucano para disputar uma vaga de senador. Mas, pelas dificuldades ditas acimas, parece estar mesmo inclinado a disputar a reeleição. (Clique aqui e leia: Armando disputará o governo de Pernambuco junto com Daniel Coelho e Mendonça Filho para o senado)

O ex-prefeito Elias Gomes defende internamente desde 2017 a tese da candidatura própria, como forma de o partido mostrar sua cara e “armar” um palanque em Pernambuco para Geraldo Alckmin, mas não é ouvido por ninguém. Nesta última segunda-feira (19) tentou mais uma cartada neste sentido, ao divulgar carta aberta apelando para a direção do partido. Mais uma vez, nada.

Elias diz que o PSDB já foi “linha auxiliar” do MDB (governo Jarbas) e do PSB (governo Eduardo Campos), e será agora do PTB. E teme que ficando fora da disputa o partido saia dessas eleições ainda menor do que aquele que emergiu das urnas de 2014.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Elias tenta mais uma cartada por candidatura do PSDB ao governo do estado de Pernambuco

Elias Gomes

O ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Elias Gomes, divulgou no início da noite desta segunda-feira (19), carta aberta aos membros da direção estadual do seu partido, o PSDB, onde faz um apelo para que consultem as bases, para tentar se construir uma candidatura própria do ao governo do estado de Pernambuco. Elias, que já vem externando há algum tempo sua vontade de concorrer ao governo estadual, diz que o partido tem “outras possibilidades legítimas dentre os valorosos quadros que o PSDB dispõe no estado, a exemplo do presidente Bruno Araújo e dos dois ex-governadores Joaquim Francisco e João Lyra Neto. Além de nomes importantes como os jovens parlamentares Daniel Coelho e André Régis". Dizendo que abre mão de sua candidatura e apoiaria quem os filiados escolhessem numa prévia onde teria seu formato discutido.

Elias também alfineta a oposição quando diz que a “estratégia definida pelas oposições é de alto risco e pouca criatividade”.


Veja a seguir a integra da carta divulgada por Elias Gomes:


Aos deputados Bruno Araújo, presidente estadual do PSDB, e Betinho Gomes, secretário geral do PSDB em Pernambuco.

Aos filiados, militantes e dirigentes do partido no Estado e nos municípios.

Às senhoras e senhores deputados, prefeitos, vice-prefeitos e vereadores tucanos em Pernambuco.

Amigas e amigos.

Ao longo do tempo tenho defendido em diversas oportunidades uma tomada de posição que nos tire da condição de eterna força auxiliar, em razão da apatia e do comodismo do partido.

Na busca permanente por este objetivo formulei ideias, teses e coloquei o meu nome à disposição da nossa agremiação e do nosso Estado para disputar o Governo estadual, sem prejuízo de outras possibilidades legítimas dentre os valorosos quadros que dispomos, a exemplo do nosso presidente Bruno Araújo e dos nossos dois ex-governadores Joaquim Francisco e João Lyra Neto. Além de nomes importantes como os jovens parlamentares Daniel Coelho e André Régis.

Como se vê, temos excelentes e competitivos nomes para concorrer com chances de vitória ao Governo de Pernambuco.

Desse modo, estou convencido de que devemos sim aproveitar a oportunidade histórica de sermos protagonistas nesta quadra decisiva para o destino de Pernambuco, quando poderemos apresentar ao nosso povo, que clama por mudanças, um projeto alternativo baseado em princípios, ideias e conteúdos diferenciados, contribuindo para a oxigenação do ambiente político.

Por tudo isso, e como já externei ao presidente Bruno Araújo, é que ressalto o meu entendimento de que o PSDB cometeu um profundo equívoco ao endossar a decisão de candidatura única das forças de oposição.

Decisão tomada sem um amplo e profundo debate. Ao contrário, movida pelo pragmatismo matemático e passando ao largo da complexidade da ciência política, sem se explorar o território das diversas possibilidades de construirmos na pluralidade a nossa unidade e fazermos o enfrentamento às forças governistas, visando cumprir a estratégia comum de remeter as eleições para o segundo turno.

Prezadas companheiras e companheiros.

Entendo que a estratégia definida pelas oposições é de alto risco  e pouca criatividade. E apelo para uma reflexão profunda no âmbito do nosso partido sobre a renúncia que estamos fazendo, abdicando de uma irrecusável missão, que é a de nos tornarmos protagonistas ativos na disputa pelo Palácio de Campo das Princesas, também nos constituindo em mais uma alternativa às oposições.

Da minha parte, caso alguns dos nossos quadros se disponha a cumprir a missão de disputar a eleição para o importante cargo em disputa, abrirei mão da minha postulação e cerrarei fileiras para dar a minha modesta, porém sincera e abnegada contribuição.

Isso porque a minha questão é de mais profundidade que uma simples candidatura, e por isso insisto na tarefa de se fortalecer o partido, fazendo-o ator qualificado e respeitado no âmbito das oposições e ainda ampliarmos a nossa representação na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal.

Desse modo, proponho que o PSDB realize uma CONSULTA aos seus filiados em formato a ser definido. Essa CONSULTA dará vida ao partido, com a sua militância legitimando soberanamente os rumos a serem seguidos pelo PSDB nas eleições de 2018.

Elias Gomes
Ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes

sábado, 17 de março de 2018

Daniel Coelho prestes a deixar o PSDB pelo PPS

Daniel Coelho

Insatisfeito com os rumos do seu partido, o PSDB, no estado, o deputado federal por Pernambuco, Daniel Coelho, está prestes a voar do ninho tucano para pousar nos braços dos pós-comunistas do PPS de Roberto Freire.

Tanto é que apesar executiva estadual do PPS estar com todos os preparativos para o Congresso previsto para amanhã, o presidente nacional da sigla, Roberto Freire, colocou água no chopp. Nesta sexta-feira, 16, o pós-comunista encaminhou um ultimato a direção local para não realizar o evento. O motivo seria a possível vinda do deputado federal Daniel Coelho, hoje no PSDB, para as hostes pós-comunistas.

"Prezado Manoel Carlos. Por este, notificamos ao presidente do Diretório Estadual de Pernambuco a não realizar o Congresso Estadual do PPS, marcado para o dia 17 de março de 2018, visto que o Diretório Nacional está dialogando com deputados federais de vários estados, inclusive Pernambuco, e desejamos sua participação no processo congressual, algo que seria impossível agora", assinala Freire jogando o evento para o dia 2 de abril.

Com a decisão da executiva nacional, a tensão aumentou no ninho pós-comunista. O entendimento é que Freire quer adiantar o prazo para filiar Daniel Coelho e lhe conceder o comando provisório da sigla, o que vem gerando revolta e coloca mais aditivo na briga interna. A crítica que se faz é que todo o processo vem ocorrendo por cima sem o consentimento da executiva estadual, que promete denunciar a movimentação no Congresso da legenda. (Com informações do Blog da FolhaPE)


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Um guerrilheiro no PSDB


Não é fácil a vida do presidenciável Geraldo Alckmin. Ele começou o ano eleitoral em quarto lugar nas pesquisas, com apenas 7% das intenções de voto. Não conseguiu fechar alianças e ainda enfrenta um adversário no PSDB: o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio.

Fundador do partido, ele se recusa a abrir mão da pré-candidatura ao Planalto. Acusa o governador paulista de boicotá-lo e cobra a realização de prévias. Aos 72 anos, o ex-senador diz ser o único capaz de evitar uma nova derrota dos tucanos.

"Geraldo é um candidato sem pegada, sem posições definidas. No ritmo em que ele vai, o PSDB ficará fora do segundo turno", prevê Virgílio. "Olho para a direção do partido e vejo todo mundo feliz, a caminho da quinta derrota consecutiva. Parece que eles jogam para perder", critica.

O prefeito diz que Alckmin já teve sua chance em 2006, quando foi derrotado pelo ex-presidente Lula. "Ele teve menos votos no segundo turno do que no primeiro", lembra. "Para provar que não ia privatizar os Correios, ainda se fantasiou de carteiro. Aquela cena me deixou agoniado."

Para se diferenciar do governador, Virgílio diz ter opiniões mais firmes em temas que dividem o eleitorado. Promete privatizar quase todas as estatais e se diz liberal "na economia e nos costumes". Defende a liberação do aborto, a legalização da maconha e o casamento homoafetivo.

"Não dá para um candidato ficar repetindo evasivas e generalidades", provoca, em outra indireta contra o estilo "picolé de chuchu" do rival.

Em tom de cobrança, o prefeito diz que o PSDB já perdeu muito tempo. Ele afirma que os adversários estão fora do partido. "Já podíamos ter desmontado o Bolsonaro, que é uma figura grotesca, e botado o Lula no gueto em que ele precisa ficar."

Fiel ao estilo guerrilheiro, Virgílio também desdenha do aceno do presidente Michel Temer a Alckmin: "Eu não me sentiria à vontade com o apoio dele. Acho que não devemos nos aliar ao PMDB, com ou sem P". (Bernardo Mello Franco, colunista do jornal Folha de São Paulo)

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Peças embaralhadas no xadrez político pernambucano

A travessia do senador Fernando Bezerra Coelho do PSB para o PMDB provocou reboliço no cenário político local / Foto: Arte/FolhaPE

A travessia do senador Fernando Bezerra Coelho do PSB para o PMDB provocou reboliço no cenário político local, como poucas vezes se viu na história recente. Porém, mais do que isso, o desembarque muda a correlação de forças entre os partidos que, eventualmente, lançarão candidatura majoritária em 2018, embaralhando o xadrez político. O objetivo é a construção de uma ampla frente de oposição ao Palácio do Campo das Princesas, formada no berço da base de apoio ao Governo Temer.

No PMDB, o ingresso de Bezerra leva a legenda a aparecer como a segunda opção concreta no campo das oposições. E para uma eventual disputa, a sigla contará com boas condições, uma vez que dispõe de um dos maiores tempo de televisão, Bezerra tem grande inserção no Sertão e já deu largada às costuras para atrair aliados na Região Metropolitana do Recife e no Agreste.

Após ingressar no partido, o agora peemedebista já admitiu que vem dialogando com siglas da base aliada do Governo. No rol de legendas que podem vir a configurar a ampla frente política que o senador vem estimulando estão o PSC e PR, além das que almejam candidatura própria, mas não descartam uma aliança com o PMDB, como o DEM, PTB e PSDB.

Em entrevista recente, o senador, que está prestes a tomar o comando do PMDB para si, deixando os atuais dirigentes - o deputado federal Jarbas Vasconcelos e o vice-governador Raul Henry - numa situação muito desconfortável - incorporou o discurso oposicionista e afirmou que há um espaço de diálogo com as forças da oposição para formar um palanque do Palácio do Planalto em Pernambuco. Neste diálogo, ele defende que o seu novo partido fique com a cabeça de chapa e que o nome do ministro Fernando Filho, que continua no PSB, seja cogitado.

"Desejamos implementar no PMDB de Pernambuco, com apoio da direção nacional, a preparação do partido para disputas majoritárias, seja no cargo de governador, seja de senador. Vamos defender nesse conjunto, um nome do PMDB na disputa de Pernambuco. É um trabalho que está sendo feito não só aqui, mas outros estados", revelou Bezerra Coelho a uma rádio local. O dirigente deixou claro que o projeto é de oposição ao governado Paulo Câmara (PSB) e que os socialistas contribuíram para afastá-lo da Frente Popular. "Não teve ninguém que desejasse mais participar do projeto político de Paulo do que eu, todos sabem os desencontros que tivemos", justificou.

Além do nome do PMDB, a primeira alternativa já apresentada no campo oposto é o nome do senador Armando Monteiro (PTB) que desde o processo eleitoral passado se coloca como o virtual candidato. No entanto, a dificuldade de angariar condições, como tempo de televisão - diante do afastamento do PT - levou o petebista a defender, em alguns momentos, que poderia se lançar a outros planos , a exemplo da reeleição no Senado ou até um mandato de deputado federal.

Hoje, Armando conta com o apoio do Avante, Podemos e do PRB. Ele ainda tem um bom grupo de aliados na Alepe e Câmara Federal. Apesar da boa inserção no Agreste, o pequeno leque de aliados diminue as possibilidades.

No Campo das Princesas, o embarque de FBC no PMDB representará uma grande perda, sobretudo, no tempo de TV para os planos de reeleição de Paulo, que perderá o seu maior fiador e se vê cada vez mais isolado. Nos bastidores, socialistas vêm ensaiando reaproximação com o PT, o que traria uma oxigenação, mas petistas locais têm se mostrado descontentes com as movimentações de correligionários. No diretório do partido, a defesa é pela candidatura própria. apenas com siglas da esquerda.

O DEM e o PSDB são outros partidos que, depois do ingresso dos pernambucanos Mendonça Filho e Bruno Araújo nos ministérios da Educação e Cidades, respectivamente, entraram no rol de uma postulação majoritária. Os dois partidos almejam a cabeça de chapa e têm estreitado as relações. Eles têm prefeitos em cidades estratégicas como o PSDB em Caruaru, mas, mas ainda não sinalizaram abertamente o projeto.

Em meio ao embaraço, o cientista político da UFPE, Helly Ferreira, afirmar ser muito precipitado imaginar a composição de 2018. "O cenário é muito turvo", avalia. Ele lembra que as delações premiadas e a própria discussão em torno da disputa presidencial trarão repercussão nos estados, com resultados imprevisíveis junto à sociedade. (Blog da Folha)

Aniversário da filha de Geddel reuniu grandes amigos de Joesley; Aécio Neves e Eduardo Cunha estavam lá, lógico

Que trio (Divulgação/Divulgação)

Lúcio Bolonha Funaro deu a medida do quanto Geddel Vieira Lima gosta de dinheiro ao contar que levou um calhamaço de propina para Salvador no dia da festa de 15 anos da filha do ex-ministro, em 2014.

O evento, inclusive, atraiu a nata dos parceiros de Joesley Batista. Apareceram por lá Aécio Neves e Eduardo Cunha, lógico.

Na ocasião, em entrevista à Folha, Cunha admitiu apenas que era amigo do pai da aniversariante. Na ocasião, isso não soava tão feio PSquanto nos dias atuais.

“Não fui a uma festa da oposição, e sim ao aniversário da filha de um amigo. É claro que sabia que os candidatos estariam lá. Não sou covarde e não deixaria de ir por isso”, disse Cunha, à época, abordando a presença dos candidatos ao Palácio do Planalto Eduardo Campos e Aécio. (Veja.com)

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Delator promete entregar extratos de propina em obras do PSDB

O delator Adir Assad

O empresário Adir Assad, que assinou na segunda-feira (21) acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, entregará aos investigadores extratos que, segundo ele, comprovam transações feitas para "gerar" dinheiro para empreiteiras pagarem propina em obras do PSDB em São Paulo.

Entre essas obras estão o Rodoanel e a ampliação da marginal Tietê, na capital, projetos administrados pela Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.), ligada ao governo de São Paulo.

Assad admitiu que usou mais de uma dezena de empresas de fachada para fazer contratos fictícios com grandes empreiteiras. Conforme a delação, as construtoras pagavam às empresas dele por serviços inexistentes, como de terraplenagem –Assad chegava a simular a prestação dos serviços, colocando máquinas no canteiro de obras.

Dos pagamentos, o operador diz que descontava os impostos e sua "comissão", que em geral era um percentual do valor, e devolvia o restante às empreiteiras, que usavam esse dinheiro para pagar propina a agentes públicos.

Segundo o delator, quem indicou a ele as empreiteiras para efetuar as transações foi Paulo Vieira da Silva, conhecido como Paulo Preto, ex-diretor da Dersa no governo do tucano José Serra, hoje senador da República.

Segundo a Folha apurou, Assad disse nas tratativas do acordo de delação que Paulo Preto relatou a ele que operava para tucanos paulistas, como Serra e o ministro Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores). Eles negam.

O delator não relatou encontros diretos com esses políticos, que têm foro privilegiado no STF (Supremo Tribunal Federal), somente com Paulo Preto, o suposto intermediário. Por isso, seu acordo foi costurado com integrantes do Ministério Público Federal de São Paulo, Rio e Curitiba que atuam na primeira instância.

A delação precisou ser fechada nos três locais porque o empresário é réu em ações penais no Rio e em Curitiba e mencionava fatos relacionados a São Paulo. Agora, o acordo seguirá para homologação da Justiça Federal.

Assad se comprometeu a entregar, entre outras coisas, os extratos de entrada e saída do dinheiro oriundo das empreiteiras nas contas das suas empresas de fachada. Também vai detalhar sua relação com Paulo Preto.

O delator ofereceu aos procuradores mais de 50 anexos, documentos que trazem os temas que ele pretende abordar em seus depoimentos. Ao menos um deles tem o ex-diretor da Dersa como alvo principal, apurou a Folha.


DELATADO


Paulo Preto entrou na Dersa como diretor de Relações Institucionais em agosto de 2005, no primeiro governo de Geraldo Alckmin (PSDB).

Em 24 de maio de 2007, no primeiro ano do mandato de Serra, foi nomeado diretor de Engenharia da companhia, onde permaneceu nessa função até 9 de abril de 2010. Foi nessa época que foram tocadas as obras do trecho sul do Rodoanel e da marginal Tietê, que gerou denúncia do MP-SP.

Delatores da Odebrecht também citaram Paulo Preto, que figura em um inquérito aberto pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para investigar Serra e Aloysio Nunes.

Segundo a Odebrecht, o então diretor pediu, em 2007, 0,75% dos contratos que as empreiteiras mantinham com a Dersa em troca de não terem seus negócios prejudicados. Todos negam o crime.

Assad está preso no Paraná desde março de 2015. Em setembro daquele ano, ele foi condenado pelo juiz Sergio Moro a quase dez anos de prisão por organização criminosa e lavagem de dinheiro, em um caso relativo à Petrobras.

O operador vinha negando os crimes. A estratégia da defesa mudou após o advogado Pedro Bueno de Andrade assumir o caso. No bastidor, Assad já tinha tentado delatar.

Pelo acordo, ele pagará multa de R$ 50 milhões e ficará três anos em regime fechado –descontando o tempo que ele já ficou na cadeia.


OUTRO LADO


O advogado Daniel Bialski, que defende Paulo Vieira de Souza, disse que seu cliente conhece Adir Assad há 25 anos e que eles treinavam para provas de corrida.

"Paulo Souza nunca apresentou Adir Assad a empreiteiros. Até porque Adir Assad era prestador de serviços, com contato e contrato firmados diretamente com empresários. Assad nunca trabalhou ou esteve na Dersa com meu cliente", afirmou o defensor, por meio de nota.

O ministro Aloysio Nunes Ferreira afirmou que a delação "não é verdade".

Pedro Andrade, advogado do delator, disse que não comentaria o assunto.

A Dersa afirmou, em nota, que na marginal Tietê e no Rodoanel firmou contratos apenas com os consórcios executores que venceram as licitações, e não com empresas de Assad. "Todos os pagamentos foram realizados diretamente a estes consórcios."

"Em 2011, a Dersa estruturou um departamento de Auditoria Interna e implantou seu Código de Conduta Ética, aprimorando a análise e a fiscalização dos contratos dos empreendimentos", informou a companhia.

"Essa mesma Auditoria Interna, depois de tomar conhecimento de denúncias envolvendo os empreendimentos Rodoanel Sul e Nova Marginal do Tietê, em 2016, instalou e conduz procedimento apuratório para averiguar possíveis irregularidades."

A assessoria do senador José Serra disse que ele não vai comentar "suposta delação à qual não teve acesso".

domingo, 9 de julho de 2017

Fernando Bezerra Coelho poderá levar até 14 deputados do PSB para o DEM para garantir candidatura de Fernando Filho a governador de Pernambuco

Augusto Coutinho, Fernando Bezerra Filho, Fernando Bezerra, Mendoncinha, Rodrigo Maia

Segundo o portal A Gazeta do Povo, do Paraná, o ministro das Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho e seu pai, o senador Fernando Bezerra Coelho, estariam articulando a debandada de até 14 parlamentares do PSB para o DEM do também pernambucano e ministro da educação do governo Temer, Mendonça Filho.

As conversas já estariam bem adiantadas e estariam sendo acompanhas de perto e de forma direta pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), que deve, muito em breve, substituir Michel Temer na presidência da República, numa espécie de golpe dentro do golpe, que vem sendo tramado pelo DEM, juntamente com o PSDB e boa parte do próprio PMDB, partido de Temer, que não veem mais no atual presidente condições de se sustentar na cadeira presidencial, diante do conteúdo explosivo das delações de Eduardo Cunha e do doleiro Funaro que estão por vim, e que devem ser devastadora para o peemedebista.

A debandada de parcela significativa de parlamentares do PSB para o DEM é considerado um movimento simbiótico para os dois lados envolvidos, porque daria legenda para o ministro Fernando Filho disputar o governo de Pernambuco contra o candidato de seu atual Partido o governador Paulo Câmara (PSB), muito embora, o ministro da Educação Mendonça Filho venha trabalhando, incessantemente, nos bastidores para ser o candidato.

A negociação dos Bezerra Coelho gira em torno da garantia de legenda para Fernando Filho, de modo que Mendonça Filho deverá ser preterido, tendo que se conformar ou com uma vaga no senado ou com a renovação do mandato de deputado federal. Fernando Bezerra não migraria para o DEM sem que Rodrigo Maia, que terá a força da presidência da República, não lhe garanta a legenda para o filho disputar o governo de Pernambuco.

Fernando Filho, além de ser jovem, diferentemente do que ocorre com o pai, não é citado em nenhuma delação ou operação da Polícia Federal, por isso só será revelado como candidato no momento certo, para não ser alvo dos ataques dos adversários, em especial do próprio PSB, sendo essa a razão, segundo fontes ouvidas pelo Blog, do senador Fernando Bezerra se manter em visibilidade como o pretenso candidato.

De acordo com o Portal paranaense, a migração é dada como certa e poderá acontecer em setembro, quando o PSB tem reuniões nacionais e pode radicalizar sua posição, mas não está descartada uma antecipação desse movimento tão logo ocorra o afastamento de Michel Temer. (Do Blog da Noelia Brito)

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Tasso diz que Rodrigo Maia tem condição de dar estabilidade ao país

O presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE)

O presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), defendeu nesta quinta-feira que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reúna as condições necessárias para promover estabilidade no país. Tasso afirmou que o governo de Michel Temer está “chegando na ingovernabilidade” e disse ainda ver espaço para uma renúncia negociada do presidente da República.

— Rodrigo Maia tem condições de juntar os partidos ao redor de um nível mínimo de estabilidade que o país precisa. Estamos chegando na ingovernabilidade e tem que haver agora um acordo para dar estabilidade mínima para se chegar a 2018 — afirmou Tasso.

Em uma forte sinalização de que já vislumbra um novo governo, sem Michel Temer, o senador Tasso fez um esboço do que seria a composição ideal: manter a equipe econômica e os partidos que hoje sustentam a base, mas com perfis “intocáveis” em relação à postura ética.

— A equipe econômica tem que ficar e o governo tem que ser o mais próximo possível do intocável na postura ética — defendeu.

O tucano reforçou o discurso pelo desembarque do governo e afirmou que “os fatos” devem levar à saída do PSDB da base de sustentação de Temer. Ele disse que, mesmo que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) volte a assumir a presidência do partido, a permanência na base não deve ocorrer.

— Ninguém faz pressão contra os fatos. Os fatos estão aí e está na hora de encontrarmos estabilidade. Não dá mais para vivermos dessa maneira — pontuou o tucano.

O presidente interino do PSDB argumentou que não vê, hoje, nenhum partido que esteja com tendência mais governista do que pelo desembarque, inclusive o PMDB. Tasso disse que as conversas com o DEM e com os demais partidos da base têm sido contínuas e que todos terão de se render aos fatos.

— Não conheço nenhum partido, a começar pelo PMDB, que esteja mais governista do que pelo desembarque. Todos nós vamos ter que nos render aos fatos. Qual partido não está refluindo? O relator da denúncia na CCJ, que é do PMDB, deve dar um voto pelo afastamento de Temer. Quer coisa mais significativa que isto? — questionou o senador.

O senador disse que, se continuar na presidência do PSDB, passará a defender de forma intensa a implantação do Parlamentarismo.

— Na semana que vem, antes do recesso, precisa ter uma solução definitiva. O presidente é ele, ele é que tem de resolver. Se ele resolver ficar, ele tem as condições para isso. Aécio passa por uma crise e quem tem que definir o tamanho da crise é ele. Hoje, existem cerca de 30 senadores e não sei quantos deputados e ministros numa situação parecida. Quando ele estava afastado era diferente, mas, hoje, todos os senadores são iguais. O importante é não ficar nesta indefinição — afirmou Tasso.

O tucano falou ainda sobre a possível delação que o ex-presidente da Câmara, o deputado cassado Eduardo Cunha deve fazer. Disse que, se isto de fato ocorrer, será um semestre “terrível” para todos. (O Globo)

quinta-feira, 6 de julho de 2017

PSDB está mais perto de deixar o governo Temer, afirma Tasso

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) preside a sessão de reunião da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) - 12/06/2017 (Pedro Ladeira/Folhapress)

O presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), disse nesta quarta-feira que a posição do partido “é cada vez mais clara” pela saída do governo do presidente Michel Temer (PMDB). “O posicionamento é pelo desembarque, não é de oposição ao governo”, declarou.

Tasso defende a saída do PSDB da base aliada, mas a manutenção do apoio às reformas econômicas. Já o presidente afastado da legenda, Aécio Neves (MG), que retomou nesta terça-feira o mandato parlamentar, quer que a legenda mantenha a participação direta no governo, sem entregar os cargos que possui.

Independentemente do posicionamento de Aécio, Tasso considera que ele “terá que enfrentar o fato que é a posição da maioria”. “A posição do partido é cada vez mais clara. Não dá para controlar, as coisas vão acontecendo”, destacou. Ele disse que esta postura contrária ao governo está ficando evidente “pelos fatos”, citando como exemplo a posição dos deputados tucanos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, onde a denúncia contra Temer será analisada – ele avalia que a grande maioria já está se manifestando pelo recebimento da denúncia.

A posição do partido é cada vez mais clara. Não dá para controlar, as coisas vão acontecendo


Senador Tasso Jereissati (CE), presidente interino do PSDB
  

Tasso afirmou ainda que Aécio deve tomar uma decisão definitiva sobre quem ficará no comando da legenda até o final desta semana. “A decisão será dele porque é ele que tem o mandato de presidente”, disse.  Tasso e seus aliados cobram Aécio por uma decisão definitiva sobre o comando da legenda, para garantir maior legitimidade às decisões tomadas. O tucano admite que o presidente tem influência nas decisões, mas que a sua opinião não é um fator determinante. “Vai restar ao presidente chancelar a decisão da maioria.”


Aécio


Afastado de suas funções parlamentares por cerca de 45 dias após decisão judicial, Aécio retornou na terça-feira ao Congresso Nacional com um discurso no plenário de apoio ao governo. Ele defendeu que Temer “continua a liderar” as reformas em discussão no Congresso, e pediu unidade ao partido. “Unidade é uma coisa, unanimidade é impossível”, disse Tasso, em referência à fala de Aécio.

Embora correntes do partido defendam seu afastamento definitivo da presidência, Aécio quer ganhar tempo até passar a votação do recurso pedindo a cassação de seu mandato no Conselho de Ética do Senado, nesta quinta-feira, e a votação da denúncia contra Temer na Câmara para que a decisão seja tomada.


(Da Veja.com com conteúdo do Estadão)

terça-feira, 20 de junho de 2017

STF decide hoje sobre prisão preventiva de Aécio Neves

O Senador afastado, Aécio Neves (PSDB)

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decide nesta terça-feira se o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) deve ser preso preventivamente. Composto pelos ministros Luiz Fux, Rosa Weber, Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes e Marco Aurélio Mello, relator do inquérito que investiga o tucano no STF, o colegiado analisará o pedido de prisão feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a partir das delações premiadas de executivos da JBS. Os ministros também vão decidir sobre um recurso da defesa de Aécio que pede a derrubada da decisão que o afastou do mandato no Senado.

Se a maioria dos ministros da Primeira Turma do Supremo entender que o tucano deve ser preso, o artigo 53 da Constituição prevê que a decisão final caberá ao plenário do Senado, que terá 24 horas para deliberar se aceita ou não que Aécio Neves vá para a cadeia.

Caso isso realmente ocorra, será a segunda vez que os senadores se verão diante da possibilidade de decidir sobre o encarceramento de um colega. A primeira foi em novembro de 2015, quando o STF determinou a prisão do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), acusado de tentar obstruir as investigações da Lava Jato. Naquela ocasião, os senadores decidiram, por 59 votos a 13, manter Delcídio preso. Ele só deixou a prisão depois de fechar um acordo de delação premiada com a PGR.

Na votação desta terça-feira na Primeira turma, o ministro Luiz Fux deve ser o fiel da balança. Dois votos são considerados certos pela prisão: os de Rosa e Barroso. Já Moraes e Marco Aurélio devem negar o pedido feito por Janot. Os dois votaram, na semana passada, pela revogação da prisão da irmã do tucano, a jornalista Andrea Neves.

Pela ordem de votação (antiguidade na Turma), Fux será o último a votar, ou seja, deverá se manifestar quando o placar estiver em 2 a 2 – antes, votam, nesta ordem, Marco Aurélio Mello, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e Rosa Weber.

A tendência hoje é que Luiz Fux – que votou pela manutenção da prisão de Andrea Neves – rejeite o pedido de prisão, mas mantenha o afastamento de Aécio de suas atividades no Senado. O colegiado também pode aprovar nesta terça-feira a concessão de prisão domiciliar para a irmã de Aécio.


O que pesa contra Aécio


Aécio Neves é investigado no inquérito 4506 do STF pelo crime de corrupção passiva e foi um dos alvos da Operação Patmos, que prendeu Andrea Neves.

O senador afastado foi gravado pelo delator Joesley Batista, dono do Grupo J&F, em uma conversa em que pediu 2 milhões de reais ao empresário. O dinheiro seria supostamente destinado ao pagamento de honorários do advogado do tucano, Alberto Zacharias Toron, na Lava Jato.

“Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança”, sugeriu Joesley ao tucano. “Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho”, respondeu Aécio.

O “Fred” a quem o senador mineiro se refere é Frederico Pacheco de Medeiros, encarregado de pegar o dinheiro. Pacheco de Medeiros recebeu o valor, fracionado em quatro parcelas de 500.000 reais, das mãos do diretor de relações institucionais da JBS, Ricardo Saud.

A PF filmou três das entregas de dinheiro na sede da empresa, na capital paulista, também feitas por Saud. O primo de Aécio também foi preso na Patmos.


Aécio denunciado


Além do pedido de prisão preventiva de Aécio Neves, Rodrigo Janot denunciou o senador afastado ao Supremo pelos crimes de corrupção passiva e obstrução de Justiça.

Além de Aécio, também foram denunciados Andrea Neves; Frederico Pacheco de Medeiros; e o advogado Mendherson Souza Lima, ex-assessor do senador Zezé Perrela (PMDB-MG) — os três estão presos desde a deflagração da Operação Patmos na semana retrasada.

Caso o relator Marco Aurélio Mello aceite a denúncia de Janot, Aécio, Andrea, Medeiros e Souza Lima se tornarão réus e serão julgados na Primeira Turma do STF. (Da Veja.com)

domingo, 18 de junho de 2017

Miguel Reale Júnior – 'O PSDB trai a sua história ao ficar com Temer'

Miguel Reale Júnior

Se o PSDB hesitou para tomar uma posição, o jurista e agora ex-tucano Miguel Reale Júnior agiu rápido. Assim que soube da decisão do partido de se manter fiel ao presidente Michel Temer (PMDB), na segunda-feira, enviou uma carta ao diretório paulista pedindo a desfiliação da sigla da qual foi um dos pioneiros. “Eu não podia ficar por um sentimento de coerência. Preferiram ficar com Temer a ficar com o seu próprio eleitor”, disse em entrevista a VEJA.

Para ele, o partido cometeu um grande erro ao permanecer do lado de um presidente “frágil”, mais preocupado em se livrar da Justiça do que em emplacar medidas importantes para salvar o país da crise econômica. E quando perceber isso, avalia, será tarde demais. “Falta visão de história e de futuro ao partido”. Assim como boa parte da cúpula da legenda, Reale defende com unhas e dentes a implementação das reformas trabalhista e previdenciária. Mas discorda do argumento do tucanato de que elas dependem de Temer para passarem no Congresso. “Pelo contrário, seria melhor sem ele”.

Desde que a delação da JBS caiu como uma bomba em Brasília, a cúpula do PSDB se reuniu diversas vezes para decidir se desembarcava ou não do governo. A palavra de ordem sempre foi esperar. Esperar a perícia da Polícia Federal no áudio da conversa entre o empresário Joesley Batista e Temer, esperar o julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), esperar “fatos novos”, que continuaram a aparecer (vide a prisão de Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor de Temer, a reforma na casa de Maristela Temer paga por um assessor presidencial, a carona do presidente e sua família em um jatinho da JBS), mas que parecem não ser suficientes. “Não podemos esperar os fatos decidirem por nós”.

Reale foi o primeiro — e, por enquanto, o único — dentre os grandes quadros da sigla a optar por sair do partido. Não acredita que haverá uma debandada, mas diz que o descontentamento entre filiados continua forte. Tem 73 anos — 27 dos quais filiado ao PSDB —, mas se identifica com os chamados “cabeças-pretas”, a ala mais jovem do partido contrária a Temer e desgostosa com a cúpula tucana, representada hoje por José Serra, Aloysio Nunes e Geraldo Alckmin.

Apesar de hoje ser mais lembrado por ter escrito o pedido que levou ao impeachment de Dilma Rousseff (PT), em 2016, o jurista já chegou a exercer cargos de relevância no partido. Foi ex-ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso, secretário de Segurança Pública na gestão de Franco Montoro no governo paulista e vice-presidente da sigla em São Paulo. Confira a entrevista.

Por que o senhor decidiu abandonar o partido que ajudou a criar?

O PSDB foi constituído em 1988 como uma reação ao desvio ético do PMDB. O movimento foi liderado por Franco Montoro, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso e Tasso Jereissati contra a linha dominada por Orestes Quércia e José Sarney. Todos nós erámos do PMDB. Só entrei no PSDB em 1990 porque eu ainda era muito ligado a Ulysses Guimarães [líder do PMDB]. O PSDB é como uma costela que saiu do PMDB, ganhou corpo, autonomia, independência, assumiu a Presidência da República e agora se minimiza voltando para o corpo doente.

O PSDB trai a sua história ao ficar ao lado de um governo com tantas denúncias graves de corrupção. Denúncias estas que pioram cada vez que se tenta explicá-las. O PSDB se peemedebilizou, virou o PMDB do PMDB.

O que acha do discurso do PSDB de que é preciso ficar com Temer para apoiar as reformas?

Dá para fazer isso sem estar no governo. O PSDB não tem nenhuma pasta ligada à economia, que, mesmo com a crise, se mantem hígida. O apoio às reformas pode se dar no Congresso. Não há a mínima necessidade de ter ministérios no governo. A economia não mudou uma palha com a crise. Pelo contrário, se o Temer sair, e entrar outro no lugar em eleições indiretas, alguém que seja comprometido com a manutenção da equipe econômica, a situação só tende a melhorar. Porque não teremos um presidente frágil, que se preocupa em comprar os deputados para rejeitarem a denúncia da Procuradoria-Geral da República, que não precisa liberar emenda a parlamentar ou financiamento do BNDES a governadores, que não fica tentando descobrir o que o Coronel Lima [João Baptista Lima Filho, assessor de Temer] ou o [ex-deputado federal] Rodrigo Loures vai dizer. Temer divide preocupações criminais com as preocupações do país.

Por que, com exceção dos “cabeças-pretas”, nenhuma grande liderança do PSDB apareceu para defender a saída do governo?

O partido não tem coragem porque tem tido essa característica, de ficar em cima do muro, há muito tempo. Aconteceu isso no mensalão. Os dirigentes não decidiram ir para cima do PT. Acharam melhor deixá-lo sangrando e, no fim, acabaram perdendo as eleições de 2006. O pior discurso é aquele do meio ético: ‘Vamos acabar com a corrupção, pero no mucho’. É aquele do ‘nem sim nem não’, ‘vamos ficar, porque é a nossa responsabilidade’. Mas e a responsabilidade perante a si mesmo? Falta visão de história e de futuro ao PSDB. Eu não podia ficar por um sentimento pessoal de coerência.

Quais seriam essas incoerências?

Como o partido explica essa esquizofrenia de decidir ficar com o governo e liberar a bancada para votar como quiser na denúncia que será submetida à Câmara dos Deputados. De recorrer ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para cassar o presidente e continuar a apoiá-lo. Como podem continuar no governo com essas acusações, fazer de conta que não aconteceu nada. ‘Precisamos esperar para ver?’ Os diálogos do Loures com o [executivo da JBS Ricardo] Saud já são bastante esclarecedores. Não precisa do áudio. O problema da mala é gravíssimo. E ainda todo o conjunto da obra. A recepção do Joesley no Palácio do Jaburu. Ouvir do próprio que ele tem um procurador infiltrado. Pergunto: o que se esperaria do presidente da França, por exemplo? Chama o capitão da guarda e manda prender na hora.


“O PSDB é um partido de classe média. E esse pessoal tem o seu foco na luta contra a corrupção. O partido não percebeu isso? Preferiu ficar com o Temer a ficar com os seus próprios eleitores”


Sabemos que o discurso oficial é o apoio às reformas. Mas o que, de fato, segura o PSDB ao PMDB?

Primeiro, esse vício de ficar em cima do muro. Segundo, o receio de represálias contra o Aécio [Neves, presidente licenciado do partido, também investigado na esteira das delações da JBS]. E terceiro, uma cegueira eleitoral. Basta ver os comentários no Facebook. O PSDB está descontentando o seu eleitorado. O PSDB é um partido de classe média. E esse pessoal tem o seu foco na luta contra a corrupção. O partido não percebeu isso? Preferiu ficar com o Temer a ficar com os seus próprios eleitores. Preferiu dar um pretenso respaldo às medidas econômicas ao invés de dar o braço para a sociedade que o apoia. Ele não só trai a sua história, como toda a sua base social.

E a eleição de 2018? O PSDB não tem interesse em fazer coligações com o PMDB?

A única coisa que o PMDB pode oferecer com essa crise toda que atinge todos os seus líderes é tempo de TV.

E tempo de TV não é importantíssimo para uma eleição presidencial?

É. Mas não precisa trair as suas origens para isso.

Sobre o Aécio, não seria uma incoerência desembarcar do governo e mantê-lo no partido, sendo que ele foi pego na mesma investigação que o Temer?

Seria uma grande incoerência ele não sair. Ele tem que ser destituído da presidência. Rápido. Esse é mais um motivo pelo qual eu decidi sair. Ele tem cinco ou seis processos no STF com fatos gravíssimos.

Além do senhor, quem mais do PSDB deve sair por causa dessa decisão?

Por enquanto, não sei de ninguém. O que há é um forte descontentamento por parte de algumas lideranças, como o Tasso e o próprio FHC, mas ninguém que queira sair. Isso depende muito da conveniência política de cada um.

FHC disse a VEJA nesta semana que o limite da tolerância com o governo já estourou. O que acha dessa mudança de posição?

O Fernando Henrique e o PSDB perderam o timing. Ele deveria ter dito isso antes da reunião [ que decidiu pela permanência do partido no governo]. Não podemos esperar os fatos decidirem por nós. A partir de agora, não será mais uma decisão própria e sim uma decisão dos fatos. Será uma decisão em consequência dos fatos. Agora já se perdeu todo o efeito positivo do desembarque.

O sr. foi o antecessor de Temer na Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. O sr. o conhece? Ficou surpreso com as denúncias?

Conheço-o muito bem. Aliás, fui eu que o indiquei para a secretaria para o Franco [Montoro]. O governador disse que ele só aceitava minha renúncia se indicasse alguém ligado ao direito. Eu me lembrei do Temer, que era procurador-geral do Estado e professor na USP. Liguei para ele e ele concordou. Depois, quando migrei para o PSDB, perguntei se ele queria ir também. Ele disse que não, porque tinha muito cacique no partido. Ele estava certo. E ficou no PMDB, onde ele virou o cacique. Agora, é lógico que me surpreendeu. Sabendo que ele era professor de direito constitucional. Mas não era uma possibilidade tão remota, sabendo que ele continuou na linha quercista [ligada ao ex-governador Orestes Quercia, do PMDB].

Como autor do impeachment de Dilma, o senhor foi bastante crítico à corrupção dos governos petistas. E a do PMDB?

É diferente. A corrupção peemedebista é privatista, ela forma um grupo que rouba para si. Já o lulopetismo aparelha todo o Estado e forma uma corrupção sistêmica. O PMDB é mais egoísta.

Na época do impeachment, o sr. chegou a dizer que o Brasil estava prestes, não a só mudar de governo, mas de mentalidade. Acha que isso aconteceu?

Sim, com certeza. Estava falando em relação ao surgimento de um novo ator político – o povo mobilizado. O que está acontecendo no Brasil é um efeito semelhante ao que aconteceu com Emmanuel Macron [presidente da França]. Lá, quem ganhou a eleição não foi um partido, mas um movimento.

O sr. sempre foi ligado aos movimentos do impeachment. Por que agora, com as delações da JBS, ninguém saiu à rua. Esse também não é um dos motivos que manteve o PSDB no governo?

Não precisamos estar sempre na rua. A movimentação nas redes sociais é imensa. Por exemplo, uma hashtag publicada pelo Vem pra Rua levou o Rodrigo Maia (presidente da Câmara) a recuar na votação da anistia ao caixa dois. Isso virou um fenômeno.


“O PSDB foi constituído em 1988 como uma reação ao desvio ético do PMDB. É como uma costela que saiu do PMDB, ganhou corpo, autonomia, independência, assumiu a Presidência da República e agora se minimiza voltando para o corpo doente”


Mas os políticos se comovem muito mais com os atos de rua...

Pode ter certeza de que, na hora em que a denúncia contra Temer entrar para votação na Câmara, a Avenida Paulista enche de novo. E não vai ser esquerda e direita. Vai ser todo mundo — de cima, de baixo, esquerda, direita. Todos.

Como um respeitado jurista e professor de direito, o que o senhor achou do julgamento da chapa no TSE?

Uma vergonha. Como é que um tribunal autoriza a produção de provas, essas provas são realizadas com todas as garantias da ampla defesa, com o respeito aos prazos e à participação dos advogados. E esse mesmo tribunal depois diz que essas provas não valem. É um tribunal que age contra si próprio.

O que achou da posição do presidente do TSE, Gilmar Mendes, pela absolvição?

Me surpreendeu, fiquei assustado. É um gnde magistrado, com uma formação jurídica extensa, por isso, me espantou ele ter dado esse voto. É um voto que envergonha. Espanta porque vem de um jurista de qualidade. Ele disse que não era um processo de reintegração de posse, mas de cassação da chapa de um presidente da República. Ele demorou três anos para concluir isso?

Conhecendo o Temer e sabendo que Temer também é um renomado jurista, por que acha que ele reluta em renunciar?

É uma questão um pouco messiânica. Ele acredita que vai sair com a economia em ordem e vai se consagrar por isso. Que a história o redimirá. O Sarney também pensava isso. E olha como saiu. Imagina, ele até estava consertando a economia até fez essas estripulias. É um absurdo. (Da Revista Veja)