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| A travessia do senador Fernando Bezerra Coelho do PSB para o PMDB provocou reboliço no cenário político local / Foto: Arte/FolhaPE |
A
travessia do senador Fernando Bezerra Coelho do PSB para o PMDB provocou
reboliço no cenário político local, como poucas vezes se viu na história
recente. Porém, mais do que isso, o desembarque muda a correlação de forças
entre os partidos que, eventualmente, lançarão candidatura majoritária em 2018,
embaralhando o xadrez político. O objetivo é a construção de uma ampla frente
de oposição ao Palácio do Campo das Princesas, formada no berço da base de
apoio ao Governo Temer.
No
PMDB, o ingresso de Bezerra leva a legenda a aparecer como a segunda opção
concreta no campo das oposições. E para uma eventual disputa, a sigla contará
com boas condições, uma vez que dispõe de um dos maiores tempo de televisão,
Bezerra tem grande inserção no Sertão e já deu largada às costuras para atrair
aliados na Região Metropolitana do Recife e no Agreste.
Após
ingressar no partido, o agora peemedebista já admitiu que vem dialogando com
siglas da base aliada do Governo. No rol de legendas que podem vir a configurar
a ampla frente política que o senador vem estimulando estão o PSC e PR, além
das que almejam candidatura própria, mas não descartam uma aliança com o PMDB,
como o DEM, PTB e PSDB.
Em
entrevista recente, o senador, que está prestes a tomar o comando do PMDB para
si, deixando os atuais dirigentes - o deputado federal Jarbas Vasconcelos e o
vice-governador Raul Henry - numa situação muito desconfortável - incorporou o
discurso oposicionista e afirmou que há um espaço de diálogo com as forças da oposição
para formar um palanque do Palácio do Planalto em Pernambuco. Neste diálogo,
ele defende que o seu novo partido fique com a cabeça de chapa e que o nome do
ministro Fernando Filho, que continua no PSB, seja cogitado.
"Desejamos
implementar no PMDB de Pernambuco, com apoio da direção nacional, a preparação
do partido para disputas majoritárias, seja no cargo de governador, seja de
senador. Vamos defender nesse conjunto, um nome do PMDB na disputa de
Pernambuco. É um trabalho que está sendo feito não só aqui, mas outros
estados", revelou Bezerra Coelho a uma rádio local. O dirigente deixou
claro que o projeto é de oposição ao governado Paulo Câmara (PSB) e que os
socialistas contribuíram para afastá-lo da Frente Popular. "Não teve
ninguém que desejasse mais participar do projeto político de Paulo do que eu,
todos sabem os desencontros que tivemos", justificou.
Além
do nome do PMDB, a primeira alternativa já apresentada no campo oposto é o nome
do senador Armando Monteiro (PTB) que desde o processo eleitoral passado se
coloca como o virtual candidato. No entanto, a dificuldade de angariar
condições, como tempo de televisão - diante do afastamento do PT - levou o
petebista a defender, em alguns momentos, que poderia se lançar a outros planos
, a exemplo da reeleição no Senado ou até um mandato de deputado federal.
Hoje,
Armando conta com o apoio do Avante, Podemos e do PRB. Ele ainda tem um bom
grupo de aliados na Alepe e Câmara Federal. Apesar da boa inserção no Agreste,
o pequeno leque de aliados diminue as possibilidades.
No
Campo das Princesas, o embarque de FBC no PMDB representará uma grande perda,
sobretudo, no tempo de TV para os planos de reeleição de Paulo, que perderá o
seu maior fiador e se vê cada vez mais isolado. Nos bastidores, socialistas vêm
ensaiando reaproximação com o PT, o que traria uma oxigenação, mas petistas
locais têm se mostrado descontentes com as movimentações de correligionários.
No diretório do partido, a defesa é pela candidatura própria. apenas com siglas
da esquerda.
O
DEM e o PSDB são outros partidos que, depois do ingresso dos pernambucanos
Mendonça Filho e Bruno Araújo nos ministérios da Educação e Cidades,
respectivamente, entraram no rol de uma postulação majoritária. Os dois
partidos almejam a cabeça de chapa e têm estreitado as relações. Eles têm
prefeitos em cidades estratégicas como o PSDB em Caruaru, mas, mas ainda não
sinalizaram abertamente o projeto.
Em
meio ao embaraço, o cientista político da UFPE, Helly Ferreira, afirmar ser
muito precipitado imaginar a composição de 2018. "O cenário é muito
turvo", avalia. Ele lembra que as delações premiadas e a própria discussão
em torno da disputa presidencial trarão repercussão nos estados, com resultados
imprevisíveis junto à sociedade. (Blog da Folha)

