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| Manifestantes favoráveis ao ex-presidente se manifestam em Brasília nesta quarta-feira. ANDRE COELHO (EFE) – REUTERS-QUALITY |
El País
Luiz
Inácio Lula da Silva perdeu nesta quarta-feira sua principal chance de evitar a
prisão antes das eleições. Por 6 a 5 o Supremo Tribunal Federal (STF) negou
habeas corpus pedido pelo petista que visava evitar que sua pena de 12 anos e
um mês de detenção por corrupção passiva e lavagem de dinheiro começasse a ser
cumprida sem que se esgotassem todos os recursos ainda disponíveis na Justiça
brasileira. Com essa decisão, o futuro do ex-presidente e líder nas pesquisas
de opinião para a votação presidencial fica, por ora, pendurado por um prazo do
último recurso no Tribunal Regional Federal 4 (TRF-4), em Porto Alegre,
previsto para ser decidido nas próximas semanas. Lula não se pronunciou e o PT
lançou nota classificando esse 4 de abril de 2018 como "um dia trágico
para a democracia brasileira."
O
voto decisivo para destino de Lula foi o de Rosa Weber. E ela agora pode ser,
ironicamente, a única e incerta salvação para tirar o petista da cadeia em
relativo pouco tempo. A decisão de Weber era uma incógnita até o início da
sessão. De um lado, sempre ficou claro que ela defendia como posição pessoal
que a prisão de um réu não pode acontecer antes da condenação na última
instância, ou seja, pró-Lula. Por outro, ela vinha se submetendo ao
entendimento do Plenário da Corte, estabelecido em 2016, que é favorável à
prisão após a segunda instância, ou seja, contra Lula. Depois de um voto
complexo e hermético no qual ela brandiu sua coerência por não desrespeitar a
maioria do tribunal, ela inclinou o apertado placar contra Lula.
Weber
deixou claro, porém, que está pronta para mudar de posicionamento assim que o
Supremo decidir julgar duas Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs)
que esperam avaliação. As chamadas ADCs debatem o mérito do tema central em
discussão: afinal, começar a cumprir a pena, antes de esgotados todos os
recursos, viola ou não a presunção de inocência prevista na Constituição? Weber
será, se seguir seu entendimento pessoal, favorável a elas. Assim, o placar se
inverteria: seria 6 x 5 contra a prisão em segunda instância, o que beneficiaria
o ex-presidente.
O
problema maior de Lula, no entanto, é que quem decide quando pautar uma sessão
para votar as ADCs, que é a presidenta do Supremo, Cármen Lúcia. A defesa do
ex-presidente ainda tentou congelar qualquer novo passo até esse julgamento, mas
a tentativa não prosperou. Agora, portanto, a única esperança do petista para
evitar a prisão é que a número 1 do Supremo sofra pressão crescente e decida
fazer isso antes de que sua ordem de prisão seja emitida pelo TRF-4.
PT e diz disposto a manter Lula
candidato até o fim
Lula
assistiu ao julgamento do Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo,
seu berço político. Estava acompanhado de apoiadores, militantes e da ex-presidenta
Dilma Rousseff. Além do clima de indignação que se espalhou pelas redes
simpáticas ao partido, o clima no PT era um só: a determinação de manter a
pré-candidatura de Lula à presidência até onde for possível.
A
argumentação é que, tecnicamente, nem mesmo a agora provável prisão do
ex-presidente impediria que ele siga se postulando à presidência. Respaldado
pelas pesquisas, que mostram o petista em primeiro lugar em todos os cenários,
o partido seguirá em silêncio, pelo menos oficialmente, sobre um possível plano
B, caso a candidatura de seu maior líder seja legalmente impedida com base na
Lei da Ficha Limpa. O apelo para esse rumo não é desprezível: o último levantamento
do instituto Datafolha, de janeiro, mostrava o petista com 36% das intenções de
voto.
A
reportagem apurou que somente Lula poderia tomar a decisão de desistir de sua
candidatura. Ou seja, se depender do PT, tudo fica como está, “mesmo que ele
seja preso”. Diante da possibilidade de um pedido de prisão iminente, as
caravanas que o Partido dos Trabalhadores vinha realizando desde o ano passado
pelo Brasil podem ser suspensas. Outra possibilidade que não está descartada é
a de o ex-presidente se entregar, quando sair a determinação da prisão,
evitando assim, uma operação da Polícia Federal para levá-lo à prisão.
O
Brasil acorda na quinta-feira tenso como na véspera e em contagem regressiva
para o próximo capítulo de sua novela política.








