![]() |
| Ciro Gomes |
Sob
protestos em suas bases regionais, as cúpulas do PT e PSB decidiram, nesta
quarta-feira (1ª), sacrificar candidaturas estaduais em nome de um pacto
nacional que levará ao isolamento do candidato do PDT à Presidência, Ciro
Gomes.
Consumado
o acordo, o PSB vai anunciar neutralidade na corrida presidencial, abandonando
a costura de aliança com o PDT.
Em
troca, o PT vai retirar a candidatura da vereadora Marília Arraes ao governo de
Pernambuco em apoio à reeleição do governador Paulo Câmara (PSB). Por 17 votos
contra 8, a Executiva Nacional do PT decidiu apoiar o PSB no estado.
O
comando petista aprovou a aliança com o PSB de Pernambuco às 16h. No mesmo
momento, em um hotel de Belo Horizonte, o presidente nacional do PSB, Carlos
Siqueira, informava ao ex-prefeito e pré-candidato Márcio Lacerda a decisão de
desistir da disputa ao Palácio da Liberdade em apoio à reeleição do petista
Fernando Pimentel.
"Recebi
esta comunicação com indignação, perplexidade, revolta e desprezo",
escreveu Lacerda, informando em nota que recusará o convite para que concorra
ao Senado na chapa encabeçada por Pimentel. Em declaração posterior à Folha,
ele disse que teve apenas uma conversa e que espera receber uma comunicação
formal.
Pré-candidata
em Pernambuco, Marília afirmou que não vai desistir de sua candidatura. A
vereadora disse acreditar que o recurso remetido ao Diretório Nacional para
reverter a decisão será acolhido.
"Não
tenho o direito de recuar e colocar a esperança do povo de Pernambuco como
moeda de troca a preço de banana. A neutralidade é a única coisa que Paulo
Câmara e seu grupo político pode oferecer porque não tem força de levar o
partido dele para um lado ou para o outro”, disse a jornalistas no Recife.
Dez
dirigentes do PT também entraram com recurso pela permanência de Marília. A
instância máxima do PT, no entanto, deverá reproduzir a decisão de sua
Executiva, que prevê também apoio petista aos candidatos do PSB no Amazonas,
Amapá e Paraíba.
O
acordo tem o aval da maior corrente petista, a CNB (Construindo um Novo
Brasil), cujo líder é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Preso
há 116 dias na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, Lula coordenou
os principais movimentos da pré-campanha até agora. Pelos seus cálculos, a
eleição será novamente polarizada entre direita e esquerda e só há espaço para
um nome de cada campo. Ciro seria o adversário direto do PT na competição por
votos, principalmente entre os eleitores do Nordeste.
![]() |
| Lula |
O
petista mandou recados por meio de pessoas que o visitam na prisão.
Deu
aval para decisões terminativas da presidente de seu partido, Gleisi Hoffmann
(PR), para pelo menos cinco atos que reverberaram contra Ciro: sinalizou com a
vice do PT para Manuela D’Ávila (PCdoB) no momento em que o partido era
assediado pelo PDT; repreendeu governadores petistas que defendiam aliança com
Ciro; assistiu ao PR, de Valdemar Costa Neto, levar o centrão para a órbita de
Geraldo Alckmin (PSDB) em vez de de fechar acordo com o PDT e, em seguida, fez
pesar sua relação familiar de anos na negativa do empresário Josué Alencar (PR)
em ser vice do tucano.
No
PSB, a costura foi endossada pela ala de Pernambuco, a mais poderosa do
partido, e pela da Paraíba. Caso se declare neutra, a legenda orientará os
diretórios estaduais, por meio de uma espécie de cartilha, a apoiarem
candidaturas de esquerda que sejam contrárias à reforma trabalhista.
Assim
como no PT, a decisão do comando nacional do PSB causou insatisfação em
diretórios estaduais da sigla. Um grupo ameaça propor, durante a convenção no
domingo (5), que a posição da legenda seja definida em votação votação.
"É
lamentável e é um erro do partido. Nós tínhamos iniciado um processo para
romper com a polarização, como fizemos com Eduardo Campos em 2014”, reclamou à
Folha o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg.
Ele
disse que, mesmo com a neutralidade, fará campanha por Ciro Gomes, do PDT, o
qual considera um nome preparado para o Planalto.
O
diretório do PSB de Belo Horizonte defendeu resistência à decisão nacional do
partido. "O PSB e o povo mineiro, como também a candidatura de Márcio
Lacerda, não podem ser objeto de espúria moeda de troca, em favor da manutenção
de gestões incompetentes e rejeitadas. Impõe-se, portanto, a não-aceitação bem
como a resistência que possa restaurar o debate democrático a ética das
relações políticas", afirma em nota.
O
diretório afirmou que a composição com o PT foge aos interesses do estado e que
a candidatura de Lacerda "crescia surpreendentemente e se consolidava como
uma terceira via".
O
PSB de BH diz ainda esperar que a direção nacional respeite a decisão que virá
da convenção estadual, no próximo sábado (4). "Como nos rege a democracia
interna, sem ingerências e intervenções estranhos e injustificáveis, em claro
desrespeito as tradições históricas e políticas de Minas Gerai", conclui.
OS TERMOS DO ACORDO
* PSB
adota neutralidade na eleição presidencial, rompendo tratativas com Ciro Gomes
(PDT), adversário do PT no eleitorado de esquerda.
*
PT retira candidatura de Marília Arraes em PE, o que facilita campanha de Paulo
Câmara; ela resiste em aceitar a proposta
*
PSB retira candidatura de Márcio Lacerda em MG. Isso ajuda, por sua vez, a
campanha do petista Fernando Pimentel (PT); Lacerda também diz que não vai
desistir
Cátia
Seabra, Gustavo Uribe, Marina Dias, João Valadares e Carolina Linhares
















