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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Acordo entre PT e PSB nos estados isola Ciro e causa protestos nos diretórios

Ciro Gomes


Sob protestos em suas bases regionais, as cúpulas do PT e PSB decidiram, nesta quarta-feira (1ª), sacrificar candidaturas estaduais em nome de um pacto nacional que levará ao isolamento do candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes.

Consumado o acordo, o PSB vai anunciar neutralidade na corrida presidencial, abandonando a costura de aliança com o PDT.

Em troca, o PT vai retirar a candidatura da vereadora Marília Arraes ao governo de Pernambuco em apoio à reeleição do governador Paulo Câmara (PSB). Por 17 votos contra 8, a Executiva Nacional do PT decidiu apoiar o PSB no estado.

O comando petista aprovou a aliança com o PSB de Pernambuco às 16h. No mesmo momento, em um hotel de Belo Horizonte, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, informava ao ex-prefeito e pré-candidato Márcio Lacerda a decisão de desistir da disputa ao Palácio da Liberdade em apoio à reeleição do petista Fernando Pimentel.

"Recebi esta comunicação com indignação, perplexidade, revolta e desprezo", escreveu Lacerda, informando em nota que recusará o convite para que concorra ao Senado na chapa encabeçada por Pimentel. Em declaração posterior à Folha, ele disse que teve apenas uma conversa e que espera receber uma comunicação formal.

Pré-candidata em Pernambuco, Marília afirmou que não vai desistir de sua candidatura. A vereadora disse acreditar que o recurso remetido ao Diretório Nacional para reverter a decisão será acolhido.

"Não tenho o direito de recuar e colocar a esperança do povo de Pernambuco como moeda de troca a preço de banana. A neutralidade é a única coisa que Paulo Câmara e seu grupo político pode oferecer porque não tem força de levar o partido dele para um lado ou para o outro”, disse a jornalistas no Recife.

Dez dirigentes do PT também entraram com recurso pela permanência de Marília. A instância máxima do PT, no entanto, deverá reproduzir a decisão de sua Executiva, que prevê também apoio petista aos candidatos do PSB no Amazonas, Amapá e Paraíba.

O acordo tem o aval da maior corrente petista, a CNB (Construindo um Novo Brasil), cujo líder é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Preso há 116 dias na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, Lula coordenou os principais movimentos da pré-campanha até agora. Pelos seus cálculos, a eleição será novamente polarizada entre direita e esquerda e só há espaço para um nome de cada campo. Ciro seria o adversário direto do PT na competição por votos, principalmente entre os eleitores do Nordeste.

Lula

O petista mandou recados por meio de pessoas que o visitam na prisão.

Deu aval para decisões terminativas da presidente de seu partido, Gleisi Hoffmann (PR), para pelo menos cinco atos que reverberaram contra Ciro: sinalizou com a vice do PT para Manuela D’Ávila (PCdoB) no momento em que o partido era assediado pelo PDT; repreendeu governadores petistas que defendiam aliança com Ciro; assistiu ao PR, de Valdemar Costa Neto, levar o centrão para a órbita de Geraldo Alckmin (PSDB) em vez de de fechar acordo com o PDT e, em seguida, fez pesar sua relação familiar de anos na negativa do empresário Josué Alencar (PR) em ser vice do tucano.

No PSB, a costura foi endossada pela ala de Pernambuco, a mais poderosa do partido, e pela da Paraíba. Caso se declare neutra, a legenda orientará os diretórios estaduais, por meio de uma espécie de cartilha, a apoiarem candidaturas de esquerda que sejam contrárias à reforma trabalhista.

Assim como no PT, a decisão do comando nacional do PSB causou insatisfação em diretórios estaduais da sigla. Um grupo ameaça propor, durante a convenção no domingo (5), que a posição da legenda seja definida em votação votação.

"É lamentável e é um erro do partido. Nós tínhamos iniciado um processo para romper com a polarização, como fizemos com Eduardo Campos em 2014”, reclamou à Folha o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg.

Ele disse que, mesmo com a neutralidade, fará campanha por Ciro Gomes, do PDT, o qual considera um nome preparado para o Planalto.

O diretório do PSB de Belo Horizonte defendeu resistência à decisão nacional do partido. "O PSB e o povo mineiro, como também a candidatura de Márcio Lacerda, não podem ser objeto de espúria moeda de troca, em favor da manutenção de gestões incompetentes e rejeitadas. Impõe-se, portanto, a não-aceitação bem como a resistência que possa restaurar o debate democrático a ética das relações políticas", afirma em nota.

O diretório afirmou que a composição com o PT foge aos interesses do estado e que a candidatura de Lacerda "crescia surpreendentemente e se consolidava como uma terceira via".

O PSB de BH diz ainda esperar que a direção nacional respeite a decisão que virá da convenção estadual, no próximo sábado (4). "Como nos rege a democracia interna, sem ingerências e intervenções estranhos e injustificáveis, em claro desrespeito as tradições históricas e políticas de Minas Gerai", conclui.


OS TERMOS DO ACORDO


* PSB adota neutralidade na eleição presidencial, rompendo tratativas com Ciro Gomes (PDT), adversário do PT no eleitorado de esquerda.

* PT retira candidatura de Marília Arraes em PE, o que facilita campanha de Paulo Câmara; ela resiste em aceitar a proposta

* PSB retira candidatura de Márcio Lacerda em MG. Isso ajuda, por sua vez, a campanha do petista Fernando Pimentel (PT); Lacerda também diz que não vai desistir

Cátia Seabra, Gustavo Uribe, Marina Dias, João Valadares e Carolina Linhares

PT anuncia acordo de não agressão com PSB para sufocar candidatura Ciro Gomes

Marília Arraes, Lula e Humberto Costa. Foto: RICARDO STUCKERT


Em uma negociação de última hora, a cúpula do PT comemora ter conseguido sufocar a candidatura presidencial de Ciro Gomes (PDT) ao convencer o PSB a declarar neutralidade na disputa nacional ao invés de apoiar o nome do pedetista ao Palácio do Planalto. A movimentação reforça o lugar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo preso e virtualmente impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa, como principal nome da esquerda na disputa. Ciro e sua equipe contavam com a aliança com o PSB para ampliar o seu tempo de propaganda de rádio e TV, o número de parlamentares que fariam campanha para ele, assim como o recurso partidário que poderia ser investido em sua campanha - os 47 segundos de tempo que o PSB tem no horário eleitoral e os 118 milhões de reais do fundo eleitoral do partido não serão recebidos por nenhum presidenciável. Sem essa estrutura, a tendência é que o PDT lance chapa pura, na qual teria aproximadamente 30 segundos de tempo de exposição e 61,4 milhões de reais de fundo eleitoral – valor esse a ser dividido com concorrentes a todos os cargos, não apenas para presidente e vice.


"O PT está ensaiando uma valsa à beira do abismo", reagiu Ciro Gomes em entrevista na noite de quarta-feira ao canal GloboNews, se referindo ao provável veto legal à candidatura do petista. "Essa burocracia do PT não está pensando no Brasil", afirmou o candidato do PDT, que disse que não jogou a toalha na luta pelo apoio do PSB.

O isolamento do pedetista foi negociado pelos presidentes do PT, Gleisi Hoffmann, e do PSB, Carlos Siqueira, juntamente com governador de Minas Gerais e candidato à reeleição, Fernando Pimentel. Em troca da declaração de neutralidade, o PSB recebeu o apoio dos petistas nas candidaturas para governadores de quatro Estados: Pernambuco, Paraíba, Amazonas e Amapá. Por outro lado, os socialistas se comprometeram a retirar a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, para o Governo mineiro, e declarar apoio a Pimentel. Também estão nas mesmas coligações na Bahia, Acre, Ceará e Maranhão (esta encabeçada pelo PCdoB).

A executiva do PT emitiu um documento reforçando que a legenda insistirá na candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência. Formalmente também convidou o PROS a compor parte de seu arco de alianças nacionais. Esse partido era um com os quais Ciro também negociava a formação de uma coligação. Antes de perder o apoio do PSB, o pedetista já havia sofrida outra derrota quando o centrão decidiu apoiar Geraldo Alckmin (PSDB) ao invés de apoiá-lo. Embora o PSB ainda não tenha formalizado o acordo, porque ainda precisa fazer sua convenção no próximo domingo, ele é já dado como certo.


O caso de Pernambuco


No caso de Pernambuco, o PT abre mão de uma das suas candidaturas estaduais mais fortes. Marília Arraes, neta de Miguel Arraes, era o nome do partido e aparecia em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto locais, atrás do atual governador Paulo Câmara (PSB). A vereadora além de carregar o sobrenome de uma grande liderança, ainda defendia fortemente Lula no Estado mais lulista do país (21% votariam no ex-presidente em resposta espontânea, segundo o último Datafolha. O maior percentual do Brasil). Ciente do perigo que Marília poderia representar para sua candidatura à reeleição, Câmara defendia ferrenhamente a aliança nacional com o PT, o que tiraria a neta de Arraes do campo.

Marília fez um vídeo que circulou pelas redes sociais negando a suspensão de sua candidatura e afirmando que o que estava sendo dito era "mais um grande ataque especulativo". "Nós estamos firmes. Não vamos deixar que a esperança do povo de Pernambuco seja usada como moeda de troca". Horas depois, convocou uma coletiva de imprensa para dizer que vai recorrer em todas as instâncias partidárias contra a decisão tomada pela direção nacional do partido e disse se recusar abrir mão de sua candidatura por um "não apoio" do PSB no cenário nacional. Fora da disputa do Governo, existe a possibilidade de ela ser candidata a deputada federal, como desejava em 2013. Se isso ocorrer, novamente no meio do caminho estará a família: a candidatura na qual o PSB mais deve investir para conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados é a de João Campos, filho de Eduardo Campos. João já tem percorrido o Estado e realizado diversas atividades políticas. Nos bastidores, fala-se que seu objetivo não é ganhar, mas ser o deputado mais votado do Estado.


Manuela D'Ávil


Em outra frente, há a expectativa de que até o sábado, quando o PT realiza sua convenção, seja anunciada uma aliança oficial com o PCdoB, que lançou o nome de Manuela D’ávila à presidência. No ato que a formalizou como candidata, Manuela insistiu que a prioridade dela e de seu partido sempre foi o de unir as legendas de esquerda, nem que para isso ela tivesse de retirar seu nome da disputa. “Nunca fomos e nunca seremos óbice às articulações em nosso campo político”, afirmou. O nome dela é apontado como um possível vice de Lula. Um dos entusiastas dessa aliança é Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, que é o principal expoente de seu partido. "Até o último minuto quero lutar por essa unidade da esquerda", disse ao EL PAÍS.

Pelas regras, as candidaturas e o arco de alianças têm de ser registrados no Tribunal Superior Eleitoral até o próximo dia 15. Mas essas decisões só são válidas se elas tiverem sido formalizadas pelos partidos até o dia 5 de agosto. Futuras trocas de nomes de candidatos podem ocorrer até meados de setembro, desde que haja esse entendimento prévio sobre as alianças. Por exemplo, se Lula for impedido de concorrer ao pleito por causa de sua condenação na Lava Jato, ele pode ser substituído por outra pessoa, desde que seja de seu partido ou de alguns dos que estiverem em sua coligação.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Lula em contagem regressiva para ser preso

Manifestantes favoráveis ao ex-presidente se manifestam em Brasília nesta quarta-feira. ANDRE COELHO (EFE) – REUTERS-QUALITY

El País

Luiz Inácio Lula da Silva perdeu nesta quarta-feira sua principal chance de evitar a prisão antes das eleições. Por 6 a 5 o Supremo Tribunal Federal (STF) negou habeas corpus pedido pelo petista que visava evitar que sua pena de 12 anos e um mês de detenção por corrupção passiva e lavagem de dinheiro começasse a ser cumprida sem que se esgotassem todos os recursos ainda disponíveis na Justiça brasileira. Com essa decisão, o futuro do ex-presidente e líder nas pesquisas de opinião para a votação presidencial fica, por ora, pendurado por um prazo do último recurso no Tribunal Regional Federal 4 (TRF-4), em Porto Alegre, previsto para ser decidido nas próximas semanas. Lula não se pronunciou e o PT lançou nota classificando esse 4 de abril de 2018 como "um dia trágico para a democracia brasileira."

O voto decisivo para destino de Lula foi o de Rosa Weber. E ela agora pode ser, ironicamente, a única e incerta salvação para tirar o petista da cadeia em relativo pouco tempo. A decisão de Weber era uma incógnita até o início da sessão. De um lado, sempre ficou claro que ela defendia como posição pessoal que a prisão de um réu não pode acontecer antes da condenação na última instância, ou seja, pró-Lula. Por outro, ela vinha se submetendo ao entendimento do Plenário da Corte, estabelecido em 2016, que é favorável à prisão após a segunda instância, ou seja, contra Lula. Depois de um voto complexo e hermético no qual ela brandiu sua coerência por não desrespeitar a maioria do tribunal, ela inclinou o apertado placar contra Lula.

Weber deixou claro, porém, que está pronta para mudar de posicionamento assim que o Supremo decidir julgar duas Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) que esperam avaliação. As chamadas ADCs debatem o mérito do tema central em discussão: afinal, começar a cumprir a pena, antes de esgotados todos os recursos, viola ou não a presunção de inocência prevista na Constituição? Weber será, se seguir seu entendimento pessoal, favorável a elas. Assim, o placar se inverteria: seria 6 x 5 contra a prisão em segunda instância, o que beneficiaria o ex-presidente.

O problema maior de Lula, no entanto, é que quem decide quando pautar uma sessão para votar as ADCs, que é a presidenta do Supremo, Cármen Lúcia. A defesa do ex-presidente ainda tentou congelar qualquer novo passo até esse julgamento, mas a tentativa não prosperou. Agora, portanto, a única esperança do petista para evitar a prisão é que a número 1 do Supremo sofra pressão crescente e decida fazer isso antes de que sua ordem de prisão seja emitida pelo TRF-4.


PT e diz disposto a manter Lula candidato até o fim


Lula assistiu ao julgamento do Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, seu berço político. Estava acompanhado de apoiadores, militantes e da ex-presidenta Dilma Rousseff. Além do clima de indignação que se espalhou pelas redes simpáticas ao partido, o clima no PT era um só: a determinação de manter a pré-candidatura de Lula à presidência até onde for possível.

A argumentação é que, tecnicamente, nem mesmo a agora provável prisão do ex-presidente impediria que ele siga se postulando à presidência. Respaldado pelas pesquisas, que mostram o petista em primeiro lugar em todos os cenários, o partido seguirá em silêncio, pelo menos oficialmente, sobre um possível plano B, caso a candidatura de seu maior líder seja legalmente impedida com base na Lei da Ficha Limpa. O apelo para esse rumo não é desprezível: o último levantamento do instituto Datafolha, de janeiro, mostrava o petista com 36% das intenções de voto.

A reportagem apurou que somente Lula poderia tomar a decisão de desistir de sua candidatura. Ou seja, se depender do PT, tudo fica como está, “mesmo que ele seja preso”. Diante da possibilidade de um pedido de prisão iminente, as caravanas que o Partido dos Trabalhadores vinha realizando desde o ano passado pelo Brasil podem ser suspensas. Outra possibilidade que não está descartada é a de o ex-presidente se entregar, quando sair a determinação da prisão, evitando assim, uma operação da Polícia Federal para levá-lo à prisão.

O Brasil acorda na quinta-feira tenso como na véspera e em contagem regressiva para o próximo capítulo de sua novela política.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Sem dinheiro e cheio de dívidas, como o PT irá bancar suas campanhas em 2018?

Lula e a vereador do Recife, Marília Arraes

A situação para o Partido dos Trabalhadores – PT não está nada fácil.

Já não bastasse os problemas que o partido enfrenta com a operação Lava Jato, ainda vem passando por graves problemas financeiros.

Segundo reportagem de Rogério Gentile na edição impressa desta segunda-feira (26) do jornal Folha de São Paulo, só na justiça paulista circulam ações que cobram do partido a bagatela de 46 milhões de reais em dívidas com empresas de marketing político, gráficas, produtoras, fornecedores de material promocional, um escritório de advocacia e até uma prestadora de serviços contábeis.

A maior parte das dívidas são referentes as eleições que o partido disputou nos anos de 2014 e 2016.

Derrotado na campanha de reeleição em 2016 e cotado como alternativa do PT ao Planalto neste ano, Fernando Haddad publicou um vídeo na internet pedindo doações para quitar dívidas que totalizavam R$ 8,58 milhões.

“A eleição acabou, mas a campanha não”, afirmou. “Temos ainda alguns profissionais que precisam receber, conto com sua colaboração para virar essa página.”

O diretório municipal em São Paulo diz em nota que a projeção de pagamento dos credores é de 45 meses. “Claro que o partido depende de fatores externos para cumprir essa previsão.”

O diretório estadual justificou as dívidas à justiça paulista dizendo que tais problemas se acumularam devido a mudança do entendimento legal que em 2015 passou a proibir o financiamento empresarial das campanhas. “Esses recursos representavam, objetivamente, grande parte do financiamento das campanhas eleitorais”, disse o partido, em um dos processos.

O PT paulistano vem tentando pagar suas dívidas promovendo jantares de arrecadação de recursos e venda de camisetas e bótons.

Com isso, não podemos deixar de perguntar: Se o a situação do PT de São Paulo é essa, como está a situação do partido aqui em Pernambuco?

Será feita alguma mágica para concretização do sonho dos simpatizantes da vereadora do Recife, Marília Arraes, de vê-la candidata ao governo de Pernambuco nestas eleições de 2018.

Como se faz campanha em Pernambuco, no Brasil e no mundo sem dinheiro? Alguém sabe dizer?

Muitos dizem: mas é Lula que quer. Duvido muito.

Ao nosso ver, é clara a estratégia do ex-presidente de deixar Marília correr atrás da sua candidatura na intenção do partido ficar mais caro para Paulo Câmara (PSB), governador de Pernambuco.

Afinal, Paulo precisa do tempo de TV do PT e o PT, diga-se, Lula, Humberto, João Paulo e os demais possíveis candidatos pelo partido, precisam da estrutura que Paulo oferece com governo estadual na mão. Simples assim.

Aqueles que ainda nutrem sonhos utópicos na política, perdem cada vez mais e mais espaço para o pragmatismo politico.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Apoio a Ciro Gomes na eleição para a Presidência ganha espaço no PT


O Globo

A possibilidade de apoio a um candidato de outro partido, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja impedido de concorrer ao Palácio do Planalto, começa a ganhar espaço no PT. O caminho nesse caso seria o partido optar por uma aliança com Ciro Gomes, pré-candidato do PDT.

O governador da Bahia, Rui Costa, tornou público, em entrevista publicada nesta quarta-feira pelo portal UOL, um tema que já vinha sendo tratado nos bastidores. “Não podemos ficar nessa marra de que, se não há um nome natural do PT e se o Lula não puder ser (candidato), por que não pode ser de outro partido? Acho que pode e acho que essa discussão, se ocorrer, no momento exato, nós vamos fazer esse debate”, disse Costa na entrevista.

Na noite desta quarta-feira, Costa receberá Lula para um jantar no Palácio de Ondina, residência oficial do governo da Bahia. O ex-ministro Jaques Wagner, que é secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, também deve participar do encontro.

Reservadamente, outras lideranças petistas defendem que o apoio a um nome de outro partido deve ser considerado como alternativa. Argumentam que o mais importante na eleição deste ano é impedir o triunfo de um adversário do outro campo político.

Ciro, inclusive, já foi orientado que, se quiser ter chance de se aliar com o PT, precisa moderar as críticas ao partido e a Lula. Nos últimos dias, o pedetista tem amenizado a sua fala com relação aos petistas.

Com receio de que a discussão sobre uma alternativa a Lula enfraqueça a posição do ex-presidente, que hoje lidera as pesquisas, dirigentes do partido rechaçaram imediatamente a declaração do governador da Bahia.

— Nós vamos registrar o Lula no dia 15 de agosto. Se eles forem tentar impedir o Lula, vai ser um processo extremamente traumático. Por isso, erra o governador (Rui Costa) ao naturalizar, ao dar como certo isso. Nós não temos plano B — disse o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ).

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, disse que admitir um outro caminho para o PT que não seja a candidatura de Lula é fazer o jogo do adversário. “Vamos com Lula até o fim porque ele é inocente e tem o direito de ser candidato. E o povo tem o direito de votar em Lula. O que nossos adversários querem é outro candidato para afastar Lula da eleição e convalidar a tese de que ele é culpado e inelegível. Não vamos cair nessa armadilha”, escreveu Gleisi, no Twitter.

Além de se aliar a um candidato de outro partido, o PT também discute indicar um nome da legenda para substituir Lula na cabeça da chapa presidencial. Nesse caso, os mais cotados são Jaques Wagner e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad.

terça-feira, 13 de março de 2018

‘Estou pronto para ser preso’, diz Lula em entrevista para livro


O Globo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admite estar “pronto para ser preso”. A declaração foi dada em entrevista para o livro “A Verdade Vencerá - O povo sabe por que me condenaram”, que será lançado na sexta-feira, em São Paulo, com a presença do petista.

Na obra, da editora Boitempo, é reproduzida uma entrevista dada nos dias 7, 15 e 28 de fevereiro por Lula aos jornalistas Juca Kfouri e Maria Inês Nassif, para o professor de relações internacionais Gilberto Maringoni e para a editora Ivana Jinking.

"Há duas instâncias superiores que a agente pode recorrer (STF e STJ) e vamos recorrer. Eles vão tomar a decisão, eu estou pronto para ser preso. É uma decisão deles”, diz o ex-presidente, na entrevista.

Kfouri pergunta a Lula se ele está cogitando a hipótese de ser preso. O petista responde:

“Estou. O que não estou é preparado para a resistência armada. Como sou um democrata, nem apreender a atirar eu aprendi. Então, isso está fora. O PT não nasceu para ser um partido revolucionário, nasceu para ser um partido democrático e levar a democracia até as últimas consequências”.

Na mesma reposta, Lula acrescenta que não irá fugir do país.

“Eu não vou sair do Brasil, não vou me esconder em embaixada, eu não vou fugir. A palavra “fugir” não existe no meu dicionário. Vou estar na minha casa, chegando em casa entre 20h e 21h, indo dormir às 22h, acordando às 5h para fazer ginástica.

Na sequência, Ivana questiona "como se prepara o espírito para isso". "Eu não preparo o espírito. Eu sou um homem de espírito leve. Tudo isso faz parte da história. Estamos num momento histórico importante para mim. Eu sei por que estou sendo julgado. E eles não têm a mesma consciência tranquila que eu tenho."

Nesta terça-feira, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia voltou a se posicionar contra a discussão da prisão após condenação em segunda instância na pauta da Corte. Segundo a ministra, ela não se submeterá a pressão de políticos.

Questionada sobre como lida com a pressão de políticos para que o tema seja reanalisado, a ministra foi taxativa:

— Eu não lido. Eu simplesmente não me submeto à pressão — disse a presidente do STF após participar de um debate sobre a presença de mulheres no poder promovido pelo jornal "Folha de S. Paulo.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Na Frente Popular, leu-se 'sinalização clara' de Lula

Lula e Paulo Câmara – Foto: Divulgação

Renata Bezerra de Melo – FolhaPE Política

O aceno ficou nas entrelinhas. Ao menos, integrantes da Frente Popular enxergaram, ontem, nas palavras do ex-presidente Lula, uma "sinalização clara" a favor de uma aliança entre PT e PSB no Estado. Governistas fizeram uma leitura de que, inclusive, Lula nivelou as três pré-candidaturas do PT, citando-as sem maior ênfase no nome de Marília Arraes. Isso foi anotado. "O PT pode voltar a conversar com o PSB, pode conversar com Armando Monteiro, pode ter candidatura própria. Nós temos pré-candidatos. Temos Marília, Odacy (Amorim), José de Oliveira. Não quero precipitar um fato", ponderou Lula em entrevista à Rádio Jornal. Grifou a "relação muito forte" com Eduardo Campos e lembrou ter havido "fissura e problemas" entre PSB e PT. Mas contemporizou: "Tudo isso faz parte do cenário local". E fez um chamamento para que, diante da nova eleição, os partidos decidam se é melhor brigar ou se aliar, pediu que pensem no que é melhor para Pernambuco. "Se é continuar brigando com possível aliado, capaz de construir um programa para o Estado, ou se vai, simplesmente, fazer sozinho eleição, se não vai fazer aliança com ninguém".

O líder-mor do PT pediu "maturidade" na discussão. As declarações de Lula vêm um dia após o prefeito Geraldo Julio comparar o PSB ao PT por não serem da "turma de Temer". As palavras de Geraldo, por sua vez, vieram na esteira das proferidas, à coluna, pelo senador Humberto Costa, que tachou de "meia boca" o discurso de "pessoas que querem ser candidatas do PT" e advertiu que "os verdadeiros adversários nossos são os que fazem o palanque de Temer, onde está aquele pessoal todo da direita histórica, que nunca aceitou nem (Miguel) Arraes". A reaproximação já vinha se desenhando de antes. Ainda em agosto, Lula jantou na casa de Renata Campos, onde teve conversas descontraídas com o governador Paulo Câmara. Pouco antes, Paulo Câmara já havia recebido o ex-prefeito Fernando Haddad. Ontem, o próprio governador assinalou haver "mais convergências do que divergências" entre PT e PSB. E essas convergências vão ganhando contornos públicos.


Um dia atrás do outro


Diante de sua condenação pelo TRF4, Lula vem sublinhando o que o governador Flávio Dino "tem falado e escrito". Realça que ele foi "juiz federal e ele fala que julgamento igual a esse jamais aconteceu no Direito brasileiro". A despeito das defesas que Dino faz do petista, o PCdoB sente a dificuldade de ter "reciprocidade" do PT no Maranhão, uma vez que Dino foi eleito sem o apoio dos petistas.

Pode! > No Maranhão, o PT não apoiou Dino para não melindrar o adversário dele, que era Edison Lobão Filho, do PMDB. Ontem, Lula, que não esconde a "gratidão" que tem por José Sarney, defendeu a possibilidade de o PT fazer aliança com o PMDB este ano.

Resultado > "Não posso aceitar a ideia de que o PMDB todo não pode fazer aliança com o PT, porque, desde 2002, a gente faz aliança com parte do PMDB e vamos fazer aliança política para ganhar eleiçes com quem estiver de acordo com o programa", cravou Lula.

Torcida > Presidente do PP em Pernambuco, Eduardo da Fonte defende uma aliança entre PT e PSB. "O PP, através de mim, defende a entrada do PT na Frente Popular. Tenho defendido em todas as conversas a entrada do PT. É uma forma de unir a esquerda e o PT tem um peso eleitoral bastante razoável em PE", diz o dirigente.

Reforço > Mais 20 promotores vão reforçar o MPPE no Interior. Entre as autoridades que prestigiaram a posse dos novos integrantes, ontem, estavam: João Campos, chefe de gabinete do governador, e Germana Laureano, do Ministério Público de Contas.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

‘O PT deveria compreender que já cumpriu o seu papel’, diz presidente nacional do PSB

O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, durante entrevista - Givaldo Barbosa / Agência O Globo

(O Globo)

Sem pré-candidato definido para a Presidência da República, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, avalia que chegou a hora de o partido de Lula apoiar um dos antigos aliados históricos. Em entrevista ao GLOBO, Siqueira disse ainda que é muito difícil unidade entre as legendas de esquerda no primeiro turno e tratou como inevitável a candidatura própria ao governo de São Paulo, com ou sem o apoio do PSDB.

Nessa pré-campanha, o PSB já sabe se vai apoiar alguém ou ter candidato próprio a presidente?

Em um primeiro momento, nós estamos consolidando um quadro interno, com nove candidaturas de governadores, que podem chegar a dez, e todas competitivas. As candidaturas seriam em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Distrito Federal, Tocantins, Sergipe, Pernambuco, Paraíba e Amazonas. Com esse cacife nós podemos ter uma candidatura própria, mas temos que avaliar isso com os próprios candidatos. Será que ela vai ser útil e contribuir para este quadro? Se for, ótimo! Se não, o que vamos fazer? Nesse sentido nós estamos sendo procurados desde o final do ano passado. Primeiro pelo governador Alckmin, depois foi pelo Ciro, depois a Marina, o Álvaro Dias e também a Manuela D'Ávila. Se nós não tivermos candidato, temos que fazer uma escolha entre esses.

Quais seriam os nomes mais cotados para o caso de uma candidatura própria? O ex-ministro Joaquim Barbosa tem adiado sua resposta...

Tem o Beto Albuquerque, tem o Aldo Rebelo e tem uma conversa paralela com o ministro Joaquim Barbosa. Em relação à Rede, de Marina, nós achamos incompreensível que eles desejem o nosso apoio, mas tenham rompido recentemente com o governo do Distrito Federal e com o governo de Pernambuco. Parece que é um sinal contrário querer o apoio para a candidatura à presidência e ao mesmo tempo romper com dois dos três governos estaduais do partido.

O que muda no campo dos partidos de esquerda com a condenação do ex-presidente Lula?

A esquerda é diversificada e numa eleição de dois turnos, os partidos vão buscar seus projetos próprios ou se agregando a outros. Não creio na unidade da esquerda no primeiro turno. Se tivesse que haver unidade, o PT deveria compreender que já cumpriu seu papel e tem que apoiar outros candidatos de esquerda, não necessariamente ter que ser apoiado por eles. Essa é uma questão democrática dentro da própria esquerda e o PT tem uma visão exclusivista, pensa sempre em torno dele próprio e não em torno de seus parceiros. O reflexo maior disso foi que, quando chegou o seu governo, em vez de colocar como seus aliados estratégicos os partidos que lhe apoiaram desde 1989, escolheu o PMDB.

Como analisa o peso do apoio do presidente Michel Temer a um candidato de centro?

O candidato do governo atual carregará um peso muito grande, que é a impopularidade do presidente e das medidas que ele está adotando. Esse é governo mais impopular da história da República.

Acha que a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro chega no segundo turno?

Não sei o que vai acontecer, mas desejo que ele entre num plano declinante. Não existe coisa pior para o Brasil desse quadro todo do que o Bolsonaro. É algo surpreendente negativamente ter ele entre os que mais estão tendo a preferência do eleitorado hoje. À medida em que o debate avança, a tendência dele é esvaziar. Seria desastrosa ter alguém como ele na Presidência da República.

Se o PSDB retirar candidatura em São Paulo e apoiar o Márcio França, isso seria um peso para o apoio da candidatura de Alckmin à Presidência da República?

Assim como a Rede rompeu com nossos governadores e nós vamos colocar isso na mesa para discussão, se ocorrer isso em São Paulo, nós vamos colocar na mesa em algum momento da discussão. Quer dizer, cada um dá o aceno que deseja, para contribuir ou não com o apoio que pretende.

Márcio França pode retirar sua candidatura ao governo do estado São Paulo?

A hipótese da retirada da candidatura de Márcio França ao governo do estado de São Paulo é absolutamente zero. A direção nacional tem essa candidatura como prioridade. Porque nós sempre entendemos que para o partido ter um projeto nacional ele precisa ter uma presença mais significativa no sudeste do país. E São Paulo, sendo o principal colégio eleitoral, torna-se vital essa candidatura.

O senhor acha possível que o PSDB entregue São Paulo ao PSB, em troca de apoio a candidatura de Alckmin ao Planalto?

Claro, nós temos nossas diferenças com o PSDB, mas achamos que seria muito importante se os tucanos de São Paulo fizessem esse gesto, depois de governar por mais de 20 anos. Ninguém se eterniza no poder. É da natureza da democracia a rotatividade. Penso que é a hora do PSB ter uma experiência em um importante estado da nossa federação.

Se não acontecer, quem perde mais? PSDB ou PSB?

Eu tenho a impressão que o PSDB pode perder mais que o PSB nesse caso. Porque o Márcio será candidato, já está dado. É muito importante que ele tenha o apoio do PSDB, mas ele será candidato com ou sem esse apoio. Ele já está formando sua aliança, já tem mais de três ou quatro partidos comprometidos com a candidatura dele. Desde Mário Covas que o PSB apoia o PSDB em São Paulo. Está na hora de ter uma rotatividade, de ter uma contrapartida, um reconhecimento. Não há nenhuma razão para que não se apoie. É importante que, ao invés de correr o risco de perder uma eleição, que se apoie um aliado.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Parentes defendem Lula e dizem que não há provas contra ele

A prima de Lula Lindinalva Ferreira de Melo, com o marido, filhos e neto, em Caetés – Foto: Fernando Vivas/Folhapress

Folha de São Paulo

Sentados em torno de uma mesa de madeira no quintal do sítio, seis dos oito filhos de Lindinalva Ferreira de Melo, 68, dividem-se entre cervejas e pratos de sarapatel. O clima é de confraternização, mas o principal tema das conversas é indigesto.

O parente mais ilustre da família, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sofreu esta semana um dos golpes mais duros de sua carreira política. Dois dias após Lula ser condenado pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) a uma pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção, sua família não engole a derrota.

O sítio de Lindinalva, prima de Lula, fica na zona rural de Caetés (PE), a poucos metros da casa onde Lula nasceu e viveu até os sete anos, quando a cidade ainda era um distrito da vizinha Garanhuns, no agreste pernambucano.

Foi lá, entre plantações de maxixe e jerimum, que parte da família acompanhou a decisão dos desembargadores do TRF-4 de condenar e aumentar a pena de Lula no processo do tríplex de Guarujá.

E se indignaram com a possibilidade de ver o filho ilustre da família fora das urnas na eleição presidencial de outubro.

Em frente a uma bacia de plástico, Lindinalva trata pequenas tilápias pescadas em uma represa próxima ao sítio. Coloca os peixes e os adversários do ex-presidente na frigideira.

"Lula tem que sair candidato para a gente dar uma pisa naquele velho sem vergonha", disse Lindinalva. Referia-se ao presidente Michel Temer (MDB). Para ela, o principal culpado da situação que hoje vive o petista.


VOTO NULO

Sem Lula nas urnas, ela diz não ter uma segunda opção de voto para presidente. O sentimento é compartilhado não só por familiares como por outros moradores da região. Falam em anular o voto ou nem sequer comparecer na seção eleitoral no dia de votar.

"Está todo mundo chateado. Se não tiver Lula, vamos votar com raiva", diz Vanderli Ferreira, o Vando, um dos filhos de Lindinalva e primo em segundo grau do petista.

Lindinalva até admite votar em alguém indicado por Lula, mas diz que não pode ser qualquer um –decepcionou-se com o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Diz desconhecer Fernando Haddad ou Jaques Wagner, potenciais candidatos petistas em caso da candidatura de Lula ser impugnada.

Gilberto Ferreira, 70, também primo de Lula, aprova o nome de Haddad, mas dá uma sugestão de candidato impensável na cúpula do PT: o senador Paulo Paim (PT-RS). "Acho ele muito sério", afirma.

O primo de Lula afirma ter assistido à sessão do julgamento do início ao fim e criticou o desempenho dos desembargadores João Pedro Gebran, Leandro Paulsen e Victor Luiz dos Santos Laus: "A votação deles foi toda combinada".

No sítio vizinho, Antônio Ferreira, 68, outro primo que conviveu com Lula durante a infância em Caetés, diz que votaria no petista "cem vezes, se cem vezes ele fosse candidato".

Mas, resignado, afirma que não vê chance de o primo voltar a ocupar o Palácio do Planalto: "Condenado ele já está, né? Como é que ele vai para a Presidência? Para mim não tem nenhuma chance", afirmou o primo.

INOCENTE

Em Caetés, impera a crença de que Lula foi injustiçado com a condenação. A versão dada pela defesa do ex-presidente é o argumento na ponta da língua da família do ex-presidente: não há provas de que o ex-presidente seja dono do tríplex.

Todos os familiares de Lula ouvidos pela Folha, sem exceção, dizem acreditar que o ex-presidente petista seja inocente –pelo menos três deles o compararam a Jesus Cristo.

"Não há nenhuma prova contra ele, nunca houve", diz Gilberto. Lindinalva tem a mesma opinião: "Ele está sendo perseguido".

Antônio afirma que, mesmo que Lula tenha praticado algo irregular, ele não merecia ser condenado "por tudo que ele fez pelo país".

O sentimento de injustiça dos primos de Lula ganha contornos ainda mais fortes quando falam de outros políticos.

"Aquele Aécio Neves [senador do PSDB] está aí, com a cara pra cima", diz Lindinalva. O filho dela ainda complementa citando um aliado de Lula: "E Renan Calheiros [senador do MDB de Alagoas]? Aquele deve ter dez apartamentos e cem sítios e está solto até hoje".

Entre as doses de cachaça, goles de cerveja e garfadas de peixe e sarapatel, a indignação dá lugar à galhofa de Vando, Ernando, Erlan, Vanderlei, Ezequiel e Eliezer, filhos de Lindinalva.

"Se a Justiça diz que o tríplex é mesmo de Lula, ele devia ocupar, levar todo mundo para lá", disse um deles.

Um amigo da família aponta uma solução para o caso de o ex-presidente ser preso: "A gente pode fazer um revezamento. Cada um fica um dia na prisão no lugar de Lula", diz.

Na frente da casa, as caixas de som de uma caminhonete ecoam a voz aguda de Lairton e Seus Teclados. "Você só colheu o que você plantou", canta o ícone do brega nordestino. Mas ninguém ousa relacionar os versos com a situação de Lula.

Enquanto isso, mesmo com a defesa convicta de seus conterrâneos, nenhuma faixa ou placa fazia referência a Lula nas ruas da sua cidade natal.

Mas a concorrência já está à espreita: em outdoor instalado logo na entrada de Garanhuns, um Jair Bolsonaro sorri para os eleitores.

Outdoor com a imagem de Jair Bolsonaro entre Garanhuns e Caetés / Foto: Fernando Vivas/Folhapress

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Bono Vox: vocalista do U2 vem ao Brasil para julgamento de Lula

Bono Vox, Lula e Bill Gates

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) afirmou nessa segunda-feira (18) que o vocalista da banda U2, Bono Vox, deverá viajar a Porto Alegre para acompanhar o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O julgamento do petista é em relação ao caso do tríplex de Guarujá e está agendado para o dia 24 de janeiro.

Segundo o senador, Vox já confirmou participação em "atos pela defesa da democracia", bem como o ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica".


Bono Vox, Bill Gates e Lula

Outras presenças


Requião ainda afirmou que o senador americano Bernie Sanders também poderá confirmar presença no que chama de 'Fórum Social Mundial Extraordinário'.


Bernie Sanders

Julgamento


O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4) marcou para o dia 24 de janeiro o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Operação Lava Jato. Lula foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 9 anos e 6 meses por corrupção e lavagem de dinheiro em 1.ª instância, em 12 de julho, no caso triplex.

O TRF4 é o tribunal de apelação. O desembargador João Pedro Gebran Neto, relator da ação penal, já concluiu seu voto, mas ainda não o tornou público.

O terceiro juiz da 8.ª Turma do TRF4, que cuida das ações relativas à Lava Jato, desembargador Victor Luiz dos Santos Laus, também poderá ler seu voto na sessão. Se ele pedir vista, no entanto, o julgamento poderá ser adiado.

O ex-presidente foi condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro supostamente recebido da empreiteira OAS por meio de reforma e melhorias no apartamento tríplex situado no Guarujá, litoral paulista.

A defesa de Lula tem reclamado enfaticamente do ritmo acelerado adotado pela Justiça na ação contra o ex-presidente. Segundo os advogados do petista, ele é alvo de "lawfare", uso indevido dos procedimentos jurídicos para persegui-lo politicamente.

No mérito, a defesa nega veementemente envolvimento de Lula em irregularidades. O ex-presidente é alvo de outros dois processos criminais na Lava Jato no Paraná, sob condução do juiz Moro. (Jornal do Commercio)