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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

PT Garanhuns da guinada à extrema esquerda


A ex-funcionária da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado de Pernambuco – FETAPE e professora aposentada, Lucimar Oliveira, foi eleita presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) Garanhuns em eleição que aconteceu durante todo o dia de ontem (domingo 08).

Com a eleição de Lucimar, o diretório em Garanhuns faz a escolha por uma guinada a extrema esquerda. Optando por assumir uma postura à esquerda da esquerda do próprio partido.

Lucimar defende ideias arcaicas e radicais, o que com certeza vai dificultar a formação de uma chapa competitiva para o PT tentar eleger algum petista ao cargo de vereador em Garanhuns em 2020 ou até mesmo uma composição numa chapa majoritária.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Acordo entre PT e PSB nos estados isola Ciro e causa protestos nos diretórios

Ciro Gomes


Sob protestos em suas bases regionais, as cúpulas do PT e PSB decidiram, nesta quarta-feira (1ª), sacrificar candidaturas estaduais em nome de um pacto nacional que levará ao isolamento do candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes.

Consumado o acordo, o PSB vai anunciar neutralidade na corrida presidencial, abandonando a costura de aliança com o PDT.

Em troca, o PT vai retirar a candidatura da vereadora Marília Arraes ao governo de Pernambuco em apoio à reeleição do governador Paulo Câmara (PSB). Por 17 votos contra 8, a Executiva Nacional do PT decidiu apoiar o PSB no estado.

O comando petista aprovou a aliança com o PSB de Pernambuco às 16h. No mesmo momento, em um hotel de Belo Horizonte, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, informava ao ex-prefeito e pré-candidato Márcio Lacerda a decisão de desistir da disputa ao Palácio da Liberdade em apoio à reeleição do petista Fernando Pimentel.

"Recebi esta comunicação com indignação, perplexidade, revolta e desprezo", escreveu Lacerda, informando em nota que recusará o convite para que concorra ao Senado na chapa encabeçada por Pimentel. Em declaração posterior à Folha, ele disse que teve apenas uma conversa e que espera receber uma comunicação formal.

Pré-candidata em Pernambuco, Marília afirmou que não vai desistir de sua candidatura. A vereadora disse acreditar que o recurso remetido ao Diretório Nacional para reverter a decisão será acolhido.

"Não tenho o direito de recuar e colocar a esperança do povo de Pernambuco como moeda de troca a preço de banana. A neutralidade é a única coisa que Paulo Câmara e seu grupo político pode oferecer porque não tem força de levar o partido dele para um lado ou para o outro”, disse a jornalistas no Recife.

Dez dirigentes do PT também entraram com recurso pela permanência de Marília. A instância máxima do PT, no entanto, deverá reproduzir a decisão de sua Executiva, que prevê também apoio petista aos candidatos do PSB no Amazonas, Amapá e Paraíba.

O acordo tem o aval da maior corrente petista, a CNB (Construindo um Novo Brasil), cujo líder é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Preso há 116 dias na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, Lula coordenou os principais movimentos da pré-campanha até agora. Pelos seus cálculos, a eleição será novamente polarizada entre direita e esquerda e só há espaço para um nome de cada campo. Ciro seria o adversário direto do PT na competição por votos, principalmente entre os eleitores do Nordeste.

Lula

O petista mandou recados por meio de pessoas que o visitam na prisão.

Deu aval para decisões terminativas da presidente de seu partido, Gleisi Hoffmann (PR), para pelo menos cinco atos que reverberaram contra Ciro: sinalizou com a vice do PT para Manuela D’Ávila (PCdoB) no momento em que o partido era assediado pelo PDT; repreendeu governadores petistas que defendiam aliança com Ciro; assistiu ao PR, de Valdemar Costa Neto, levar o centrão para a órbita de Geraldo Alckmin (PSDB) em vez de de fechar acordo com o PDT e, em seguida, fez pesar sua relação familiar de anos na negativa do empresário Josué Alencar (PR) em ser vice do tucano.

No PSB, a costura foi endossada pela ala de Pernambuco, a mais poderosa do partido, e pela da Paraíba. Caso se declare neutra, a legenda orientará os diretórios estaduais, por meio de uma espécie de cartilha, a apoiarem candidaturas de esquerda que sejam contrárias à reforma trabalhista.

Assim como no PT, a decisão do comando nacional do PSB causou insatisfação em diretórios estaduais da sigla. Um grupo ameaça propor, durante a convenção no domingo (5), que a posição da legenda seja definida em votação votação.

"É lamentável e é um erro do partido. Nós tínhamos iniciado um processo para romper com a polarização, como fizemos com Eduardo Campos em 2014”, reclamou à Folha o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg.

Ele disse que, mesmo com a neutralidade, fará campanha por Ciro Gomes, do PDT, o qual considera um nome preparado para o Planalto.

O diretório do PSB de Belo Horizonte defendeu resistência à decisão nacional do partido. "O PSB e o povo mineiro, como também a candidatura de Márcio Lacerda, não podem ser objeto de espúria moeda de troca, em favor da manutenção de gestões incompetentes e rejeitadas. Impõe-se, portanto, a não-aceitação bem como a resistência que possa restaurar o debate democrático a ética das relações políticas", afirma em nota.

O diretório afirmou que a composição com o PT foge aos interesses do estado e que a candidatura de Lacerda "crescia surpreendentemente e se consolidava como uma terceira via".

O PSB de BH diz ainda esperar que a direção nacional respeite a decisão que virá da convenção estadual, no próximo sábado (4). "Como nos rege a democracia interna, sem ingerências e intervenções estranhos e injustificáveis, em claro desrespeito as tradições históricas e políticas de Minas Gerai", conclui.


OS TERMOS DO ACORDO


* PSB adota neutralidade na eleição presidencial, rompendo tratativas com Ciro Gomes (PDT), adversário do PT no eleitorado de esquerda.

* PT retira candidatura de Marília Arraes em PE, o que facilita campanha de Paulo Câmara; ela resiste em aceitar a proposta

* PSB retira candidatura de Márcio Lacerda em MG. Isso ajuda, por sua vez, a campanha do petista Fernando Pimentel (PT); Lacerda também diz que não vai desistir

Cátia Seabra, Gustavo Uribe, Marina Dias, João Valadares e Carolina Linhares

PT anuncia acordo de não agressão com PSB para sufocar candidatura Ciro Gomes

Marília Arraes, Lula e Humberto Costa. Foto: RICARDO STUCKERT


Em uma negociação de última hora, a cúpula do PT comemora ter conseguido sufocar a candidatura presidencial de Ciro Gomes (PDT) ao convencer o PSB a declarar neutralidade na disputa nacional ao invés de apoiar o nome do pedetista ao Palácio do Planalto. A movimentação reforça o lugar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo preso e virtualmente impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa, como principal nome da esquerda na disputa. Ciro e sua equipe contavam com a aliança com o PSB para ampliar o seu tempo de propaganda de rádio e TV, o número de parlamentares que fariam campanha para ele, assim como o recurso partidário que poderia ser investido em sua campanha - os 47 segundos de tempo que o PSB tem no horário eleitoral e os 118 milhões de reais do fundo eleitoral do partido não serão recebidos por nenhum presidenciável. Sem essa estrutura, a tendência é que o PDT lance chapa pura, na qual teria aproximadamente 30 segundos de tempo de exposição e 61,4 milhões de reais de fundo eleitoral – valor esse a ser dividido com concorrentes a todos os cargos, não apenas para presidente e vice.


"O PT está ensaiando uma valsa à beira do abismo", reagiu Ciro Gomes em entrevista na noite de quarta-feira ao canal GloboNews, se referindo ao provável veto legal à candidatura do petista. "Essa burocracia do PT não está pensando no Brasil", afirmou o candidato do PDT, que disse que não jogou a toalha na luta pelo apoio do PSB.

O isolamento do pedetista foi negociado pelos presidentes do PT, Gleisi Hoffmann, e do PSB, Carlos Siqueira, juntamente com governador de Minas Gerais e candidato à reeleição, Fernando Pimentel. Em troca da declaração de neutralidade, o PSB recebeu o apoio dos petistas nas candidaturas para governadores de quatro Estados: Pernambuco, Paraíba, Amazonas e Amapá. Por outro lado, os socialistas se comprometeram a retirar a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, para o Governo mineiro, e declarar apoio a Pimentel. Também estão nas mesmas coligações na Bahia, Acre, Ceará e Maranhão (esta encabeçada pelo PCdoB).

A executiva do PT emitiu um documento reforçando que a legenda insistirá na candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência. Formalmente também convidou o PROS a compor parte de seu arco de alianças nacionais. Esse partido era um com os quais Ciro também negociava a formação de uma coligação. Antes de perder o apoio do PSB, o pedetista já havia sofrida outra derrota quando o centrão decidiu apoiar Geraldo Alckmin (PSDB) ao invés de apoiá-lo. Embora o PSB ainda não tenha formalizado o acordo, porque ainda precisa fazer sua convenção no próximo domingo, ele é já dado como certo.


O caso de Pernambuco


No caso de Pernambuco, o PT abre mão de uma das suas candidaturas estaduais mais fortes. Marília Arraes, neta de Miguel Arraes, era o nome do partido e aparecia em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto locais, atrás do atual governador Paulo Câmara (PSB). A vereadora além de carregar o sobrenome de uma grande liderança, ainda defendia fortemente Lula no Estado mais lulista do país (21% votariam no ex-presidente em resposta espontânea, segundo o último Datafolha. O maior percentual do Brasil). Ciente do perigo que Marília poderia representar para sua candidatura à reeleição, Câmara defendia ferrenhamente a aliança nacional com o PT, o que tiraria a neta de Arraes do campo.

Marília fez um vídeo que circulou pelas redes sociais negando a suspensão de sua candidatura e afirmando que o que estava sendo dito era "mais um grande ataque especulativo". "Nós estamos firmes. Não vamos deixar que a esperança do povo de Pernambuco seja usada como moeda de troca". Horas depois, convocou uma coletiva de imprensa para dizer que vai recorrer em todas as instâncias partidárias contra a decisão tomada pela direção nacional do partido e disse se recusar abrir mão de sua candidatura por um "não apoio" do PSB no cenário nacional. Fora da disputa do Governo, existe a possibilidade de ela ser candidata a deputada federal, como desejava em 2013. Se isso ocorrer, novamente no meio do caminho estará a família: a candidatura na qual o PSB mais deve investir para conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados é a de João Campos, filho de Eduardo Campos. João já tem percorrido o Estado e realizado diversas atividades políticas. Nos bastidores, fala-se que seu objetivo não é ganhar, mas ser o deputado mais votado do Estado.


Manuela D'Ávil


Em outra frente, há a expectativa de que até o sábado, quando o PT realiza sua convenção, seja anunciada uma aliança oficial com o PCdoB, que lançou o nome de Manuela D’ávila à presidência. No ato que a formalizou como candidata, Manuela insistiu que a prioridade dela e de seu partido sempre foi o de unir as legendas de esquerda, nem que para isso ela tivesse de retirar seu nome da disputa. “Nunca fomos e nunca seremos óbice às articulações em nosso campo político”, afirmou. O nome dela é apontado como um possível vice de Lula. Um dos entusiastas dessa aliança é Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, que é o principal expoente de seu partido. "Até o último minuto quero lutar por essa unidade da esquerda", disse ao EL PAÍS.

Pelas regras, as candidaturas e o arco de alianças têm de ser registrados no Tribunal Superior Eleitoral até o próximo dia 15. Mas essas decisões só são válidas se elas tiverem sido formalizadas pelos partidos até o dia 5 de agosto. Futuras trocas de nomes de candidatos podem ocorrer até meados de setembro, desde que haja esse entendimento prévio sobre as alianças. Por exemplo, se Lula for impedido de concorrer ao pleito por causa de sua condenação na Lava Jato, ele pode ser substituído por outra pessoa, desde que seja de seu partido ou de alguns dos que estiverem em sua coligação.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

A prioridade do PT é a Aliança com Paulo Câmara, diz Gleisi Hoffmann


O Blog do Cisneiros participou de entrevista coletiva do Governador de Pernambuco, Paulo Câmara, ao lado da presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, a senadora paranaense, Gleisi Hoffmann.

Veja, no vídeo acima, a entrevista em sua integra, onde Gleisi Hoffmann afirma que a prioridade do PT e do Presidente Lula é aliança com PSB do Governador Paulo Câmara. Já dizendo inclusive ter passado a posição do partido à vereadora do Recife, Marília Arraes.

O único ponto falta a ser resolvido internamente pelo PSB, é a definição do partido por uma aliança nacional. Condição que o PT exige para bater o martelo em torno desta caminhada ao lado do PSB, rifando assim de vez o nome de Marília Arraes, que hoje luta para ser a candidata do partido dos trabalhadores ao governo do estado de Pernambuco.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Sem dinheiro e cheio de dívidas, como o PT irá bancar suas campanhas em 2018?

Lula e a vereador do Recife, Marília Arraes

A situação para o Partido dos Trabalhadores – PT não está nada fácil.

Já não bastasse os problemas que o partido enfrenta com a operação Lava Jato, ainda vem passando por graves problemas financeiros.

Segundo reportagem de Rogério Gentile na edição impressa desta segunda-feira (26) do jornal Folha de São Paulo, só na justiça paulista circulam ações que cobram do partido a bagatela de 46 milhões de reais em dívidas com empresas de marketing político, gráficas, produtoras, fornecedores de material promocional, um escritório de advocacia e até uma prestadora de serviços contábeis.

A maior parte das dívidas são referentes as eleições que o partido disputou nos anos de 2014 e 2016.

Derrotado na campanha de reeleição em 2016 e cotado como alternativa do PT ao Planalto neste ano, Fernando Haddad publicou um vídeo na internet pedindo doações para quitar dívidas que totalizavam R$ 8,58 milhões.

“A eleição acabou, mas a campanha não”, afirmou. “Temos ainda alguns profissionais que precisam receber, conto com sua colaboração para virar essa página.”

O diretório municipal em São Paulo diz em nota que a projeção de pagamento dos credores é de 45 meses. “Claro que o partido depende de fatores externos para cumprir essa previsão.”

O diretório estadual justificou as dívidas à justiça paulista dizendo que tais problemas se acumularam devido a mudança do entendimento legal que em 2015 passou a proibir o financiamento empresarial das campanhas. “Esses recursos representavam, objetivamente, grande parte do financiamento das campanhas eleitorais”, disse o partido, em um dos processos.

O PT paulistano vem tentando pagar suas dívidas promovendo jantares de arrecadação de recursos e venda de camisetas e bótons.

Com isso, não podemos deixar de perguntar: Se o a situação do PT de São Paulo é essa, como está a situação do partido aqui em Pernambuco?

Será feita alguma mágica para concretização do sonho dos simpatizantes da vereadora do Recife, Marília Arraes, de vê-la candidata ao governo de Pernambuco nestas eleições de 2018.

Como se faz campanha em Pernambuco, no Brasil e no mundo sem dinheiro? Alguém sabe dizer?

Muitos dizem: mas é Lula que quer. Duvido muito.

Ao nosso ver, é clara a estratégia do ex-presidente de deixar Marília correr atrás da sua candidatura na intenção do partido ficar mais caro para Paulo Câmara (PSB), governador de Pernambuco.

Afinal, Paulo precisa do tempo de TV do PT e o PT, diga-se, Lula, Humberto, João Paulo e os demais possíveis candidatos pelo partido, precisam da estrutura que Paulo oferece com governo estadual na mão. Simples assim.

Aqueles que ainda nutrem sonhos utópicos na política, perdem cada vez mais e mais espaço para o pragmatismo politico.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Apoio a Ciro Gomes na eleição para a Presidência ganha espaço no PT


O Globo

A possibilidade de apoio a um candidato de outro partido, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja impedido de concorrer ao Palácio do Planalto, começa a ganhar espaço no PT. O caminho nesse caso seria o partido optar por uma aliança com Ciro Gomes, pré-candidato do PDT.

O governador da Bahia, Rui Costa, tornou público, em entrevista publicada nesta quarta-feira pelo portal UOL, um tema que já vinha sendo tratado nos bastidores. “Não podemos ficar nessa marra de que, se não há um nome natural do PT e se o Lula não puder ser (candidato), por que não pode ser de outro partido? Acho que pode e acho que essa discussão, se ocorrer, no momento exato, nós vamos fazer esse debate”, disse Costa na entrevista.

Na noite desta quarta-feira, Costa receberá Lula para um jantar no Palácio de Ondina, residência oficial do governo da Bahia. O ex-ministro Jaques Wagner, que é secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, também deve participar do encontro.

Reservadamente, outras lideranças petistas defendem que o apoio a um nome de outro partido deve ser considerado como alternativa. Argumentam que o mais importante na eleição deste ano é impedir o triunfo de um adversário do outro campo político.

Ciro, inclusive, já foi orientado que, se quiser ter chance de se aliar com o PT, precisa moderar as críticas ao partido e a Lula. Nos últimos dias, o pedetista tem amenizado a sua fala com relação aos petistas.

Com receio de que a discussão sobre uma alternativa a Lula enfraqueça a posição do ex-presidente, que hoje lidera as pesquisas, dirigentes do partido rechaçaram imediatamente a declaração do governador da Bahia.

— Nós vamos registrar o Lula no dia 15 de agosto. Se eles forem tentar impedir o Lula, vai ser um processo extremamente traumático. Por isso, erra o governador (Rui Costa) ao naturalizar, ao dar como certo isso. Nós não temos plano B — disse o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ).

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, disse que admitir um outro caminho para o PT que não seja a candidatura de Lula é fazer o jogo do adversário. “Vamos com Lula até o fim porque ele é inocente e tem o direito de ser candidato. E o povo tem o direito de votar em Lula. O que nossos adversários querem é outro candidato para afastar Lula da eleição e convalidar a tese de que ele é culpado e inelegível. Não vamos cair nessa armadilha”, escreveu Gleisi, no Twitter.

Além de se aliar a um candidato de outro partido, o PT também discute indicar um nome da legenda para substituir Lula na cabeça da chapa presidencial. Nesse caso, os mais cotados são Jaques Wagner e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Raul Henry vê aproximação entre PT e PSB como 'natural'

Raul Henry – Foto: Arthur Mota/Folha de Pernambuco
Blog da FolhaPE

Presidente estadual do MDB e vice-governador de Pernambuco, Raul Henry comentou, nesta quinta-feira (15), a possível aliança entre PT e PSB nas eleições de 2018. Segundo o emedebista, que participou da liberação de convênio entre o Ministério da Educação (MEC) e a Universidade de Pernambuco (UPE) para uma série de melhorias da instituição, as duas legendas têm uma afinidade histórica e a aproximação entre elas na disputa é algo "natural".

O vice-governador também disse acreditar que a eleição de 2018 será "muito fragmentada", com diversos palanques. Para ele, no entanto, Pernambuco geralmente tem dois grandes palanques montados.

A fala de Raul Henry acontece dias depois de o deputado federal Jarbas Vasconcelos (MDB) fazer um aceno ao ex-prefeito do Recife João Paulo (PT). Questionado pela colunista Renata Bezerra de Melo se João Paulo seria um nome para estar na chapa majoritária encabeçada por Paulo Câmara, o ex-governador afirmou que "ele reúne todas as condições eleitorais e políticas". No dia seguinte, João Paulo considerou que "foi um gesto importante" do parlamentar e enumerou as parcerias com Jarbas.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Humberto: Aliança de Armando com a oposição é 'equívoco'

Humberto Costa durante entrevista – Foto: Arthur Mota / Folha de Pernambuco
Blog da FolhaPE

Após o ex-presidente Lula defender o diálogo com o PSB e o senador Armando Monteiro (PTB), antes de o PT decidir bancar uma candidatura própria ao governo do estado, neste ano, o senador Humberto Costa (PT) afirmou que o partido não deve estabelecer “veto de conversar com quem quer que seja”. Porém, colocou que o petebista “está cometendo um grande equívoco ao se aliar a esses segmentos da direita” em Pernambuco.

De acordo com o ex-presidente, a legenda deve dialogar com outras forças políticas, mas sem descartar a possibilidade de marchar sozinha. Na visão de Humberto, a colocação foi feita de forma “genérica”. “Nunca estabelecemos qualquer veto de conversar com quem quer que seja. Eu já conversei várias vezes com Armando. Lula já o recebeu mais de uma vez para conversar sobre Pernambuco. O presidente colocou de uma maneira muito genérica”, disse.

Mas, para o senador, o caminho trilhado por Armando, que se aproximou do bloco oposicionista integrado por figuras como o ministro da Educação Mendonça Filho (DEM), o deputado federal Bruno Araújo (PSDB), o ministro das Minas e Energia, Fernando Filho (MDB) e o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), é um “equívoco”. “Pessoalmente acho que Armando esta cometendo um grande equívoco ao se aliar a sesses segmentos da direita de 500 anos aqui em Pernambuco e que é tão retrograda que não aceitavam sequer Miguel Arraes. Além de o partido estar dando suporte ao governo de Temer”, frisou.

Por isso, Humberto acredita que a conversa com o petebista não deve avançar. “Mas de minha parte estou sempre aberto. Tenho por Armando muito respeito e admiração”, relativizou.


Aproximação com o PSB


Ao falar sobre as chances de o PT caminhar junto com o PSB, o senador pontuou que, hoje, “eles hoje são como nós, de oposição a Temer e estão contra as reformas. Mas por outro lado, temos um contencioso de algum tempo, que foram as eleições de 2012, de 2014 e 2016. Além da posição do PSB no processo de impeachment de Dilma. Temos que superar essas coisas para poder imaginar a possibilidade de uma aliança. Hoje o que prevalece é uma posição de termos um candidato. No cronograma do partido agora em março abril vamos decidir se teremos ou não aliança com alguma força politica de Pernambuco. E depois, se passar essa proposta, vamos discutir as condições”, disse.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Discursos do PSB e do PT, em PE, vão se encontrando

O prefeito do Recife, Geraldo Júlio
Renata Bezerra de Melo

Se entre petistas as sinalizações já vinham sendo mais visíveis, lideranças do PSB também começam a verbalizar em público um discurso similar ao que integrantes do PT, ao tomar a dianteira, já vinham entoando. Ontem, foi o prefeito do Recife, Geraldo Julio, que realçou a forma como a conjuntura nacional passou a redesenhar o cenário local, o que poderia vir a justificar uma reaproximação entre PT e PSB no Estado. "O PSB não é a turma do (Michel) Temer, assim como o PT", comparou o gestor da Capital, fazendo referência ao palanque de oposição no Estado, que reúne ministros do Governo Federal e aliados do presidente da República.

Na semana passada, à coluna, o senador Humberto Costa chegou a tachar de "meia boca" o discurso de "pessoas que querem ser candidatas do PT" e, de alguma forma, acenou ao PSB. "Se houver candidatura própria, a candidatura não pode ser o que está acontecendo agora, que só se bate no PSB. Os verdadeiros adversários nossos são os que fazem o palanque de Temer, onde está aquele pessoal todo da direita histórica, que nunca aceitou nem (Miguel) Arraes", cravou o senador. Se, na política, os gestos têm muito peso, entre socialistas e petistas eles parecem crescentes. Geraldo, em entrevista à Rádio Jornal ontem, deu ainda outra senha: "Quem é contra esse tipo de governo que Temer vem fazendo pode se juntar aqui, a favor do tipo de governo que Paulo Câmara vem fazendo".

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Aliança entre PT e PSB ainda é cogitada

Paulo Câmara e Ciro almoçaram juntos no Palácio do Campo das Princesas / Foto: Daniel Leite/Blog da Folha
Blog da FolhaPE

Apesar do revés que o ex-presidente Lula (PT) sofreu na Justiça, comprometendo a sua candidatura à Presidência e pondo em risco o peso do Partido dos Trabalhadores na disputa nacional, o PSB ainda considera estratégica a aliança com os petistas para a eleição desse ano, tendo Pernambuco como palco principal dessa união.

No último sábado, durante o Baile Municipal do Recife, essa articulação foi aventada nas conversas da cúpula socialista e dos integrantes da Frente Popular. Nos bastidores, fala-se que a maioria do PSB é favorável a essa união, que deve beneficiar as duas legendas.

O cálculo da aliança envolve questões regionais e nacionais. O PT está interessado em dar palanques competitivos a Lula, em estados como Pernambuco, além do suporte para a ampliação da bancada federal, que se vê ameaçada, uma vez que a sigla não dispõe mais da máquina poderosa do Palácio do Planalto.

Por outro lado, o PSB espera ter Lula como cabo eleitoral para turbinar a reeleição de Paulo Câmara, caso o ex-presidente supere os obstáculos jurídicos, e também conta com o tempo de rádio e televisão que o PT, com 57 deputados federais, dispõe enquanto segunda maior bancada na Câmara dos Deputados.

Se havia qualquer possibilidade de resistência na Frente Popular, o maior opositor dos governos do PT no Congresso, o deputado Jarbas Vasconcelos (MDB) já mencionou que não fará óbice à aliança com os petistas.

Gestos dos dois lados não faltam para concretizar essa aliança. O camarote do prefeito Geraldo Julio (PSB), que reuniu, em sua maioria, pessoas do núcleo do PSB, contou com as presenças do ex-coordenador do Mais Médicos no governo Dilma, Mozart Sales (PT), e do ex-vereador do Recife Henrique Leite (PT).

Houve sinalizações, inclusive, de que o próprio governador Paulo Câmara estaria pessoalmente empenhado em concretizar essa afinidade. Por outro lado, o senador Humberto Costa (PT) vem amenizando as críticas ao Governo do Estado, direcionando sua atenção aos “aliados do governo Temer”.

No âmbito da Câmara de Vereadores do Recife, o tom do PT está mais tênue nessa legislatura, restando apenas à Marília Arraes (PT) a tarefa de bater no PSB – algo que ela realiza muito mais por questões individuais do que partidárias.

Para o deputado estadual Isaltino Nascimento (PSB), que é líder do governo e já foi do PT, qualquer definição depende do resultado do processo de Lula.

“Eu, particularmente, sou favorável a alianças que ajudem os candidatos a governador do PSB. A grande maioria tem uma visão favorável (à aliança com o PT), agora não pode ser uma decisão por pontos, tem que ser algo coletivo. Nós não temos nenhuma posição do partido. Só teremos essa posição no congresso do partido, em março”, assegura, dando uma justificativa parecida com a dos petistas.

“A minha posição é de fazer o que for melhor para a candidatura do presidente Lula. Isso passa pelo crivo do nacional”, diz João Paulo, ex-prefeito do Recife (PT). É como se nenhum dos dois lados quisesse dar o braço a torcer antes da justiça bater o martelo sobre o ex-presidente.

Segundo informações de bastidores, o grande entrave, em Pernambuco, é o projeto de candidatura ao governo do Estado de Marília Arraes – que pode se transformar num projeto para deputada federal ou estadual.

No próprio PT, em reserva, petistas afirmam que Marília não tem sintonia com a cúpula partidária em Pernambuco. Ela poderia ameaçar a posição de Humberto, se saísse candidata a federal, ou a posição de Teresa Leitão (PT), se concorrer a estadual.

Aliados de Paulo Câmara, da mesma maneira, ironizam a tentativa da vereadora de disputar o governo tendo o apoio de apenas uma prefeitura, a de Serra Talhada. “Paulo tem a máquina do Estado, tem o Recife, tem Olinda, tem Paulista. Ela só tem Serra Talhada, não vai dar conta da estrutura que o governador tem para concorrer”, afirma um socialista, em reserva.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

‘O PT deveria compreender que já cumpriu o seu papel’, diz presidente nacional do PSB

O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, durante entrevista - Givaldo Barbosa / Agência O Globo

(O Globo)

Sem pré-candidato definido para a Presidência da República, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, avalia que chegou a hora de o partido de Lula apoiar um dos antigos aliados históricos. Em entrevista ao GLOBO, Siqueira disse ainda que é muito difícil unidade entre as legendas de esquerda no primeiro turno e tratou como inevitável a candidatura própria ao governo de São Paulo, com ou sem o apoio do PSDB.

Nessa pré-campanha, o PSB já sabe se vai apoiar alguém ou ter candidato próprio a presidente?

Em um primeiro momento, nós estamos consolidando um quadro interno, com nove candidaturas de governadores, que podem chegar a dez, e todas competitivas. As candidaturas seriam em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Distrito Federal, Tocantins, Sergipe, Pernambuco, Paraíba e Amazonas. Com esse cacife nós podemos ter uma candidatura própria, mas temos que avaliar isso com os próprios candidatos. Será que ela vai ser útil e contribuir para este quadro? Se for, ótimo! Se não, o que vamos fazer? Nesse sentido nós estamos sendo procurados desde o final do ano passado. Primeiro pelo governador Alckmin, depois foi pelo Ciro, depois a Marina, o Álvaro Dias e também a Manuela D'Ávila. Se nós não tivermos candidato, temos que fazer uma escolha entre esses.

Quais seriam os nomes mais cotados para o caso de uma candidatura própria? O ex-ministro Joaquim Barbosa tem adiado sua resposta...

Tem o Beto Albuquerque, tem o Aldo Rebelo e tem uma conversa paralela com o ministro Joaquim Barbosa. Em relação à Rede, de Marina, nós achamos incompreensível que eles desejem o nosso apoio, mas tenham rompido recentemente com o governo do Distrito Federal e com o governo de Pernambuco. Parece que é um sinal contrário querer o apoio para a candidatura à presidência e ao mesmo tempo romper com dois dos três governos estaduais do partido.

O que muda no campo dos partidos de esquerda com a condenação do ex-presidente Lula?

A esquerda é diversificada e numa eleição de dois turnos, os partidos vão buscar seus projetos próprios ou se agregando a outros. Não creio na unidade da esquerda no primeiro turno. Se tivesse que haver unidade, o PT deveria compreender que já cumpriu seu papel e tem que apoiar outros candidatos de esquerda, não necessariamente ter que ser apoiado por eles. Essa é uma questão democrática dentro da própria esquerda e o PT tem uma visão exclusivista, pensa sempre em torno dele próprio e não em torno de seus parceiros. O reflexo maior disso foi que, quando chegou o seu governo, em vez de colocar como seus aliados estratégicos os partidos que lhe apoiaram desde 1989, escolheu o PMDB.

Como analisa o peso do apoio do presidente Michel Temer a um candidato de centro?

O candidato do governo atual carregará um peso muito grande, que é a impopularidade do presidente e das medidas que ele está adotando. Esse é governo mais impopular da história da República.

Acha que a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro chega no segundo turno?

Não sei o que vai acontecer, mas desejo que ele entre num plano declinante. Não existe coisa pior para o Brasil desse quadro todo do que o Bolsonaro. É algo surpreendente negativamente ter ele entre os que mais estão tendo a preferência do eleitorado hoje. À medida em que o debate avança, a tendência dele é esvaziar. Seria desastrosa ter alguém como ele na Presidência da República.

Se o PSDB retirar candidatura em São Paulo e apoiar o Márcio França, isso seria um peso para o apoio da candidatura de Alckmin à Presidência da República?

Assim como a Rede rompeu com nossos governadores e nós vamos colocar isso na mesa para discussão, se ocorrer isso em São Paulo, nós vamos colocar na mesa em algum momento da discussão. Quer dizer, cada um dá o aceno que deseja, para contribuir ou não com o apoio que pretende.

Márcio França pode retirar sua candidatura ao governo do estado São Paulo?

A hipótese da retirada da candidatura de Márcio França ao governo do estado de São Paulo é absolutamente zero. A direção nacional tem essa candidatura como prioridade. Porque nós sempre entendemos que para o partido ter um projeto nacional ele precisa ter uma presença mais significativa no sudeste do país. E São Paulo, sendo o principal colégio eleitoral, torna-se vital essa candidatura.

O senhor acha possível que o PSDB entregue São Paulo ao PSB, em troca de apoio a candidatura de Alckmin ao Planalto?

Claro, nós temos nossas diferenças com o PSDB, mas achamos que seria muito importante se os tucanos de São Paulo fizessem esse gesto, depois de governar por mais de 20 anos. Ninguém se eterniza no poder. É da natureza da democracia a rotatividade. Penso que é a hora do PSB ter uma experiência em um importante estado da nossa federação.

Se não acontecer, quem perde mais? PSDB ou PSB?

Eu tenho a impressão que o PSDB pode perder mais que o PSB nesse caso. Porque o Márcio será candidato, já está dado. É muito importante que ele tenha o apoio do PSDB, mas ele será candidato com ou sem esse apoio. Ele já está formando sua aliança, já tem mais de três ou quatro partidos comprometidos com a candidatura dele. Desde Mário Covas que o PSB apoia o PSDB em São Paulo. Está na hora de ter uma rotatividade, de ter uma contrapartida, um reconhecimento. Não há nenhuma razão para que não se apoie. É importante que, ao invés de correr o risco de perder uma eleição, que se apoie um aliado.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

PT-PE reage às declarações de Armando Monteiro

Pres. do PT-PE Bruno Ribeiro (Foto: Arthur Mota / Folha de Pernambuco)

Após o senador Armando Monteiro (PTB) se dispor a encabeçar o projeto oposicionista no estado e criticar a recente aproximação entre PT e PSB, o presidente do PT-PE, Bruno Ribeiro, criticou a postura do petebista. Na sua visão, “quem quiser estar com Lula e o PT conversa com Lula e o PT”. “Não precisa mandar recados pela imprensa”, afirmou o petista, em entrevista à Rádio Folha, nesta segunda-feira (27).

No evento realizado neste domingo, com a presença de mais de 200 lideranças do estado, Armando Monteiro afirmou que a possível aliança entre PT e PSB causa estranhamento. Ele conta com a continuidade do PT no campo da oposição para reduzir o tempo de televisão da Frente Popular, que já perdeu minutos com a saída do DEM e do PSDB.

“O que não entendemos é que o PT, por qualquer injunção, se alinhe com aqueles que destituíram o governo legítimo da presidente Dilma”, afirmou o petebista, para acrescentar que espera que a sigla continue no bloco de oposição. PT e PTB estiveram unidos nas eleições de 2014 e 2016.

Em resposta, o presidente do PT-PE disse que Armando criticou “o que não existe”. “Vi o posicionamento dele pelos jornais E acho que a gente não precisa estar se mandando recado pelo jornal. Não é o nosso estilo”, colocou o petista.

Para Bruno Ribeiro, o “PT tem posições muito claras em Pernambuco e no Brasil”. “Não há hipótese de estarmos juntos, nem no primeiro nem no segundo turno, com os que representam os interesses mais conservadores da sociedade pernambucana, como Mendonça Filho (DEM), Bruno Araújo (PSDB) ou Fernando Bezerra Coelho (PDMB)”, destacou.

Por fim, o petista garantiu que seu partido “não vai considerar opiniões sobre o PT ou recados dados ao partido pelos jornais". "Quem quiser conversar com o PT e se entender com a gente, procure o partido”, opinou.

“Não é só uma questão de se juntar com A ou B para ganhar uma eleição. É para defender conteúdo, programa e posições. O PT tem uma pauta muito clara e quem quer se somar a ele, discute com o PT. A gente não precisa estar dizendo o que o outro vai fazer pelos jornais ou pelos blogs ou por discurso”, finalizou. (Blog da Folha)

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Não há saída fácil para o PT pernambucano

A vereadora do Recife, Marília Arraes, o ex-presidente Lula e o senador Humberto Costa

O PT de Pernambuco está numa situação difícil para as eleições do próximo ano. Tem três alternativas pela frente, mas nenhuma delas atende às expectativas do partido no sentido de, a um só tempo, manter-se no campo da esquerda, diferenciar-se das forças políticas que apoiaram o impeachment de Dilma e garantir a eleição de pelo menos dois deputados federais. A primeira alternativa é o retorno à Frente Popular, que seria o desejo do ex-presidente Lula, com o senador Humberto Costa disputando a reeleição na chapa de Paulo Câmara. Ocorre que o PSB do governador votou pelo impedimento da ex-presidente. A segunda seria repetir a aliança com o PTB e apoiar o senador Armando Monteiro à sucessão estadual. Só que o PSDB e o DEM poderão estar nesse palanque e isto não convém aos petistas. Resta a alternativa da candidatura própria através da vereadora Marília Arraes, que se dispõe a encabeçar a chapa. No entanto, como esta última hipótese é a mais arriscada para o partido, que correria o risco de ficar no isolamento e não eleger ninguém à Câmara Federal, é a que menos agrada ao ex-presidente Lula. (Inaldo Sampaio)

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

E se Lula se encontrar com Renata Campos, em visita ao Recife?

Foto: Roberto Pereira/PSB

Para observadores da cena política local, não seria uma surpresa se, em sua visita ao Estado de Pernambuco, no final do mês, o ex-presidente Lula fosse encontrar-se com a ex-primeira dama do Eestado Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos e uma das pessoas mais influentes no PSB, embora mantendo sempre muita discrição e agindo apenas nos bastidores.

Na semana passada, com muito alarde, o governador Paulo Câmara do PSB se encontrou com o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, tido como o plano B de Lula e do PT, onde foi recebido em almoço no Palácio do Campo das Princesas. Na Rádio Jornal, questionado pelo Blog de Jamildo, Haddad disse que iria discutir com Paulo projetos para o futuro do Brasil. Não negou uma aliança, nem admitiu, fazendo questão de lembrar os bons momentos em que Lula chamava Eduardo Campos de ‘achado de Deus’.

Por sua vez, Paulo Câmara, no meio das polêmicas reformas, já liberou dois de seus escudeiros na bancada federal, os deputados Tadeu Alencar e Danilo Cabral, para votar contra as reformas do governo Temer, se alinhando ao PT na câmara do deputados.

O gesto do ex-presidente no Recife, com Renata Campos, teria o objetivo simbólico de marcar uma reaproximação entre os aliados históricos, cuja parceria foi rompida no governo Dilma, quando Eduardo Campos tentou voo solo e eleger-se presidente da República no pós-Lula. O curioso é que, nesta época, Eduardo Campos e socialistas diziam que PT e PSB já tinham dado o que tinham de dar. Além de todos nós termos vistos socialistas da mais baixa a mais alta cúpula do PSB chegando a acusar o PT pela morte de Eduardo. Séria engraçada se não fosse trágica está forma de se fazer politica.

De acordo com as análises que são feitas nos bastidores, PT e PSB estudam neste momento o melhor cenário para as alianças de 2018.

No caso dos socialistas, a reaproximação com o PT seria importante porque Lula é muito forte eleitoralmente em Pernambuco, em função das obras que fez ao lado de Eduardo Campos, nos dois governos do PSB com o socialista vivo. Diante da suposta ‘fragilidade’ de Paulo Câmara, eleitoralmente, seria importante para o socialista estar no palanque do petista. Dai dizer-se que uma das correntes estaria fortemente defendendo a volta ao passado.

Da mesma forma, esse reencontro com o PT estaria sendo alimentado pela dúvida que assola o PSB. Em crise interna, o PSB não sabe se ruma com os tucanos paulistas (Geraldo Alckmin) ou não. O partido está dividido em relação ao tema e esta situação deve ensejar a saída de alguns dissidentes, como o grupo de FBC, para partidos como Democratas ou PMDB.

No caso da disputa, os petistas avaliam justamente que a ala do PSB local vai ganhar a quebra de braço contra o cacique Márcio França, do PSB de São Paulo, vice de Geraldo Alckmin, em São Paulo, mantendo na presidência do PSB o tarefeiro Carlos Siqueira, mais próximo ao grupo de Geraldo Júlio e Paulo Câmara. Assim, definida a disputa do PSB e o grupo dos dissidentes saindo, caberia ao PT e satélites apresentá-los como dissidentes à direita, em uma situação em que o PT poderia relançar pontes para os socialistas históricos, de olho em uma aliança estratégica para 2018.

Aos poucos, de fato, os palanques vão se formando. Pelo lado dos dissidentes do PSB, o grupo de FBC já fala abertamente nas eleições de 2018, com um projeto próprio. Nesta quarta-feira, foi mais um dia de campanha pelo sertão. Fernando Filho já anuncia apoio para eleições em 2018 pelo interior.

Marília Arraes, Lula e Humberto Costa / Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Onde fica a candidatura de Marília Arraes, ao governo do Estado?

Oficialmente, o PT disse que não tem candidato e vai escolher até o final do ano. Neste caso, Marília Arraes seria uma espécie de ‘bode na sala’, usada por Humberto Costa contra a ala do PSB de Renata Campos, a mesma do governador do Estado e o prefeito do Recife.

“Humberto Costa e João Paulo trabalham para levar o PSB de Paulo Câmara a votar em Lula”, conta uma fonte do blog.

A conferir.

(Com informações do Blog do Jamildo)