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sábado, 18 de fevereiro de 2012

Município de Calçado adota o Programa Bicicleta Escolar


Em 2011, o governo federal divulgou uma nova ação em relação ao programa Caminho da Escola: a doação, pelo FNDE, de bicicletas para municípios com até cinco mil alunos matriculados na rede pública de educação básica.  No ano passado, foram mais de 300 municípios no país beneficiados com a doação de 100 mil bicicletas.

O município de Calçado, no agreste de Pernambuco, foi um dos que aderiram ao programa do Governo Federal. Esta semana, o município recebeu 483 bicicletas que serão doadas a alunos que precisam  percorrer longas distâncias para chegar à escola ou ao ponto onde passa o ônibus escolar. Junto com as bicicletas, o FNDE doa capacetes, para reforçar a segurança dos estudantes.

De acordo com a secretária de educação de Calçado, Ilka Rejane, a bicicleta pode diminuir o esforço diário desses alunos, possibilitando ainda a prática de uma atividade física saudável. A secretaria ainda está montando o esquema de entrega das bicicletas, que ainda não tem data definida.

Programa Caminho da Escola - Criado em 2007, o programa Caminho da Escola foi ampliado em 2010 para dar aos estudantes uma nova alternativa de acesso às escolas públicas: a bicicleta escolar. Esta ação foi concebida após estudos realizados pelo FNDE mostrarem que muitas crianças percorrem a pé, diariamente, de três a 15 quilômetros para chegar à escola ou ao ponto onde passa o ônibus escolar.

Concebida pelo FNDE e testada em laboratório credenciado pelo Inmetro, a bicicleta tem quadro reforçado, selim anatômico, paralamas, bagageiro traseiro e descanso lateral, além de itens de segurança, como espelho retrovisor, campainha e refletores dianteiro, traseiro, nas rodas e pedais. Ainda vem com uma bomba manual para encher pneu e ferramentas de montagem e regulagem.

Capacetes - São dois tipos de capacetes, para crianças maiores e menores. Ambos são fabricados com poliestireno expandido (EPS) de alta densidade, próprio para absorver impactos, e o casco externo é revestido em policloreto de vinila (PVC), material que funciona como deslizante. Ainda possui, na parte interna, espumas removíveis, com tecido lavável, tratamento antialérgico e que proporciona alta absorção de suor.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Educação reúne professores para Abertura do Ano Letivo 2012

 Içami Tiba / Foto: Divulgação
A Prefeitura de Garanhuns, através da secretaria de Educação, já está nos últimos preparativos para a abertura do ano letivo. A solenidade acontece nesta sexta-feira, dia 3 de fevereiro, e será realizada a partir das 8 horas, no salão de eventos da AGA.

O encontro reunirá cerca de 800 docentes que desempenham suas atividades na Rede Municipal de Ensino, tanto no espaço urbano e rural, quanto nos distritos de Miracica, Iratama e São Pedro. Na ocasião, Marcelo Moura, secretário de Educação dará as boas vindas aos mestres, que na oportunidade irão assistir a uma palestra proferida pela psiquiatra e educador, Içami Tiba, autor de diversos livros sobre educação familiar e escolar, a exemplo dos títulos: “Quem Ama, Educa” e Pais e Educadores de Alta Performance”. As aulas da Rede Municipal de Ensino terão inicio no dia 13 de fevereiro, quando os educandos serão recepcionados de forma calorosa e com atividades diversificadas.

CAPACITAÇÃO - Nos dias 1º e 2 de fevereiro, os professores do Município participaram de uma capacitação, visando o aperfeiçoamento e enriquecimento pedagógico. As atividades aconteceram na própria Escola em que os docentes lecionam, promovido por sua equipe gestora e coordenação escolar. As atividades terão continuidade a partir da próxima segunda-feira, dia 6, e seguem até a sexta-feira, dia 10 de fevereiro. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Estudantes protestam contra reajuste no salário dos vereadores na volta do recesso


Do Blog de Jamildo

Dando continuidade a onda de levantes contra o reajuste de 62% no salário dos vereadores do Recife a partir do próximo mandato, estudantes promoverão "ato de ocupação da Câmara" na manhã desta quarta-feira (1), dia em que os parlamentares voltam do recesso. A primeira ação do Comitê Contra o Aumento Parlamentar (CCAP), grupo "apartidário" dedicado a promover mobilizações contra o reajuste no Recife, foi no dia 9 de janeiro, um apitaço na Avenida Agamenon Magalhães. Na ocasião, pouco mais de trinta estudantes estiveram protestando. A expectativa é que dessa vez consigam mobilizar mais pessoas.

Em conversa com o Blog de Jamildo já na manhã desta quarta-feira (1), o presidente da Câmara, Jurandir Liberal (PT) disse que os vereadores já estão sabendo e estão preparados para o ato. Jurandir garantiu ainda que é legítimo que se manifestem, e que a Casa "respeita e defende a democracia."

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Edilson Silva: Eduardo Campos, mentiroso ou desinformado


Do Blog de Jamildo


Por Edilson Silva

Há poucos dias escrevi aqui um texto intitulado “Eduardo Campos, o déspota”, por conta de sua prepotência que havia se materializado em disparos de projeteis e bombas contra a população desarmada e pacífica. Agora somos obrigados, a bem da verdade, a escrever outro, qualificando-o novamente, agora como faltoso à verdade ou desinformado.

Na entrevista que concedeu ontem à imprensa, onde foi cobrado sobre as manifestações da população, em sua maioria estudantes, contra o aumento das passagens, o governador estava completamente sem noção da realidade. Mais parecia matéria do Diário Pernambucano, “veículo” de comunicação que divulga notícias tão improváveis quanto engraçadas.

O governador afirmou que os manifestantes estavam quebrando ônibus. Afirmou que a polícia agiu bem, que são bem treinados. Afirmou ainda que os manifestantes não têm uma pauta de reivindicações. O governador dá, mais uma vez, provas de que realmente pensa como um coronel da mais velha política e que o vanguardismo que se esforça tanto para colar em sua imagem nada mais é do que puro marketing e excesso de bajulação anti-republicana ao seu redor.

É subestimar e até desrespeitar a inteligência mais elementar da imprensa, das pessoas, querer construir uma verdade como se aquilo que saísse de sua boca fosse incontestável. As pessoas hoje têm celulares que fotografam com qualidade digital e captam imagem e som com semelhante qualidade. A sociedade hoje dispõe das redes sociais para compartilhar tudo isto, sem depender de veículos de comunicação e jornalistas que, não raro, não querem indispor-se com os ocupantes do governo.

A sociedade viu, ouviu, curtiu, compartilhou e repercutiu a postura inconseqüente da PM no meio das passeatas, provocando infantilmente os manifestantes. A sociedade viu os manifestantes dando flores aos PMS. A sociedade não viu um ônibus sequer depredado. A sociedade viu a população assustada, dentro de ônibus e carros, suportando gás lacrimogênio e de pimenta, bombas e tiros lhes atingindo, tudo vindo das armas da polícia do Governador Eduardo Campos.  O governador aposta numa disputa de versões, mas nesta ele não consegue convencer nem o Cardinot!

Mas não foi somente esta "desinformação" que se viu ontem. Enquanto milhares de pessoas estavam nas ruas protestando e reivindicando a revogação do aumento (esta pauta está muito clara e parece que só o governador não percebeu ainda – será que é surdo?), um grupo tão oportunista quanto ilegítimo saia em socorro do governador. Entidades estudantis, aparelhadas por partidos que dão sustentação e dependem do governo, notadamente o PC do B, foram se reunir com Eduardo Campos e assim tentar tirá-lo da sinuca de bico em que está enfiado. Levaram seu chefe, o deputado estadual Luciano Siqueira. Estava também lá o presidente do PT, deputado Pedro Eugênio, para hipotecar seu apoio ao “soberano”. Operação “Salva Eduardo”.

Não é a primeira vez e nem a última que estas entidades estudantis cumprem este papel. Juntam-se aos governos para criar versões e assim confundir a população. O governo ganha a “paz” da desmobilização popular. As entidades “estudantis” amigas do governo ganham mais aparato, mais carteirinhas, para continuar sendo “representantes” dos estudantes. Neste pacto, estão agora propondo uma reunião de cúpula para o dia 20 de março (!), onde serão discutidos, certamente, o sexo dos anjos e outras coisas pelo estilo.

Mas num dia de tantas mentiras, digo, desinformações, duas verdades foram ditas. Uma delas pelo governador Eduardo Campos, na mesma entrevista em que se perdeu em, digamos, alucinações. O governador disse: “Se você  aumenta qualquer centavo a mais na passagem você vai tirando a condição de pessoas que passaram a ter condições de andar de ônibus. Volta a andar a pé. A maior quantidade de pessoas ainda se locomove a pé na cidade.” Bingo! Não se trata, portanto, de se discutir se o reajuste foi maior ou menor que em outras cidades, mas sim de se perceber que parte significativa da população sequer tinha condições de pagar R$ 2,00 – e agora são obrigadas a pagar R$ 2,15. O Estado vai dar as costas para estas pessoas?

A outra verdade dita em alto e bom som foi a voz das ruas. A população organizada, de forma autônoma, em Comitê Autônomo, horizontal, democrático, sem chefes ou caciques, de forma suprapartidária e apartidária, e não anti-partidária, pode exercer seu papel de reivindicar diretamente suas pautas e alcançar conquistas, de forma pacífica, como tem sido até aqui. Tanto é assim que nova mobilização acontecerá na próxima sexta-feira, no GP da Rua do Hospício, às 13 horas.

Se as manifestações continuarem neste ritmo, sem se aceitar as provocações arquitetadas pelo governo, que quer que cada manifestação termine em violência e agressões, o governador terá que voltar à realidade e negociar as reivindicações com o novo movimento popular que brota da indignação de cada cidadão.

PS: Edilson Silva é presidente do PSOL-PE

Estudantes revoltados com 'peleguice' das entidades estudantis

Do Blog de Jamildo

Circulam nas redes sociais fotos e textos em repúdio às entidades de representação estudantis, isso porque nas ruas, no tumulto, no sol, não apareceu uma sequer. Na reunião com o governador, lá estavam todas elas representadas.

Na coluna Repórter JC:

"No passado eram o PSB, PT e PCdoB; agora, PSTU, PSOL, pequena ala do PT e outros bem pequenos. A UNE não está presente nos protestos estudantis no Recife, porque o PCdoB, que domina há décadas a entidade, é aliada do governador Eduardo Campos (PSB). Apenas o PSTU coloca a cara nas ruas."

Depois de longo silêncio, Mesa da Unidade solta nota sobre protestos estudantis no Recife

Do Blog de Jamildo

Os confrontos quase diários entre a Polícia Militar e estudantes que protestam contra os recentes aumentos nas passagens dos transportes coletivos da RMR nos causa preocupação e desconforto.

Vivemos num estado de direito aonde aos cidadãos é facultada a prerrogativa de se organizar, expressar e reunir - inclusive para criticar e protestar contra medidas tomadas pelos governos, em qualquer nível.

E é isso que vem fazendo estudantes e jovens nas ruas da nossa capital, como é comum e usual em qualquer democracia digna desse nome.

Entretanto, se sucedem confrontos de rua, com cenas de violência e truculência por parte do aparato policial do governo do estado, sem que em momento algum as autoridades venham a dar um freio nesses episódios que a todos choca, preocupa e é motivo de repúdio.

É preciso parar com essa aspiral de confrontos, antes que algo grave venha a acontecer, antes que seja tarde. 

Há que se estabelecer o diálogo e a busca de entendimento, de modo a que a arrogância, a prepotência dos que se julgam d onipotentes, e que no passado se diziam democratas, descambe para perdas de toda a sociedade.

Não é apenas o custo das passagens que leva estudantes e população ao protesto. 

Mas também um sistema de transportes coletivos inseguro, impontual, sucateado e desconfortável, numa cidade aonde reina a imobilidade sob os olhos complacentes do desgoverno municipal. Que a tudo assiste e nada fala, se subtraindo as suas responsabilidades.

As oposições reunidas na MDU apelam ao governo do estado e PCR que chamem os estudantes ao diálogo e busquem soluções para o caótico transporte da RMR. e que nesse ínterim, caso as soluções e respostas sejam julgadas insuficientes pela população, que tratem nosso jovens com respeito aos seus direitos e sem violência. 

Pois em Pernambuco e no Recife, ao contrário do que imaginam os governos, não estamos numa ditadura, tão pouco sob o jugo da bota e espora de neo-ditadores iluminados e onipotentes.

A MDU está a disposição dos estudantes e da população para apoiá-los e assegurar-lhes o direito e a liberdade de manifestação ordeira e pacífica, na busca de soluções.

MESA DA UNIDADE DAS OPOSIÇÕES DO RECIFE
PPS, PMN, PMDB, DEM, PSDB.

Após estudantes chegarem à frente do Palácio do Campo das Princesas, Eduardo participa de reunião com comitiva

Foto: Eduardo Braga/SEI

Do Blog de Jamildo

O presidente do PT de Pernambuco, deputado federal Pedro Eugênio participou hoje, às 17h, de uma reunião no Palácio do Campo das Princesas entre o governador Eduardo Campos e uma comissão de 27 pessoas, representantes de seis organizações estudantis pernambucanas.

Em nome da UNE, UEP, UBES, UMES, UESTE e do DCE da Rural, os estudantes entregaram, ao governador, uma pauta propositiva, com 15 pontos. Dentre as reivindicações pediam: o cancelamento do aumento de 6,5% dado às passagens de ônibus, definido na última sexta-feira (20) e uma participação mais efetiva no conselho de transportes, que atualmente, só possui um representante da classe estudantil, não eleito pelo setor.

Na ocasião, Pedro Eugênio lembrou da lei estadual de sua autoria, que dá ao poder público a responsabilidade de garantir vale transporte aos seus funcionários.

“O sistema de transporte precisa receber subsídios fortes para poder, de fato, caber no bolso do cidadão”, declarou o parlamentar.

O petista exaltou a importância do momento e lamentou os excessos cometidos pela polícia militar.

“Muito bom estarmos aqui comprometidos com a causa popular, esse movimento reforça nossa aliança. Bom que o governador tenha se comprometido em avaliar os pontos expostos pelos estudantes e apurar as atitudes da polícia que passaram dos limites.”, disse o deputado.

A reunião também foi acompanhada pelos secretários das Cidades, Danilo Cabral, Articulação Social e Regional, Sileno Guedes, e da Casa Civil, Tadeu Alencar e o presidente estadual do PCdoB Luciano Siqueira. Veja as fotos do fotógrafo Nilton Villanova dos protestos desta quarta-feira 23.

Em novo dia de protesto, estudantes chamam governador de Pinochet de Pernambuco

Augusto Pinochet e Eduardo Campos / Foto: Ilustração
Do Blog de Jamildo

Em mais um dia de protestos nesta quarta-feira (23), já o terceiro, contra o aumentos das passagens de ônibus no Grande Recife, estudantes tomam a avenida Conde da Boa Vista em direção ao Palácio do Campo das Princesas. Cantando palavras de ordem, dentre elas, chamando o governador Eduardo Campos de Pinochet de Pernambuco.

No passado, o avô já havia sido criticado, nas ruas, da mesma forma, quando o PT era oposição a tudo, em manifestações de servidores públicos. O então deputado estadual Paulo Rubem Santiago, hoje no PDT, disse com todas as letras que o então governador Miguel Arraes era o Pinochet de Pernambuco, numa referência ao ditador chileno.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Em entrevista polêmica, Governador diz que estudantes jogaram pedras em ônibus, defende polícia e diz que vai apurar excessos



Do Blog de Jamildo

Se aconteceu, nenhum veículo da imprensa conseguiu ver. Também o Grande Recife Consórcio de Transporte esqueceu de mandar nota informando. O sindicato das empresas de ônibus também não se manifestou. Mas o governador Eduardo Campos (PSB) disse, nesta quarta-feira (25), que estudantes atiraram pedras, pedaços de pau e ferro em ônibus cheios de passageiros. Em sua primeira declaração sobre os confrontos entre polícia e estudantes, o governador, que estava em viagem oficial, defendeu os policiais, afirmou não ter informações de que houve exagero, mas prometeu apurar denúncias de excessos de ambas as partes.

Confira abaixo a íntegra da entrevista concedida pela manhã:

A Casa Civil já falou sobre esse assunto, as autoridades já falaram sobre esse assunto. Não há nenhum registro de que autoridades, seja do Ministério Público, seja da sociedade civil, tenha feito qualquer representação. Houve uma representação do Diretório Acadêmico feita ontem. Nós determinamos ao secretário (Wilson)Damázio (Defesa Social) que imediatamente fizesse toda a apuração. Temos compreensão que qualquer tipo de manifestação - nós lutamos por democracia, eu mesmo fiz muitas manifestações - tem que ser respeitada. Fui estudante, presidente de diretório de estudante, fiz muita passeata, fiz atividade de greve. Tenho a perfeita compreensão de que precisamos da juventude cada vez mais ativa, lutando por causas, transformações e mudanças. Esse respeito nós temos que ter. Agora, nós sabemos que o direito de um acaba onde começa o direito do outro. É possível fazer uma passeata, reivinticar, fazer uma pauta -  que nós não recebemos ainda. Mas não precisa fazer uma passeata e jogar uma pedra num cameraman de uma emissora. Porque ele é um trabalhador que merece respeito, um pai de família que tá ali lutando para levar seu sustento para dentro de casa. Não precisa fazer uma passeata e não se pode fazer jogando pedras num ônibus onde tem uma senhora que tá indo para o médico. Não pode parar as vias públicas porque vem uma ambulância que tá levando uma pessoa que está entre a vida e a morte e pode custar a vida de uma pessoa.

O que que acontece? No ano passado vocês viram oito manifestações como esta. Em determinado momento a própria mídia dizia que tinha que ter uma presença mais ativa do Estado e tal. Este ano, de forma preventiva, começamos a ver, inclusive na internet, sites e mensagens estimulando violência. A polícia, preventivamente, fez o mesmo tratamento que faz com as torcidas organizadas. Eles são treinados. Esse pessoal que foi para a rua é um pessoal que nclusive a Fifa discutiu com eles para treinar para a organização da Copa do Mundo da África do Sul. O que é? Garante a passeata sem isolar a rua. Faz uma faixa e faz isso. Fizemos isso com o Movimento Sem Terra, com categorias que estavam em greve. Sem nenhum estresse, sem nenhum problema. A orientação era: preserva o direito da manifestação e preserva o direito do cidadão ir e vir.

O próprio movimento dividiu. Uma parte quer construir uma pauta. Porque sequer uma pauta tinha. O movimento dividiu porque não concordou, muitas entidades não concordaram com os atos de violência que houve. O que é que tem que ser feito? Tem que ser apurado. Você não pode sair do trabalho para ir para a televisão, estar dentro de um ônibus e alguém se achar no direito de jogar um tijolo, um pedaço de ferro. Onde fica seu direito, sua integridade física? E o Estado? Faz o que? O Estado tem que agir na forma da lei. Garantir a manifestação pacífica, receber a pauta que venha. O que é possível a gente diz que é possível, o que não é possível a gente diz que não é possível e por que não é possível. Com muita tranquilidade. Agora, qualquer violência por parte de manifestante ou por parte de qualquer agente do Estado será apurada com toda a transparência. Não há nenhum órgão de controle que diga assim...

Houve na sexta-feira, por exemplo, uma notícia de que estavam proibindo os meninos de fazer a passeata a partir da Faculdade de Direito do Recife. As entidades foram lá. O próprio Ministério Público foi lá e não constatou isso. Doutor João Lyra falou com as autoridades do Ministério Público e disse 'não, nós não vimos isso. O que está se tentando é organizar uma questão de direito, com toda tranquilidade'.

O secretário Sileno (Guedes) recebeu as entidades ontem, vai receber hoje... A questão começou com o que? Qual é o fato? A questão começou com o aumento de passagem. Qual é a passagem da Região Metropolitana do Recife? Ninguém fala isso. É a menor do Brasil. Quando eu cheguei ao governo era uma das cinco maiores do Brasil. É a menor do Brasil (agora). Qual o reajuste que está sendo dado pelo governo? É o menor do Brasil Porque o nosso governo definiu uma política. Em vez de ser uma tabela que fazia muitas vezes a passagem subir duas vezes o que era a inflação é agora o índice inflacionário menor, que é o IPCA. Há uma regra transparente, clara. Há investimentos em transporte... Isso não está mais nem sendo discutido.

Está sendo discutido se pode ou não ter passeata. Pode ter passeata. Quantas achem necessário serem feitas. Agora, tem que respeitar o direito dos outros. O que é respeitar o direito dos outros? Não interromper as vias de trânsito. Fazer a passeata numa faixa e não jogar pedra nem em jornalista, nem em cidadão, nem em transeunte, em ninguém. E pode nessas passeatas fazer as reivindicações, as críticas... Com toda a tranquilidade.


PERGUNTA - Os estudantes dizem que houve exagero por parte da polícia. Já é possível dizer isso ou o senhor acha que ainda é cedo?

Veja, a passeata é dizendo que o aumento da passagem era indevido. Aí perderam esse discurso quando descobriram que a passagem de Recife era a menor do Brasil e com o reajuste ela passava a ser a vigésima porque seis ainda não deram o reajuste, aí perderam esse discurso. Não tem uma pauta. Toda reivindicação tem uma pauta. O sindicato dos jornalistas quando procura a direção dos jornais para discutir, discute condição de trabalho, horário de trabalho, salário, hora extra, uma série de questões. Não havia uma pauta. A pauta deixou de haver. Ah, houve problema. As pessoas, próprio Ministério Público, OAB foram lá na sexta-feira e não encontraram problema. No dia de ontem, o Diretório Acadêmico de Direito foi e fez uma passeata, onde não houve problema nenhum, e entregou na corregedoria. O secretário Damázio disse imediatamente que iria apurar. Agora, o que houve, vocês sabem, houve um cameraman de uma televisão que foi agredido. Houve filmagem e fotos de vocês mesmos com tijolos nas mãos. Houve agressão feita a pessoas e a necessidade de bloquear uma rua onde está ambulância para passar, pessoas que precisam passar para trabalhar. Depois tem um protocolo que a polícia usa, não em busca de nenhuma violência. Se você for cuidar de ouvir também os policiais que estavam lá, que são trabalhadores, pais de família, que estavam lá em pé seis horas, o que eles ouviram... Tem policial que foi para o IML. O comandante do Batalhão de Choque levou duas pedradas. Uma no braço e uma na perna. Passou por exame. Tem que se apurar um lado e outro e se apelar para as pessoas fazerem suas reivindicações de forma a não prejudicar a vida dos outros com violência.

PERGUNTA -  O que se cobro muito fortemente nas redes sociais foi uma promessa de campanha sua de manter ou baixar o preço da passagem. Foi uma inserção do PSB de setembro do ano passado.

Não é uma promessa de campanha. Há um programa do PSB depois da eleição em que nós propusemos - e eu propus isso ao governo federal - tirar os impostos, e isso tá feito à presidente Dilma, tirar os impostos federais que têm sobre a passagem de transporte urbano. Eu não tenho esse poder de tirar. Foi uma proposta feita nacionalmente ao governo federal. Há uma discussão neste momento no Ministério das Cidades para (saber) se isso é possível. A crise econômica postergou essa decisão do governo federal. É algo em torno de R$ 6 bilhões que tiraria os impostos. Não é uma promessa de campanha. É uma proposta do PSB que o PSB mantém. Diferente do movimento, que não apresentou uma pauta ainda. Se a pauta do movimento é a pauta do PSB eu estou feliz porque a gente vai somar força com o movimento e vai seguir lutanto para conseguir das autoridades federais que um dia desonerem a passagem de ônibus. Por que (isso) é importante? 

Porque a gente precisa melhorar a qualidade do sistema. Por exemplo, ar-condicionado nos ônibus. Seria ótimo. Mas se bota, aumenta a passagem. Se você  aumetna qualquer centavo a mais na passagem você vai tirando a condição de pessoas que passaram a ter condições de andar de ônibus. Volta a andar a pé. A maior quantidade de pessoas ainda se locomove a pé na cidade. No nosso governo, enquanto o salário mínimo cresceu 85%, a passagem, 25%. Foi o menor aumento de passagem em toda a série histórica dos últimos 20 anos que houve. Nunca um governo aumetou a impassagem só a inflação. Nunca. Nem aqui nem em outra praça do Brasil. Por isso que o debate do preço da passagem saiu da pauta. Está se discutindo se houve atrito ou não num determinado episódio de manifestação. Se houve, vamos apurar.

PERGUNTA - Na visão do senhor houve excesso por parte de quem participou da manifestação pública?

Eu não estava aqui. Estava em missão oficial junto ao Banco Mundial e o BID. Vim buscar recursos para o desenvolvimento de Pernambuco. As informações que eu tenho é que não houve. Se houve excesso, esses excessos serão punidos. De um lado e de outro. O fato é que vocês tiveram um câmera da própria televisão agredido. Vocês viram cidadãos passando em ônibus, pessoas do povo, senhoras, tendo pedrada nos ônibus. Isso não pode acontecer. A gente tem que defender o direito das pessoas fazerem manifestação, reivindicar seus direitos. Mas as pessoas também têm que saber que o direito de um acaba onde o direito do outro começa. O direito de fazer a passeata tem que ser respeitado, mas o direito de uma ambulância passar tem que ser respeitado. O direito  de uma senhora que esta´indo ao médico, no ônibus, chegar na hora da sua consulta tem que ser respeitado. E ninguém tem o direito de sair de casa, com um pedaço de ferro, um pedaço de pau ou uma pedra para jogar contra um inocente. Esse direito não existe. E a polícia tem que cumprir a lei. A polícia não sai para fazer nenhum ato de violência. Todas as vezes que a polícia agiu fora da lei nós punimos. A polícia tem agido, ao meu ver, dentro da lei e dentro do que manda a Constituição. O direito de ir e vir é sagrado.

Suposto relato de menina que recebeu gravata na manifestação circula nas redes sociais



Do Blog de Jamildo

Eis o texto de Juliana:

"O INSUSTENTÁVEL PESO DO ESTADO

Meu nome é Juliana, sou aprendiz de parteira e doula, formada em fisioterapia, mulher cearense erradicada no Recife... cidadã do mundo. Logo depois que o dia 23/01/2012 me acordou com seus raios solares, programei meu dia e se tudo ocorrese bem seria um dia normal, normal, normal. Mas graça ao insustentável peso do estado meu dia foi um tanto atípico. Lá estava eu indo almoçar na casa de um amigo quando cruzei a boa vista e vi a passeata. O confroto com o choque já havia acontecido. Como qualquer outro cidadão que utliza o meio de transporte coletivo senti que devia cumprir meu dever de quem acredita que ainda pode ser diferente e segui a passeata. Meus planos era desviar o caminho, assim que fosse possível, para manter a programação. Segui a passeata até o cruzamento da Boa Vista com a rua da Soledade e nesse momento os manifestantes, que já eram poucos, haviam decidido que continuariam a caminhada até o Derby. O tempo foi passando e a notícia que o choque estava se aproximando foi alterando os ânimos. Houve mudança de planos e iniciou-se a dispersão.

Alguns manifestantes, inclusive eu, entraram na contra-mão da rua da Soledade para se dispersar. Por algum motivo o Coronel se alterou bastante e começou a agredir verbalmente e tentou impedir fisicamente os manifestantes de continuarem a caminhar. Continuei na contra-mão (o único crime que cometi =) ) na rua da Soledade achando que daqui a alguns minutos meu dia, que já não estava mais tão normal assim, continuaria caminhando conforme a programação. Passei pelo Coronel e quando já estava de costas senti uma dor no meu braço. Foi muito rápido. Já estava presa e sendo carregada. Demorou alguns segundos até cair a ficha: peraí um momento, se eu não fiz nada porque estou sendo presa???

Era real e eu estava sentindo fisicamente o insustentável peso do estado. Um sorriso de aceitação me escapou da boca. Se vão me levar que seja com dignidade. E a partir daí resisti. Foram minutos que duraram uma eternidade. Consegui escapar das mãos do Coronel, mas minha liberdade durou muito pouco. Se eu estava achando que meu braço estava dolorido era porque eu ainda não havia experimentado o tal do "mata-leão". As lembranças ficam um pouco confusas, mas eu lembro perfeitamente a sensação de ser levantada do chão puxada pelo pescoço. Dói. Nesse momento a indignação correu meu corpo e foi nessa hora também em que mais senti medo. Nessa hora você não pensa em nada e tudo ao seu redor some. Você só quer sair dali. Eles apertam pra faltar oxigênio e fazer você perder as forças. Você pensa em tudo e nada ao mesmo tempo. A sensação não tem como descrever. É assustador. Resisti como pude, mas a luta não é justa quando seu oponente possue força pra te arrastar com apenas um braço. O tempo todo gritava: porque estou sendo presa? Fui levada até o carro, onde já estavam os outros dois detidos.

Dentro do carro a adolescente, de apenas 14 anos, estava em estado de choque. Vi seu medo e seu dessespero escorrendo através de suas lágrimas. Ela havia recebido spray de pimenta diretamente na cara. Estava em pânico. O outro rapaz, 19 anos, mesmo tendo recebido também spray estava bem tranquilo. Quando o Coronel entrou no carro a viatura partiu. O mais irônico nesse momento vou ter presenciado a tentativa dos policias em acalmar a garota. Inuteis! Fomos levados, inicialmente, para a delegacia mais próxima, mas não poderíamos ficar ali porque existia uma de menor detida. Já nessa delegacia o Coronel, que ganhou alguns arranhões no braço durante a confusão, falou em me acusar de lesão corporal e de dano ao patrimônio porque no meio da confusão seu celular de trabalho havia sido quebrado.

Acusada de lesão corporal e dano ao patrimônio??????? Como assim??? Impotência...

Fomos levados a delegacia para criança e adolescente. Nesse meio tempo as fotos já circulavam pelas redes sociais e o poder da internet (que o estado tbm quer controlar) demonstrou do que pode ser capaz. O tempo de espera foi loooooooooooongo. Acusações, tensão, falta de fome, espera, falta de informação, impotência, dor de cabeça, hematomas, boca seca, borboletas no estômago, espera... logo chegaram nossos advogados, foi logo três de uma vez. Peeeense que estávamos bem assessorados! Deixo aqui meus agradecimentos a Pedro, Natali e John. A presença deles deixou nossos corações mais tranquilos, pois agora tinha alguem que entendia a língua deles.

Enquanto estava dando meu depoimento para o delegado o mesmo recebeu uma ligação que disse ser da Coordenadora dos Plantões. Eles discutiram sobre o artigo 262 do código penal.
Art. 262 - Expor a perigo outro meio de transporte público, impedir-lhe ou dificultar-lhe o funcionamento:
Pena - detenção, de um a dois anos.
§ 1º - Se do fato resulta desastre, a pena é de reclusão, de dois a cinco anos.
§ 2º - No caso de culpa, se ocorre desastre:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
Forma qualificada

Pelo que entendi da conversa ela estaria sugerindo que fossemos enquadrados nesse atigo. Contudo, o delegado afirmou que pela conversa que tinha dito com o coronel não cabia tal artigo, pois não havia ocorrido nenhum fato que justificasse tal acusação. Ainda vivemos na ditadura, meu povo, onde ordens são dadas através de ligações! A pressão estava vindo direto da SDS. No final das contas a acusação de lesão corporal foi dada para a menor e esqueceram a acusação de dano ao patrimônio. Vai saber o que se passou, né? Resumindo, fui acusada de desacato, desobidiência e resistência a prisão. Neguei todas as acusações, mas vou responder a um TCO (termo circunstancial de ocorrencia).

O corpo acordou dolorido, com alguns hematomas e ainda estou engolindo com dor. As marcas ficam e a luta segue...

Peço desculpa pela demora na resposta, mas estava sem net e no outro dia do ocorrido tive que viajar. Gratidão por todas as mensagens. Gratidão pela preocupação. Gratidão pela força. Gratidão pelo companheirismo. Gratidão pelo cuidado. Gratidão pelo amor.

Hoje vivemos a ditadura da democracia. É a democracia relativa. Tudo depende de quanto você pode pagar. E aí, vai pagar quanto?

Viva a liberdade de expressão!
Todo poder ao povo!
Resistir até o fim!

Namastê!
Mente vasta
Céu Infinito."