quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Vereador Marinho da Estivas recebe lideres quilombos em seu gabinete


Já em sua primeira semana de retorno a Casa Raimundo de Morais, o Vereador Marinho da Estivas vem dando continuidade aos trabalhos desenvolvidos por seu gabinete, tendo recebido na última segunda-feira (21) lideranças Quilombolas de Garanhuns e Pernambuco, entre eles Antônio Crioulo, comunidade quilombola de Conceição das Crioulas em Salgueiro, Cícero Andrade do Quilombo Estrela, Valdir da Silva e Renato Gomes do quilombo do tigre, que junto com o vereador fazem parte da Comissão Estadual das Comunidades Quilombolas de Pernambuco.

No encontro, foram discutidas propostas de melhoria para os Quilombos de Garanhuns, zona rural, bem como para o espaço urbano do município. O vereador destaca ainda a importância da organização social, aonde vem conversando com os vários segmentos da sociedade para vidando viabilizar políticas públicas para a cidade.

Marinho enfatiza ainda a importância da participação da juventude nas tomadas de decisões, tanto em propostas para melhoria da cidade, como no engajamento nos movimentos sociais.

(Assessoria do vereador)

Grande Recife tem a maior vulnerabilidade social do País

Geciane Silva e o marido vivem com uma renda mensal de R$ 900 para sustentar os seis filhos. A família mora num barraco na invasão da linha férrea Foto: Guga Matos/JC Imagem

Geciane Timóteo da Silva tem 33 anos e mora com a família numa invasão. Mora num barraco de tábuas às margens da ferrovia, no bairro de São José, área central do Recife. Estudo, divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revela uma triste constatação: Geciane vive na metrópole com o maior Índice de Vulnerabilidade Social do País. Entre dez regiões metropolitanas brasileiras analisadas, a do Recife, com quase quatro milhões de habitantes, foi a que teve o pior resultado. Apresentou um crescimento de 16,3% na condição de vulnerabilidade, no período entre 2011 e 2015. A RMR ficou muito à frente das outras três regiões metropolitanas que também apresentaram aumento no indicador: Fortaleza (3,9%), São Paulo (2,4%) e Porto Alegre (0,4%). Os componentes infraestrutura urbana e renda e trabalho foram os maiores responsáveis pelo mau desempenho do Grande Recife.

O resultado interrompe uma tendência positiva que a RMR vinha apresentando no quadro de avanços sociais. Em 2015, última vez que o Ipea divulgou o Índice de Vulnerabilidade Social, a Região Metropolitana do Recife havia apresentado uma redução de 24%, referente ao período entre os anos 2000 e 2010. Na época, todos os indicadores sociais analisados apresentaram uma melhoria no desempenho. Justamente o contrário da atual fotografia. Para compor o Índice de Vulnerabilidade, os pesquisadores consideraram 16 indicadores, agrupados em três campos: infraestrutura urbana, capital humano e renda e trabalho. Neste último ponto, todos os indicadores analisados na RMR tiveram piora no resultado.

Os dados fazem parte de um minucioso estudo, o Atlas de Vulnerabilidade Social, que está disponível numa nova plataforma lançada ontem pelo Ipea, em Brasília. Em entrevista concedida por telefone, a coordenadora técnica do Atlas, Bárbara Oliveira Marguti, destacou alguns dos pontos que contribuíram para colocar o Grande Recife no topo do ranking da vulnerabilidade social entres as principais metrópoles do País. “Um dos fatores que mais chamaram atenção foi o indicador que mede o tempo de deslocamento de casa para o trabalho, entre a população considerada vulnerável. Houve uma piora desse indicador em 45%”, explica a pesquisadora.

Ela ressalta que, em relação à renda, os piores resultados da RMR ocorreram entre os anos de 2014 e 2015. “Nesse período, houve aumento de 46% da taxa de desocupação entre a população com 18 anos ou mais”, diz Bárbara, lembrando que também houve retrocesso em questões que medem, por exemplo, domicílios dependentes da renda do idoso e a participação de pessoas com idade entre 10 e 14 anos na atividade econômica.

PIOR DESEMPENHO

Das 10 regiões analisadas pelo Ipea, apenas a Região Metropolitana do Recife encontra-se classificada como de média vulnerabilidade social. Todas as demais estão enquadradas como de baixa vulnerabilidade e de muito baixa vulnerabilidade (caso da Região Metropolitana de Curitiba).

O Atlas faz a análise de indicadores sociais, usando como base duas pesquisas nacionais: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e o Censo Demográfico (IBGE). O estudo permite observar a evolução dos indicadores das localidades brasileiras e identificar as situações de exclusão social, com vários recortes territoriais: por regiões metropolitanas, macrorregiões, Estados e municípios. (NE10)

Delator promete entregar extratos de propina em obras do PSDB

O delator Adir Assad

O empresário Adir Assad, que assinou na segunda-feira (21) acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, entregará aos investigadores extratos que, segundo ele, comprovam transações feitas para "gerar" dinheiro para empreiteiras pagarem propina em obras do PSDB em São Paulo.

Entre essas obras estão o Rodoanel e a ampliação da marginal Tietê, na capital, projetos administrados pela Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S.A.), ligada ao governo de São Paulo.

Assad admitiu que usou mais de uma dezena de empresas de fachada para fazer contratos fictícios com grandes empreiteiras. Conforme a delação, as construtoras pagavam às empresas dele por serviços inexistentes, como de terraplenagem –Assad chegava a simular a prestação dos serviços, colocando máquinas no canteiro de obras.

Dos pagamentos, o operador diz que descontava os impostos e sua "comissão", que em geral era um percentual do valor, e devolvia o restante às empreiteiras, que usavam esse dinheiro para pagar propina a agentes públicos.

Segundo o delator, quem indicou a ele as empreiteiras para efetuar as transações foi Paulo Vieira da Silva, conhecido como Paulo Preto, ex-diretor da Dersa no governo do tucano José Serra, hoje senador da República.

Segundo a Folha apurou, Assad disse nas tratativas do acordo de delação que Paulo Preto relatou a ele que operava para tucanos paulistas, como Serra e o ministro Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores). Eles negam.

O delator não relatou encontros diretos com esses políticos, que têm foro privilegiado no STF (Supremo Tribunal Federal), somente com Paulo Preto, o suposto intermediário. Por isso, seu acordo foi costurado com integrantes do Ministério Público Federal de São Paulo, Rio e Curitiba que atuam na primeira instância.

A delação precisou ser fechada nos três locais porque o empresário é réu em ações penais no Rio e em Curitiba e mencionava fatos relacionados a São Paulo. Agora, o acordo seguirá para homologação da Justiça Federal.

Assad se comprometeu a entregar, entre outras coisas, os extratos de entrada e saída do dinheiro oriundo das empreiteiras nas contas das suas empresas de fachada. Também vai detalhar sua relação com Paulo Preto.

O delator ofereceu aos procuradores mais de 50 anexos, documentos que trazem os temas que ele pretende abordar em seus depoimentos. Ao menos um deles tem o ex-diretor da Dersa como alvo principal, apurou a Folha.


DELATADO


Paulo Preto entrou na Dersa como diretor de Relações Institucionais em agosto de 2005, no primeiro governo de Geraldo Alckmin (PSDB).

Em 24 de maio de 2007, no primeiro ano do mandato de Serra, foi nomeado diretor de Engenharia da companhia, onde permaneceu nessa função até 9 de abril de 2010. Foi nessa época que foram tocadas as obras do trecho sul do Rodoanel e da marginal Tietê, que gerou denúncia do MP-SP.

Delatores da Odebrecht também citaram Paulo Preto, que figura em um inquérito aberto pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para investigar Serra e Aloysio Nunes.

Segundo a Odebrecht, o então diretor pediu, em 2007, 0,75% dos contratos que as empreiteiras mantinham com a Dersa em troca de não terem seus negócios prejudicados. Todos negam o crime.

Assad está preso no Paraná desde março de 2015. Em setembro daquele ano, ele foi condenado pelo juiz Sergio Moro a quase dez anos de prisão por organização criminosa e lavagem de dinheiro, em um caso relativo à Petrobras.

O operador vinha negando os crimes. A estratégia da defesa mudou após o advogado Pedro Bueno de Andrade assumir o caso. No bastidor, Assad já tinha tentado delatar.

Pelo acordo, ele pagará multa de R$ 50 milhões e ficará três anos em regime fechado –descontando o tempo que ele já ficou na cadeia.


OUTRO LADO


O advogado Daniel Bialski, que defende Paulo Vieira de Souza, disse que seu cliente conhece Adir Assad há 25 anos e que eles treinavam para provas de corrida.

"Paulo Souza nunca apresentou Adir Assad a empreiteiros. Até porque Adir Assad era prestador de serviços, com contato e contrato firmados diretamente com empresários. Assad nunca trabalhou ou esteve na Dersa com meu cliente", afirmou o defensor, por meio de nota.

O ministro Aloysio Nunes Ferreira afirmou que a delação "não é verdade".

Pedro Andrade, advogado do delator, disse que não comentaria o assunto.

A Dersa afirmou, em nota, que na marginal Tietê e no Rodoanel firmou contratos apenas com os consórcios executores que venceram as licitações, e não com empresas de Assad. "Todos os pagamentos foram realizados diretamente a estes consórcios."

"Em 2011, a Dersa estruturou um departamento de Auditoria Interna e implantou seu Código de Conduta Ética, aprimorando a análise e a fiscalização dos contratos dos empreendimentos", informou a companhia.

"Essa mesma Auditoria Interna, depois de tomar conhecimento de denúncias envolvendo os empreendimentos Rodoanel Sul e Nova Marginal do Tietê, em 2016, instalou e conduz procedimento apuratório para averiguar possíveis irregularidades."

A assessoria do senador José Serra disse que ele não vai comentar "suposta delação à qual não teve acesso".

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Distrito de São Pedro recebe ação itinerante da Secretaria de Saúde de Garanhuns

A secretária de Saúde, Shisneyda Furtado, ouvindo a população do distrito de São Pedro

A coordenação da Secretaria de Saúde de Garanhuns esteve na manhã desta terça-feira (22), no distrito de São Pedro com a “Secretaria Municipal de Saúde nos Bairros”, ação itinerante que busca ouvir as críticas e elogios da população acerca das Unidades Básicas de Saúde (UBS’s) e serviços que a secretaria oferece. A secretária de Saúde, Shisneyda Furtado, participou da ocasião na Unidade Básica de Saúde (UBS) São Pedro.

A coordenadora de Atenção Básica, Anne Araújo, explicou o intuito da iniciativa. “Estamos fazendo a ação em São Pedro como um momento em que podemos ouvir a população, saber das suas angústias e suas solicitações. Nós estamos anotando tudo e vamos encaminhar aos devidos setores competentes”, explicou. Durante a ocasião, estiveram presentes os setores de Atenção Básica, Regulação, Vigilância, Cesmuc, Farmácia, entre outros.


Maria Quitéria, de 34 anos de idade, é moradora do distrito e falou sobre a visita. “Achei maravilhoso a secretária vir fazer essa pesquisa em São Pedro. Mostra que o pessoal está se preocupando com a população, com o nosso bem estar e com a nossa saúde. Espero que eles possam nos ajudar no que a gente precisa”, afirmou.

Além da população, a equipe da secretaria também deu espaço aos servidores. Agente Comunitária de Saúde (ACS) do Sítio Papa Terra - atendido pela UBS São Pedro, Lúcia Barros, comentou sobre a presença das equipes. “Gostei muito dessa visita dos coordenadores. Espero que continuem vindo, é muito importante para nós, servidores, e para população. Para nossa área, eu pedi um ponto de apoio”, finalizou.

A Secretaria de Saúde informa que a próxima unidade a ser visitada será a UBS Boa Vista II, localizada no Vale do Mundaú, no dia 30 de agosto. (Secom)

Garanhuns Homenageia José Márcio Leão


O Governo Municipal de Garanhuns realiza nessa quinta-feira, dia 24, uma significativa homenagem ao atleta José Márcio Leão, vencedor da Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro, no último domingo, dia 20.

José Márcio e os demais corredores da equipe de atletismo do Município participarão de um desfile pelas principais ruas da Cidade. Os corredores sairão do Relógio de Flores, pontualmente, às 10h, com destino à sede da Prefeitura, onde Leão será recebido e homenageado pelo Prefeito Izaías Régis, em nome de todos os garanhuenses.

Viaturas e motocicletas da AMSTT realizarão o apoio durante o deslocamento, cujo percurso será o seguinte: Avenida Rui Barbosa; rua Quinze de Novembro; rua Dantas Barreto; Rua Barão do Rio Branco e Avenida Santo Antônio. “Será o momento em que o Campeão receberá o calor humano da população”, pontua Carlos Eugênio, secretário de Juventude, Esportes e Lazer. José Márcio Leão e os demais corredores da equipe de Atletismo de Garanhuns contam com o apoio do Governo Municipal. (Secom)

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Semana da Pessoa com Deficiência é aberta oficialmente, em Garanhuns

O coordenador do Comud José Juca, o vice-prefeito Haroldo Vicente e a vereadora Betânia da Ação Social

Em Garanhuns, a Semana da Pessoa com Deficiência foi aberta, oficialmente, nesta segunda-feira (21). A cerimônia, realizada na Câmara de Vereadores, reuniu diversas autoridades, entre elas o vice-prefeito Haroldo Vicente, a vereadora Betânia Monteiro – que na ocasião representou a presidente da Casa Raimundo de Moraes –, o coordenador do Comud, José Juca, e a titular da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SASDH), Maria Célia Sobral. A programação alusiva segue até a próxima segunda-feira (28) e mobilizará diversas entidades locais.

A data é vivenciada há seis anos no município e tem o objetivo de sensibilizar e conscientizar a sociedade, além dos órgãos públicos e privados, sobre os direitos fundamentais, especialmente o direito à cidadania das pessoas com deficiência. As ações têm como temática principal, neste ano, “Calçadas: direito fundamental de ir e vir” – numa oportunidade de tornar públicos os programas e as políticas públicas praticadas regionalmente.

Na ocasião de abertura, os presentes acompanharam o pronunciamento das autoridades que compuseram a mesa oficial e a leitura de um poema em homenagem ao público, escrito e interpretado pelo poeta Sandoval Ferreira. A arquiteta e urbanista Juliana Santos, mestra em Desenvolvimento Urbano, doutoranda em Arquitetura e, atualmente, diretora do Departamento de Planejamento e Gestão da Prefeitura de Garanhuns, encerrou o momento com uma palestra sobre o tema central da Semana.

A partir da tarde de hoje, os Centros de Referência de Assistência Social (Cras’s) iniciam a execução de suas programações. As secretarias de Educação e de Saúde também vão desenvolver atividades específicas para sensibilizar a todos, entre as atividades estão oficinas, palestras, mesas de debate e apresentações culturais. (Secom)

Câmara de vereadores de Garanhuns faz homenagem ao vereador Alcindo Correia pelos seus 50 anos de vida


O Blog do Cisneiros dá os Parabéns ao vereador Alcindo Correia, que na última sexta-feira 18 de Agosto de 2017, completou 50 Anos de Vida.

Em alusão aos 50 Anos do Vereador, no mesmo dia ocorreu solenidade em sua homenagem na câmara dos vereadores, onde esteve presentes a maioria dos seus colegas vereadores, o deputado estadual Silvio Costa Filho, de quem nutre uma relação muito próxima de amizade, o vice-prefeito Haroldo Vicente, o qual também representou o prefeito Izaías Régis, vários secretários municipais, além de e muitos amigos e familiares.

"Agradeço a precedente Carla de Zé de Vilaço por me presentear com essa solenidade, que era um sonho que eu tinha, de fazer aniversário no dia de uma reunião ordinária, quero desde já agradecer a todos os meus pares, familiares e amigos que me prestigiaram nesse momento impar da minha vida, que foi a passagem deste meio século de vida, muito obrigado a todos" frisou o vereador Alcindo Correia.

Na ocasião, além dos discursos dos colegas vereadores, dos amigos Haroldo e Silvinho, discursaram o seu filho Alcindo Filho, em nome de toda a família, e o próprio Alcindo, onde contando toda sua trajetória política, até os dias de hoje, momentos chegou a emocionar a todos os ali presentes em muitos momentos.













Voto distrital misto é a salvação da política no Brasil, diz ministro Barroso

O ministro Luís Roberto Barroso em sessão no STF

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), vê o fundo público de R$ 3,6 bilhões proposto na reforma política como símbolo máximo da falta de sintonia do Congresso Nacional com a população.

Mas lembra que os dois principais símbolos de outro modelo, o do financiamento eleitoral privado, estão presos —numa referência indireta ao empreiteiro Marcelo Odebrecht e ao ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

À Folha Barroso defende que as campanhas sejam bancadas por doações de pessoas físicas. E se mostra até favorável à aprovação do "indesejável distritão": mas só se essa for a condição para se adotar o sistema distrital misto.

Folha - De que reforma política o Brasil precisa?

Luís Roberto Barroso - O Brasil precisa desesperadamente de uma reforma que, no sistema eleitoral, tenha três objetivos: baratear o custo das eleições, aumentar a representatividade no Legislativo e facilitar a governabilidade. O sistema atual é muito ruim, frauda a vontade do eleitor.

Qual seria a solução?

Acho boa a proposta do voto distrital misto. Divide a circunscrição em quantos distritos forem o número de cadeiras na Câmara. São Paulo, por exemplo, terá 70 distritos, e aí o político faz campanha num espaço delimitado. Acredito que pode ser a salvação da política no Brasil. Barateia a eleição e você pode verificar como foi o desempenho do seu candidato.

Além disso, o Senado já aprovou a cláusula de barreira e a proibição de coligação em eleições proporcionais. É preciso contar com o patriotismo dos parlamentares da Câmara para aprovarem essas duas providências, indispensáveis para que a política recupere a sua credibilidade. Numa democracia, política é gênero de primeira necessidade. Tudo o que eu falo, ainda que em tom crítico, é a favor da política.

Para quando devem ser feitas essas mudanças?

Cláusula de barreira e o fim das coligações defendo que valham para o ano que vem. O distrital misto eu desejaria [também], porém a demarcação dos distritos talvez seja complexa demais. Eu até tentaria. No entanto, se passar para 2020, já estou satisfeito.

Mas uma das propostas mais cotadas é a do distritão.

O distritão é péssimo. É caro, enfraquece mais ainda os partidos e empodera os deputados para um tipo de negociação individual que vai tornar o sistema mais corrupto. Como eles vão chegar à Câmara sem nada dever aos partidos, porque não vai haver distribuição de voto por legenda, a negociação com o Executivo não será feita partidariamente, mas isoladamente.

E o "semidistritão", que combinaria elementos dos dois modelos e tem sido cogitado?

É muito ruim também, ligeiramente menos ruim [do que o distritão].

Como vê o fundo eleitoral?

Esse fundo, que para o meu gosto não é democrático, primeiramente não pode ter R$ 3,6 bilhões. É inaceitável neste momento em que as pessoas estão perdendo o emprego, não estão recebendo aposentadoria; o Supremo demitiu os ascensoristas.

Gastar esse dinheiro é a questão simbólica da falta de sintonia com a sociedade. Se o preço a pagar pela transição para o distrital misto for um fundo com valores decentes, eu aceitaria pagar o preço. Mas tem que ser de R$ 1 bilhão para baixo.

Que modelo o sr. defende?

Sou contra o financiamento por empresas. Não consigo imaginar uma forma de regulamentação que impeça a extorsão, o achaque, a corrupção. Os dois símbolos desse modelo, tanto na iniciativa privada quanto no Congresso, estão presos [casos de Marcelo Odebrecht e de Eduardo Cunha].

Já existe financiamento público, com o fundo partidário e o horário na TV. O ideal é o financiamento com doações de pessoas físicas.

O sr. está confiante na aprovação dessas mudanças?

A população hoje tem mobilização para evitar retrocessos. Mesmo com toda a "operação abafa", a Lava Jato subsiste, empurrada por uma sociedade que se cansou da velha política e da velha ordem.

Há essa mobilização em relação à reforma política?

A reforma política é o tema mais importante em discussão no Brasil, mas o cidadão comum não tem tempo para entender esses meandros, não tem a dimensão da relevância. Tecnicalidades não mobilizam a população, é assim em qualquer lugar do mundo. (Folha de São Paulo)

Preço do botijão de gás dispara, chega a R$ 80, e deve subir ainda mais


A nova política de flutuação de preços do gás de cozinha imposta pela Petrobras preocupa revendedores locais e confunde consumidores. De acordo com os empresários, desde que o reajuste do produto passou a ser mensal, o valor disparou e as vendas caíram. Em três meses, o aumento acumulado soma 8,93% — foram duas variações positivas e uma negativa. A Associação Brasiliense de Empresas de Gás (Abrasgás) critica a mudança de precificação feita pela estatal, alegando que gera falências no setor e crescimento do comércio clandestino de botijões. A entidade estuda as medidas judiciais cabíveis. Enquanto isso, o consumidor já encontra unidades sendo vendidas a R$ 80 no Distrito Federal.

Desde junho, a Petrobras passou a corrigir mensalmente o valor do Gás Liquefeito de Petróleo, o GLP-P13, conhecido como gás de cozinha ou doméstico todo dia 5 do mês. O preço final passou a levar em conta as cotações no mercado internacional. Até maio de 2017, a estatal adotava uma política que evitava o repasse da volatilidade do câmbio e das cotações internacionais no mercado interno. Por isso, geralmente, fazia-se uma correção anual. Na ocasião do anúncio da flutuação, o presidente da companhia, Pedro Parente, ressaltou que o gás não tinha uma política de comercialização definida e que, com a alteração, a Petrobras completava “o ciclo de definição de políticas para os produtos da companhia”.

Dificuldade

Acostumados a trabalhar com uma variação anual, os revendedores estão com dificuldades de se adequar à nova política de preços da estatal. A crítica é a de que a mudança foi muito repentina. O empresário Wellington Marques tem uma revenda no Cruzeiro e está no segmento há 20 anos. Ele conta que a mudança da Petrobras pegou os revendedores de surpresa. “Avisam um dia antes qual será o preço novo. Eu não tenho tempo nem de comunicar os consumidores. Quando o cliente chega, leva o susto. Por isso, poderiam, ao menos, informar o índice do repasse 10 dias antes”, sugere. Wellington explica que, por causa da regulação, ele não pode estocar mais que 480 vasilhames no depósito, o que o deixa somente com a quantidade que vai vender. “Com o estoque regulado, quando o preço muda, eu tenho que repassar ao consumidor imediatamente.”

Proprietária de revendas no Distrito Federal e no Entorno goiano, Veruska Moura contabiliza queda de 30% no volume de vendas desde a implementação da nova política de preços. “O consumidor não aceita esses repasses e as empresas regularizadas não dão conta de segurar. Muita gente está fechando as portas. Não posso dar a minha palavra nas negociações. A gente está sendo massacrado”, comenta.

Para calcular o impacto da nova política da Petrobras, a Abrasgás está fazendo um levantamento de quantas empresas fecharam as portas por causa da flutuação de preços. “Tivemos mais revendas falindo em 90 dias do que nos últimos dois anos”, alerta Cyntia Moura Santo, diretora da Abrasgás. “Aliado a isso, estamos assistindo à proliferação do mercado clandestino: o revendedor não consegue manter custos fixos, aí fecha as portas e, para não ficar sem trabalho, vai pirangar na rua. Fora aqueles que vendem o botijão adulterado”.


Questionada sobre as críticas dos revendedores em relação à política de flutuação de preços, a Petrobras respondeu que só tem ingerência em 54% da composição do preço do botijão. “Sendo as distribuidoras e revendedoras livres para definirem as margens praticadas”, diz, em nota. Quanto ao aumento da comercialização clandestina, a estatal ressalta que a fiscalização é de competência da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Industrial

Os valores do GLP para uso comercial ou industrial (vendido a granel ou envasado em botijões de mais de 13kg) também passaram a ser reajustados de acordo com a flutuação no mercado internacional, o que significa que as alterações nos preços podem ser feitas a qualquer momento. O último reajuste, em vigência desde 16 de agosto, aumentou os preços de comercialização às distribuidoras do GLP em 7,2%. A flutuação dos valores, no entanto, suscita críticas entre revendedores e clientes.

Érica Vanessa Tenório, 37 anos, é dona de um restaurante no Cruzeiro e diz que passou a colocar os custos na ponta do lápis. “Diminuí o uso de água e passei a comprar artigos de limpeza mais baratos para contrabalançar os gastos”, relata. Para manter o self-service, ela consome até dois botijões por dia. “Uso gás na churrasqueira, no fogão e na chapa”, enumera. Érica conta que desembolsou R$ 744 em junho. Para agosto, a empresária espera pagar, no mínimo, R$ 800. (Diário de Pernambuco)

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Pernambuco responde por 50% da alta nos homicídios no Brasil

Em julho, Pernambuco chegou a 3.323 crimes contra a vida no ano / Foto: Arquivo/ JC Imagem

O professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) José Luiz Ratton se inclina um pouco para frente e arregala os olhos, falando de modo incisivo. "O Pacto pela Vida como ele foi concebido morreu. Está morto. O que o governo está fazendo agora é gerir uma marca. Hoje, há uma gestão malfeita de uma marca que já foi bem-sucedida." Da concepção de um dos programas de segurança do qual mais se ouviu falar no País na última década, ele pode falar. Estava no centro da criação capitaneada pelo ex-governador Eduardo Campos, e saiu da gestão antes de surgirem as falhas.

Em julho, Pernambuco chegou a 3.323 crimes contra a vida no ano. Isso já é mais do que o que foi registrado em todo o ano de 2012 (3.321) e 2013 (3.100) por exemplo. No primeiro semestre de 2017, o País teve 1,7 mil homicídios a mais do que no mesmo período do ano passado; 913 deles aconteceram em Pernambuco.

"Os padrões que observamos para este ano mostram que Pernambuco pode chegar a número absoluto de homicídios que talvez seja o maior da história, entre 5 mil e 5,4 mil. Na melhor das hipóteses, que ainda assim é muito ruim, equivaleria a 10% dos homicídios do Brasil e a quase 1% do mundo. É uma tragédia civilizatória", diz Ratton.

Um dia antes, na quarta da semana passada, o secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua Cavalcanti, teria resposta diferente diante da mesma pergunta: o Pacto morreu? "Está mais vivo do que nunca. O pacto é uma política de Estado construída há dez anos, de muito sucesso, e colocou Pernambuco entre os melhores Estados no enfrentamento à violência, mas obviamente há necessidades de ajustes operacionais e os resultados já estão sendo colhidos", disse no seu gabinete.

Nas ruas da capital, não há sensação de resultado. São comuns relatos de assaltos a ônibus, que a pasta diz reduzir, enquanto o Estado regride uma década no patamar de homicídios.


Rotina


É madrugada em Charnequinha, em Cabo de Santo Agostinho, região metropolitana do Recife, quando o rabecão chega à segunda travessa da Rua Dezenove para recolher o corpo de Andreia Moreira de Figueiredo, de 38 anos. Horas antes havia sido encontrada morta, com sinais de esganadura, na sala da sua casa.

O horário não impede que dezenas se reúnam próximo da cena do crime, ainda sem autoria, para acompanhar o trabalho da polícia. Os investigadores logo informam que a vítima tinha três passagens pela polícia por tráfico de drogas. O ex-marido e o irmão, presentes no local, não choram, apresentando ar de aparente conformismo para o que chamam de destino da mulher.

Um mototaxista com casaco do Sport, time de futebol local, reage com desprezo à pergunta sobre segurança na região. "Aqui morre um todo dia." O homem, que preferiu não se identificar, erra por pouco.

Com 94 assassinatos no ano, Cabo de Santo Agostinho tem um homicídio a cada dois dias e 30% mais casos do que no ano passado.

Já na Igreja Nossa Senhora do Carmo, em Goiana, a 60 quilômetros do Recife, o clima é de consternação. Na noite da quarta-feira, era celebrada a missa de sétimo dia de Edvaldo José Valença da Silveira Neto, morto com um tiro durante uma tentativa de assalto em que tentaram levar o seu carro. Quatro suspeitos foram presos. A mãe, a enfermeira Mônica de Araújo Silveira, de 42 anos, lembra dele como uma pessoa "intensa" e "com pressa para viver". "Ele ficava revoltado com os casos de violência que eram noticiados e acabou, veja só, sendo vítima dela."

Para o pai, o tabelião Edvaldo Rodrigues da Silveira, de 43 anos, o momento é de falar, não calar, e de reclamar. "Um dos suspeitos presos era menor, você viu? 17 anos. Tem de mudar a legislação deste País", destaca.


Rio


Com 2.976 crimes contra a vida no primeiro semestre, o Rio de Janeiro vive a crise com maior destaque no País atualmente. Se não é o maior aumento (14,2%) entre as Unidades da Federação, a violência no Estado assume contornos de guerra com recorrentes mortes por balas perdidas, uso de fuzis, execuções de policiais e execuções por policiais.

A situação levou o governo federal a desenvolver um plano específico para a capital fluminense, deslocando 8,5 mil agentes das Forças Armadas. Em nota, o secretário de Segurança, Roberto Sá, disse reiterar a "importância da mudança das leis criminais para reverter o quadro de banalização do crime". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.