Do
Blog do Roberto Almeida
A
Câmara Municipal de Garanhuns, que devia ser a Casa do Povo, continua a causar
vexame e envergonhar a população.
Depois
da tumultuada reunião em que vereadores proibiram as pessoas de usar da palavra,
numa audiência pública, populares se exaltaram e destrataram os parlamentares,
até que um deles quis partir para a agressão física, ontem, às portas do
Legislativo Municipal, aconteceram cenas dignas das ditaduras ou do regime dos
coronéis.
Gênio
Ventura, que se auto intitula “fiscal do povo”, um dos envolvidos no bate-boca
quando da referida audiência pública, foi alvo de um ato de perseguição
política lastimável.
Não
está aqui em discussão aqui a conduta profissional de Gênio, se age com ética,
se trabalha a favor do povo, se comete erros ou está certo em suas atitudes.
O
que não pode é se submeter um cidadão, um pai de família, ao constrangimento
que lhe foi imposto.
Alguém
– provavelmente um vereador – fez uma denúncia contra o rapaz, que estava
assistindo a reunião da Câmara, no plenário, e foi convidado pela polícia a
acompanhá-lo.
Policiais
do Gati então levaram Ventura até seu carro, que estava estacionado na frente
do prédio da Câmara, solicitaram que o veículo fosse aberto e fizeram uma
revista completa.
Perguntaram
se ele portava arma e a resposta foi negativa.
E
não encontraram arma nenhuma, nem droga, nem coisa nenhuma que incriminasse o
“fiscal do povo”.
Policiais
que deviam estar atrás de bandidos, protegendo a população, criaram
constrangimento a um cidadão, que, ficou provado, não tinha cometido nenhuma
ilegalidade ou crime.
Apesar
de não ser policiais do trânsito, os agentes do estado, por não encontrar o que
procuravam (possivelmente apontado pelo denunciante) verificaram que Gênio não
estava com o documento do veículo referente ao ano de 2019.
Mas
o rapaz mostrou os papeis de que o IPVA e demais taxas estavam pagos, não tendo
o documento do ano em curso sido lhe entregue pelo Detran porque existem multas
que estão sendo contestadas.
O
Detran só pode entregar o documento quando as multas forem julgadas.
Os
policiais ainda ensaiaram uma multa por falta do documento do veículo de 2019,
embora as taxas estejam pagas e o carro não estivesse em circulação e sim
estacionado legalmente nas proximidades da Câmara.
Depois
de contato com funcionários do Detran, os agentes do estado desistiram da
multa, acredito que orientados que não poderiam anotar autuar um carro que
estava parado, portanto não havia infração.
Em
pleno século XXI, bem perto do ano de 2020, se repetem cenas em Garanhuns que
nos remetem à barbárie de 1917.
Policiais
pagos com o dinheiro do povo, usados como instrumento de perseguição política.
Professor
Rafael Brasil, historiador e analista político, costuma dizer que “vereador não
serve pra nada”.
Agora
já se sabe que ele está errado: vereador serve para viajar à custa do dinheiro
público, participar de cavalgadas, dar carteiradas e perseguir desafetos.
O
bolsonarismo contaminou a Câmara. Uma Casa Legislativa que já teve Uzae
Canutto, Humberto de Morais, José Inácio, Otoniel Gueiros, Silvino Duarte, Ivo
Amaral, Marlos Duarte, Paulo Gomes, Ivan Rodrigues e tantos outros nomes de bem
não merece a representação atual.
Sei
que ainda existem nomes no Legislativo que merecem respeito, como Audálio
Ramos, Tonho de Belo, Betânia da Ação Social e Luzia da Saúde.
Mas
a maioria, me desculpe, anda devendo desculpas à população de Garanhuns.
Esta
semana foi com Gênio, amanhã o perseguido pode ser o Cisneiros, quem sabe o
Roberto Almeida, embora todo meu trabalho seja na base do respeito.
Qualquer
cidadão pode ser alvo de uma armação como essa de ontem, que, sinceramente, não
engrandece em nada nem a polícia nem a Câmara, pelo contrário, cobre duas
instituições sérias, que têm homens de bem, de vergonha.
Mesmo
funcionários do Legislativo Municipal, subordinados à Mesa Diretora e aos
vereadores, entraram em contato com o blog pedindo uma matéria sobre esse
assunto e eles me confessaram: ficaram constrangidos e envergonhados!
No
país em que um procurador geral da República entrou armado no Supremo Tribunal
Federal para matar um ministro do STF tudo é possível, até uma Câmara como a
que temos em Garanhuns.






