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| Desembargador Kassio Nunes Marques, indicado por Bolsonaro para o STF. Foto: Ramon Pereira/Ascom TRF1 |
Do Estadão
Uma reunião na casa do
ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, na noite dessa
terça-feira, 29, selou a escolha do desembargador Kassio Nunes Marques para
ocupar a cadeira de Celso de Mello na Corte. Na tentativa de se aproximar do
STF e da classe política, o presidente Jair Bolsonaro pediu ao presidente do
Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que fizesse a intermediação para o encontro.
Alcolumbre ligou, então,
para Gilmar, que logo providenciou uma reunião em sua casa. O ministro Dias
Toffoli, que deixou a presidência do Supremo no último dia 10, também foi
convidado para a conversa. Com Kassio Nunes Marques a tiracolo, Bolsonaro fez elogios
à Corte e afirmou estar confiante na independência e harmonia entre os Poderes.
Ex-vice-presidente do
Tribunal Regional Federal da 1.ª Região, Kassio teve a indicação aprovada pelos
magistrados do STF, que foram surpreendidos com a escolha. O decano Celso de
Mello vai se aposentar no próximo dia 13 e, até pouco tempo atrás, Kassio era
cotado não para essa vaga, mas para ministro do Superior Tribunal de Justiça
(STJ).
A conversa na casa de Gilmar
durou duas horas, das 19h às 21h, e ocorreu em clima descontraído. Toffoli e
Gilmar são os dois principais integrantes da ala crítica à Lava Jato no Supremo
e têm uma relação próxima com Bolsonaro. Os dois sempre aconselharam o
presidente a baixar o tom quando protestos contra a Corte faziam barulho na
Praça dos Três Poderes.
Assessores do presidente do
Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, não souberam informar se o ministro foi
informado por Bolsonaro da escolha.
O favoritismo de Kassio na
corrida ao Supremo pegou boa parte do governo de surpresa na manhã desta
quarta-feira, 30. O Estadão apurou que o seu bom trânsito, tanto no Congresso quanto no Judiciário,
pesaram a favor da indicação. O desembargador já tinha bom relacionamento com
Gilmar e com Toffoli.
Outro ponto a favor foi o
fato de ele ser do Piauí. A possível indicação de Kassio é um gesto de
Bolsonaro ao Nordeste, região da qual o presidente busca se aproximar, já de
olho nas eleições de 2022.
Nas redes sociais, o senador
Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas, comemorou o favoritismo do
conterrâneo.
Segundo integrantes do
governo, o nome do desembargador surgiu e se apresentou como uma solução para
os problemas de Bolsonaro, que tinha como opções os ministros da
Secretaria-Geral, Jorge Oliveira, e da Justiça, André Mendonça.
A avaliação é a de que os
dois ministros ocupam cargos-chave e a indicação de qualquer um deles implicaria
em uma obrigatória mexida no governo. Oliveira está também no comando da
Subchefia de Assuntos Jurídicos (SAJ), órgão responsável pelos atos jurídicos
do presidente, e para o qual Bolsonaro não abre mão de uma pessoa de confiança.
Oliveira poderá ser indicado
para uma segunda vaga no STF, no ano que vem. Até lá o escolhido por Bolsonaro
para a Corte terá a tarefa de criar um ambiente menos hostil ao ministro da
Secretaria-Geral, criticado por não ter um currículo jurídico robusto.

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