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| Voluntário nos Estados Unidos recebe a vacina desenvolvida pela Pfizer e a BioNTech. AP |
Do El País
A agência de medicamentos
dos Estados Unidos (FDA na sigla em inglês) estava avisada: a empresa
farmacêutica Pfizer e sua parceira alemã BioNTech solicitaram nesta sexta-feira
uma autorização de emergência para sua vacina contra a covid-19, tornando-se os
primeiros fabricantes a fazê-lo nos Estados Unidos ou na Europa. A vacina
poderia estar disponível em meados ou no final de dezembro para grupos de
risco, segundo afirmou a empresa em um comunicado.
O anúncio era esperado há
vários dias, depois da publicação dos resultados do teste clínico da fase 3 da
vacina, que está em andamento desde julho com 44.000 voluntários em vários
países e segundo os quais a vacina contra a covid-19 não teria efeitos colaterais
graves. Na quarta-feira, a Pfizer anunciou que a vacina tem 95% de eficácia a
partir de 28 dias após a primeira dose.
A Pfizer informou em um
comunicado que, caso o pedido seja aprovado, sua vacina poderia começar a ser
distribuída em dezembro em fases, começando pelos grupos de alto risco,
incluindo profissionais de saúde, idosos e pessoas com problemas de saúde. Os
trabalhadores essenciais, professores e pessoas sem-teto, bem como as que vivem
em abrigos e prisões, provavelmente seriam os seguintes, e depois crianças e
adultos jovens.
O Governo de Donald Trump
planejou vacinar 20 milhões de pessoas pertencentes a esses grupos de risco, e
depois entre 25 e 30 milhões de pessoas por mês. A velocidade desse processo
não tem precedentes na história das vacinas. Em média, foram necessários oito
anos para desenvolver as vacinas autorizadas na última década nos Estados
Unidos.
Em março, a BioNTech propôs
à Pfizer usar sua tecnologia inédita de RNA mensageiro no momento em que o
mundo passava pelo primeiro confinamento. O primeiro voluntário recebeu a
vacina no dia 23 de abril, na Alemanha, na primeira fase de testes. A fase 3, e
última, começou em 27 de julho. Metade dos voluntários recebeu um placebo e a
outra metade a vacina experimental, sem saber quem recebeu o quê. Os
voluntários continuaram suas vidas normalmente, tomando os mesmos cuidados que
a população em geral e progressivamente —com a explosão da pandemia nos Estados
Unidos no outono— o número de casos de covid-19 entre o grupo placebo cresceu,
mas não entre o grupo dos vacinados. Dos 170 casos registrados entre os
participantes, 162 receberam o placebo e 8 a vacina, de acordo com comunicados
dos fabricantes. As estatísticas indicam que uma pessoa vacinada tem 95% menos
risco de contrair a doença do que uma não vacinada.
Uma vacina para o mundo
Espera-se que o processo de
controle da FDA deve levar algumas semanas, e uma reunião do comitê assessor
para analisar a vacina foi agendada para o início de dezembro. “A apresentação
nos Estados Unidos representa um marco fundamental em nossa viagem para
entregar uma vacina contra a covid-19 ao mundo, e agora temos uma imagem mais completa
da eficácia e do perfil de segurança da nossa vacina, o que nos dá confiança em
seu potencial”, disse o presidente e diretor executivo da Pfizer, Albert
Bourla, em um comunicado.
O anúncio acontece dois dias
depois de a Pfizer ter informado que em sua última avaliação da fase 3 a
eficácia da vacina “era consistente segundo a idade, o gênero, a raça e a
etnia” e que “a eficácia observada em adultos com mais de 65 anos era superior
a 94%”. De acordo com a Pfizer, os dados demonstram que a vacina foi bem
tolerada em todas as populações de seus participantes inscritos e que nenhum
problema de segurança grave foi observado. Os únicos efeitos colaterais
importantes foram fadiga (3,8%) e dor de cabeça (2%).

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