Governo do Estado de Pernambuco

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Encontro na casa de Gilmar selou indicação de Kassio Marques ao Supremo

 

Desembargador Kassio Nunes Marques, indicado por Bolsonaro para o STF. Foto: Ramon Pereira/Ascom TRF1

Do Estadão

 

Uma reunião na casa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, na noite dessa terça-feira, 29, selou a escolha do desembargador Kassio Nunes Marques para ocupar a cadeira de Celso de Mello na Corte. Na tentativa de se aproximar do STF e da classe política, o presidente Jair Bolsonaro pediu ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que fizesse a intermediação para o encontro.

 

Alcolumbre ligou, então, para Gilmar, que logo providenciou uma reunião em sua casa. O ministro Dias Toffoli, que deixou a presidência do Supremo no último dia 10, também foi convidado para a conversa. Com Kassio Nunes Marques a tiracolo, Bolsonaro fez elogios à Corte e afirmou estar confiante na independência e harmonia entre os Poderes.

 

Ex-vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região, Kassio teve a indicação aprovada pelos magistrados do STF, que foram surpreendidos com a escolha. O decano Celso de Mello vai se aposentar no próximo dia 13 e, até pouco tempo atrás, Kassio era cotado não para essa vaga, mas para ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

 

A conversa na casa de Gilmar durou duas horas, das 19h às 21h, e ocorreu em clima descontraído. Toffoli e Gilmar são os dois principais integrantes da ala crítica à Lava Jato no Supremo e têm uma relação próxima com Bolsonaro. Os dois sempre aconselharam o presidente a baixar o tom quando protestos contra a Corte faziam barulho na Praça dos Três Poderes.

 

Assessores do presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, não souberam informar se o ministro foi informado por Bolsonaro da escolha.

 

O favoritismo de Kassio na corrida ao Supremo pegou boa parte do governo de surpresa na manhã desta quarta-feira, 30. O Estadão apurou que o seu bom trânsito,  tanto no Congresso quanto no Judiciário, pesaram a favor da indicação. O desembargador já tinha bom relacionamento com Gilmar e com Toffoli.

 

Outro ponto a favor foi o fato de ele ser do Piauí. A possível indicação de Kassio é um gesto de Bolsonaro ao Nordeste, região da qual o presidente busca se aproximar, já de olho nas eleições de 2022.

 

Nas redes sociais, o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas, comemorou o favoritismo do conterrâneo.

 

Segundo integrantes do governo, o nome do desembargador surgiu e se apresentou como uma solução para os problemas de Bolsonaro, que tinha como opções os ministros da Secretaria-Geral, Jorge Oliveira, e da Justiça, André Mendonça.

 

A avaliação é a de que os dois ministros ocupam cargos-chave e a indicação de qualquer um deles implicaria em uma obrigatória mexida no governo. Oliveira está também no comando da Subchefia de Assuntos Jurídicos (SAJ), órgão responsável pelos atos jurídicos do presidente, e para o qual Bolsonaro não abre mão de uma pessoa de confiança.

 

Oliveira poderá ser indicado para uma segunda vaga no STF, no ano que vem. Até lá o escolhido por Bolsonaro para a Corte terá a tarefa de criar um ambiente menos hostil ao ministro da Secretaria-Geral, criticado por não ter um currículo jurídico robusto.

 

Bolsonaro já havia dito a auxiliares que queria para o Supremo um ministro com idade de até 50 anos – Kassio tem 48 –, e com bom relacionamento no Judiciário e no Congresso. O mandato de ministro do STF é vitalício e a aposentadoria compulsória ocorre somente aos 75 anos. O presidente estava atrás de um nome de confiança, que contemplasse seus interesses e ficasse por muito tempo à frente da Corte. (COLABOROU TÂNIA MONTEIRO)

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Lula volta ao ringue político e se prepara para testar influência nas municipais

O ex-presidente Lula participa de debate em Berlim, Alemanha, em 10 de março. RICARDO STUCKERT/INSTITUTO LULA

Do El País

Na semana em que se comemorou a independência do Brasil, um movimento atraiu as atenções. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) claramente mostrou que estava de volta ao ringue político-eleitoral. Aproveitou a data patriótica do 7 de Setembro para, em um vídeo divulgado nas redes sociais, fortalecer a polarização com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Apostou como nunca num discurso pró-minorias, teceu críticas ao Governo e ao manejo da pandemia, falou de economia e política externa. Ensaiou apontar soluções. Fez questão de publicar versões do discurso em espanhol, inglês e francês. Com seus 23 minutos de vídeo, lançou de vez um questionamento: Lula será candidato à sucessão presidencial em 2022? A pergunta foi feita até pela consultoria de risco político internacional Eurasia. No que depender do Judiciário, a resposta hoje seria não. Ele tem condenações por corrupção em segunda instância na Justiça e, portanto, é considerado ficha-suja. Pelas regras atuais, quem for condenado por um colegiado de juízes não pode disputar o pleito.

E os embates com a Justiça estão longe de acabar. Além de ser réu em seis processos, nesta segunda a força-tarefa da Operação Lava Jato resolveu fazer uma nova denúncia contra Lula, acusando-o de lavagem de dinheiro ao receber doação da Odebrecht para seu instituto. A defesa do petista rebateu: disse que os procuradores não têm nenhuma prova nas mãos e apenas reagem aos reveses recentes que a Lava Jato sofreu no Supremo Tribunal Federal.

De fato, o clima tem estado mais hostil para a Lava Jato na mais alta Corte. O que eleva a esperança dos petistas de que Lula possa sonhar com a candidatura é uma possível vitória no Supremo nos processos que pedem que o ex-juiz Sergio Moro, que deixou a magistratura para se tornar ministro de Bolsonaro, seja considerado suspeito por ter condenado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Um deles, que deve ser julgado até novembro, trata da sentença de nove anos e meio de prisão que Moro emitiu contra Lula no caso do tríplex do Guarujá ―a condenação foi aumentada para 12 anos posteriormente pela segunda instância. Esse processo tramita na Segunda Turma do STF, já tem dois votos contrários a Lula (Cármen Lúcia e Edson Fachin) e duas sinalizações de apoio ao petista (Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski). Mendes pediu vistas do processo e prometeu levá-lo a julgamento antes de novembro, quando o outro ministro da turma e potencial voto de minerva, Celso de Mello, deverá se aposentar compulsoriamente.

Para o cientista político Paulo Cesar Nascimento, professor da Universidade de Brasília (UnB), a fala do ex-presidente serve para incentivar o clima de radicalização e polarização com Bolsonaro, num momento em que o presidente vive um momento de alta de popularidade. O sucesso da estratégia ainda é incerto. “O Lula está de volta ao ringue. Mas ele já não depende mais só de si mesmo. Sua vida está presa ao que o Judiciário decidir. Enquanto isso, o PT continua se prendendo a figura de seu principal líder”. E essa polarização é que os dois lados querem.

Na direção petista, há a forte defesa da candidatura do ex-presidente. “Não há outra liderança que faça um contraponto ao Bolsonaro como ele faz. Por isso insistimos no nome do Lula”, diz a presidenta da legenda, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR). A aparição de Lula nas redes sociais estava sendo programada há alguns meses. E a ideia era de parecer com um discurso de estadista, preocupado com a população. “Há tempos ele queria falar do Brasil, para o Brasil. E principalmente da questão da soberania, da democracia e da liberdade. Queria fazer um discurso que tivesse começo, meio e fim”, afirmou a deputada.


Prova de fogo


Um teste para saber se seu discurso ainda está reverberando junto aos seus eleitores será nas eleições municipais de novembro próximo. Lula será cabo eleitoral nas principais cidades em que o PT tiver candidato. Com a pandemia de coronavírus, sua participação será virtual, com a gravação de vídeos para seus aliados. Como estratégia de fortalecer sua hegemonia na esquerda, o PT prevê lançar concorrentes às prefeituras de 1.531 dos 5.568 municípios brasileiros ―mas,mesmo em bastiões tradicionais como São Paulo, enfrenta problemas, com candidatos pouco competitivos. A legenda deve fazer poucas alianças com outras siglas, como o próprio Lula sinalizou no discurso de 7 de setembro. Em nenhum momento ele tratou do tema em sua fala. O mais próximo que chegou disso, conforme a própria presidenta da legenda, foi quando disse: “Não contem comigo para qualquer acordo em que o povo seja mero coadjuvante”.

Ao decidir fazer um longo discurso exclusivo nas redes sociais, Lula tenta expandir sua influência para uma rede até então dominada por bolsonaristas. Até esta segunda-feira, dia 14, o longo discurso de Lula tinha cerca de 740.000 visualizações ―quase sete vezes mais que os quatro minutos da fala de Bolsonaro em rede nacional no mesmo dia 7. Em seu discurso, o atual mandatário falou que é a favor da liberdade das pessoas, que defende a Constituição e a democracia, e citou, entre outros temas, a “sombra do comunismo”.

Um comparativo feito por Pedro Bruzzi, sócio da consultoria de análise de mídias sociais Arquimedes, e publicado no site da revista Piauí, mostra que Lula conseguiu o raro feito de superar Bolsonaro no YouTube. Mas ambos perderam para o neófito deputado André Janones (AVANTE-MG) que em duas lives no Facebook no mesmo 7 de setembro obteve quase 4 milhões de visualizações, ultrapassando Bolsonaro e Lula ao falar do alto preço do arroz, um fantasma que vem assombrando o Governo e que não aparece no radar do petista. Ainda é cedo para dizer o quanto de estrago a inflação dos alimentos fará na recém reforçada popularidade de Jair Bolsonaro, que angariou mais simpatia nas classes mais pobres justamente por causa do amplo programa de transferência de renda iniciado durante a pandemia, cujo futuro no ano que vem ainda é incerto. O auxílio emergencial pago também aos beneficiários do Bolsa Família, uma marca dos anos Lula, pode ser o atalho perfeito para os planos de Bolsonaro de rebatizar de vez o programa e apagar o que resta da memória de bonança dos anos de seu maior adversário.

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Áureo Cisneiros é o nome que mais agrega ao lado de Marília como candidato a vice


Dos três nomes mais cotados do Partido Socialismo e Liberdade – Psol para ocupar a vaga de vice na chapa da pré-candidata Marília Arraes ao cargo de prefeita da capital pernambucana, com total certeza o nome que mais agrega é o do presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol), Áureo Cisneiros.

Os outros dois nomes que também figuram entre os cotados está o de Dani Portela, que foi candidata a governadora de Pernambuco em 2018, o da deputada estadual Jô Cavalcanti, que integra o coletivo Juntas na Assembleia Legislativa do Estado – Alepe.

Como presidente do Sinpol, Áureo pode trazer a simpatia da categoria das forças policiais a candidatura de Marilia, agregando a sua história de lutas pela esquerda no estado, Áureo também lidera o movimento antifascista na polícia.

Para o Psol não seria interessante indicar o nome da deputada estadual Jô Cavalcanti, já que ela vem fazendo um bom trabalho na Alepe, sua indicação deixaria o partido sem sua representatividade naquela casa legislativa.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Vacina da gripe não supera 50% de eficácia, após décadas de aperfeiçoamentos

Enfermeira prepara vacina para a campanha sazonal contra a gripe. IVAN ALVARADO / REUTERS

Do El País

Há dois anos, quando o coronavírus ainda não se tornara o patógeno que mais concentra a atenção do mundo, o vírus da gripe matou, só na Espanha, cerca de 15.000 pessoas e levou 52.000 a serem hospitalizados. Em um momento em que se busca obter uma vacina eficaz para evitar a covid-19, a imunização contra a gripe mostra a dificuldade de se criar profiláticos eficazes. Em um bom ano, a vacina contra a gripe protege entre 50% e 60% dos que a recebem. Em 2018, sua eficácia só chegou a 25%.

O vírus da gripe é elusivo, muito diverso e com rápida mutação, algo que o mantém atualizado na corrida armamentista com o sistema imunológico humano e contra as vacinas que são criadas todos os anos. Como no caso do SARS-CoV-2 ―em que um dos objetivos principais da vacina é a espícula com que ataca as células humanas―, para impedir a entrada da gripe são produzidas vacinas que protegem contra a proteína hemaglutinina, aquela da qual o vírus da gripe se vale para aderir às nossas células. Essa proteína, infelizmente, tem grande capacidade de mutação e de evadir as vacinas.

Nesta segunda-feira, em artigo publicado na revista Nature, um grupo de pesquisadores liderados por Ali Ellebedy, da Universidade Washington, em St. Louis (EUA), se concentrou nos esforços para entender por que não se consegue imunizar mais pessoas e quais poderiam ser as estratégias de melhoria. Um dos fatores pode ser precisamente a exposição anterior a um vírus tão comum como o da gripe. Em pessoas que já foram infectadas antes com outras cepas, a vacina, que é criada todos os anos para proteger contra as versões da gripe que são consideradas as mais comuns nesse momento, fomentaria a resposta do sistema imunológico a essas infecções anteriores, e não contra novas cepas.

Em busca de vacinas mais eficazes, os autores analisaram os gânglios linfáticos, estruturas que servem de centros de treinamento para os linfócitos B. Outras células do sistema imunológico levam os vírus para lá, e esses linfócitos geram anticorpos para combater a infecção. Assim que nosso corpo entra em contato com um patógeno, guarda-o na memória para responder com mais rapidez em um contato posterior. Isso geralmente é bom para infecções mais leves, mas pode diminuir a eficácia de uma vacina. “Se nossa vacina contra a gripe estiver direcionada a essas células de memória, essas células responderão às partes do vírus que não mudaram em relação às cepas anteriores”, explicou Ellebedy em um comunicado de sua instituição. “Nosso objetivo é centrar a resposta imunológica nas partes do vírus que são diferentes a cada ano”, acrescentou.

Os autores testaram uma nova vacina em oito voluntários que já haviam sido imunizados contra a gripe na temporada 2018-2019. Na maioria dos casos, a vacina desencadeou a resposta dos linfócitos B já treinados por vacinas anteriores, mas apenas em três dos pacientes houve um treinamento específico de linfócitos B novos com uma resposta específica às novas cepas. “Nosso estudo mostra que a vacina contra a gripe pode provocar uma resposta em ambos os tipos de células nesses centros germinais, mas não sabemos com que frequência isso acontece”, disse Ellebedy, que aponta esses nódulos linfáticos como um lugar-chave para melhorar a porcentagem de pacientes que acabam protegidos pelas vacinas contra a gripe.

Na longa luta contra a gripe, outros pesquisadores buscaram maneiras de evitar a grande capacidade do vírus para alterar as partes de sua estrutura que as vacinas atacam. Para evitar a versatilidade da hemaglutinina, há grupos de pesquisadores que buscam atacar os talos que ligam essa parte-chave ao resto do vírus. Por ser muito menos mutável, uma vacina que o anulasse permitiria produzir vacinas mais duráveis.

Há dois anos, um grupo internacional de cientistas publicou na Science os resultados de um trabalho em que usaram anticorpos de lhamas para criar vacinas tendo como alvo o talo que sustenta a hemaglutinina. Esta vacina ofereceu imunidade quase universal em camundongos. Se esses resultados pudessem ser transpostos para os humanos, uma ou duas injeções proporcionariam proteção geral contra a gripe e não seria necessário criar novas vacinas para se adaptar às mudanças anuais do vírus.