quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Presente de Primo


Givaldo Calado de Freitas *


“Ah! Já sei. Você gostaria que eu fizesse expor grandes pintores como Giotto Di Bondone, Miguel Ângelo, Rafael, Ticiano, Da Vinci, Rubens... Não! Quem sou eu, amigo.”

“Ninguém me acredita. Mas digo que nunca o saquei da minha parede. E, para ele, olho e aprecio desde 1972.”

“O único das dezenas de presentes que recebemos que tem um lugar de desataque, e que é olhado e apreciado em nossos dias a dia.”

Na minha parede, faz anos, o presente do primo. “Mas sempre ele, Givaldo?” Perguntou-me, outro dia, um amigo dileto. Respondi: “Nessa parede que vejo todo dia, sim! Você não gosta do quadro? Alguma queixa dele? Alguma crítica sobre a obra? Ah! Já sei. Você gostaria que eu fizesse expor grandes pintores como Giotto Di Bondone, Miguel Ângelo, Rafael, Ticiano, Da Vinci, Rubens... Não! Quem sou eu, amigo.”

Continuei: “Quero te dizer que se ele está aí é porque gosto muito dele, e, para mim, ele tem um grande valor, sobretudo sentimental. É que fora presente de um primo meu, Gilberto. Faz anos. Muitos! Ninguém me acredita. Mas digo que nunca o saquei de minha parede. E, para ele, olho e aprecio desde 1972.”


A mim tenho dito que ele me lembra, a um só tempo, de meu casamento, e de meu primo, figura singular na amizade, na gentileza e na disposição com todos que o cercam. Enfim, no trato com as pessoas.

Contador das histórias da família, conhece-as nos mínimos detalhes. E as conta e canta como um grande intérprete. Fora ele que me presenteou quando do meu casamento com Emília, no distante 1972.

O único das dezenas de presentes que recebemos que tem um lugar de desataque, e que é olhado e apreciado, por nós, nos nossos dias a dia. Também podera. Uma obra de arte. Pena que não saibamos o nome de seu autor. Sabemos apenas que é paulista. Sua assinatura na obra é ininteligível e ilegível. Já fiz de tudo para traduzir, e nada. Mas, tudo bem! O certo é que gosto do quadro. E muito! E pronto!

Tenho, em residência, outros quadros de vários artistas. Todos, belíssimos. Mas esse meu amigo só implica com o quadro do primo. Será porquê de autor paulista, que retrata o homem a caminho da pesca como se só o nordestino pudesse fazê-lo?

Quer saber, amigo, o quadro do primo vai continuar na minha parede porque ele me presenteou com muito gosto e carinho. E gosto dele. E estamos conversados. Não tenho viés regional. O Brasil, para mim, é único. Indivisível.

* Acadêmico. Figura Pública.

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