quarta-feira, 16 de maio de 2018

Gosto de Sampa - Bom Dia I


Givaldo Calado de Freitas *


Gosto muito de São Paulo. Vez em quando levo meu netinho, Guilherme, conosco - eu e Emília. Disse-o desta vez: “Vou a São Paulo me encontrar com sua avó. Quer ir comigo?”. No que ele me responde: “Quero vovô. Também gosto muito de São Paulo!”. “Então fale com seus pais”, disse-o.

Durante esses nossos dias a dia em São Paulo, estas linhas levarão o título de “Gosto de Sampa.” Nossa estada será no Maksoud, que sempre nos acolheu muito bem nesta cidade.

Emília, já em São Paulo, em nosso aguardo, já que aqui chegara desde sexta-feira (25), procedente de Paris, aproveitando as férias de nossas filhas, Germana e Giovanna, que moram nos EUA. Cheguei a perguntar: “Por que só as três?”. E ela me respondeu: “Viagem só de mãe e filhas”. Fiquei na minha. Mas com uma pontinha de ciúme. Fazer o quê?!

Nosso desembarque, ontem, (31) - meu e de Gui - se deu por volta das 13 horas, no aeroporto de Congonhas, de onde partimos direto para o Maksoud. Lá, Emília já nos aguardava. De lá, saímos para almoçar, e só viemos a fazer Check In por volta das 16 horas. E por lá ficamos. E por lá jantamos. No “150”, restaurante do hotel. Muito bom!


Só agora, quase 10 horas da manhã deste 1º.09.2017, abrimos os olhos. Abrimos? Eu, pelo menos, ainda na dúvida: abrir ou não abrir?

Gui, de "falador ligado", dizendo dos hábitos de seu professor de mandarim: “Ele toma café da manhã, pelo menos uma vez por mês, em um hotel chique da cidade”. Tive vontade de pedir a Gui para perguntar ao seu professor se ele já tomara café da manhã no Palace. Balbuciei, todavia: “falador ligado”. “Que é isso vovô?”, perguntou-me.

“É um eufemismo, Gui. Cá pra nós. Às vezes sou meio eufêmico. Ou seja: substituo expressões por outras mais suaves. Como não gosto de usar a expressão ‘sujeito tagarela’, ‘sujeito matraqueador’... suavizo essas expressões e digo ‘sujeito falador’. Aí quando o sujeito está naquele estado, lá venho eu e digo: ele está com o ‘falador ligado’.”

Silêncio, todavia, diante das gostosuras das camas. Que pareciam, nelas, nos segurar. No mínimo, por terem gostado de nossas presenças.

Emília, “ligando o falador", começa dizendo da nova concepção de aluguéis em São Paulo: “Um espaço, um vão..., alugado para tantos exporem seus produtos, disse-me Aparecida”. Com quem Emília esteve por esses dias. Ela que mora em São Paulo. "Vou falar com Dinho sobre o assunto".  E por aí, ia, ia. Sem parar. Com o seu “falador” disparado.

Eu, dizendo a mim mesmo: não se dorme nessa cidade. Nem no Maksoud. Templo sagrado de Sinatra. Sim, de Frank Sinatra. Quando de suas incursões pelo Brasil. Que horror! Que horror! Não se dorme...

De repente: “Minha gente! Vamos embora! Se não vamos perder o café da manhã”. A ordem, não precisa dizer. Sabe-se de sua autoria.

Verdade, digo eu, que, ainda sonolento, ouvi Emília, perguntar, ato contínuo: “E a programação de hoje?”. Digo-a: “É com Gui. Passou horas montando. Certamente fazendo pesquisas, entrevistas... para saber do bom em São Paulo. Não vamos contrariá-lo. Vamos cumprir seu programa. E, integralmente. Neto é neto. E avós são para isso mesmo”.

Descemos para o café. Uma beleza! Tudo! A começar pelo encanto, educação e atitude receptiva do controle do “Restaurante 150”. Lá dentro, os garçons muito servis e diligentes. Sobre as mesas, um anúncio: “Não hesite em solicitar a um garçom o que desejar”. “Mas que lindo!”, disse. Claro que a mim mesmo. Coisa de quem sabe das coisas nesse ramo difícil que é a hotelaria. Salve a paixão! O hoteleiro tem que ser sempre, sobretudo, um apaixonado pela arte de bem receber.

E bem servir. Vou levar essa mensagem ao Palace. “Será que tenho que pagar algum direito autoral?”, pergunto a mim mesmo.

Penso em Emília: aqui ela está feita. Olho pra Gui e digo: “‘Tá’ sabendo, não é Gui? Aqui, no Maksoud, temos que comer muito, sobretudo no café da manhã”. “Vovó, ontem comprei sorvetes. Botei na geladeira e ele derreteu todo!”. “Gui, a geladeira da Unidade não tem congelador”, disse-o Emília.

“Emília, teste o anúncio e peça ao garçom para colocar os sorvetes de Gui no congelador”. Ela falou com o garçom, e os sorvetes de Gui vão voltar a serem sorvetes.

“Vamos, vovô. Vamos sair. Vamos!”. “Vamos, Gui. Mas vamos, todos, primeiro, ao Hospital Santa Catarina. Sua avó vai fazer um exame lá. Depois, a gente sai à execução da nossa agenda”, disse-o. “Nossa não, vovô. Minha!”. De certo, Gui. De certo! Coisa de neto para vovô.


* Figura pública. Empresário.

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