sábado, 28 de abril de 2018

Henrique Meirelles quer parte do espólio eleitoral de Lula

O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles

Com apenas 1% das intenções de voto e numa disputa ainda silenciosa com Michel Temer para ser o candidato do MDB ao Planalto, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles afirmou à Folha que só vai compor uma aliança com o PSDB caso os tucanos indiquem um vice para a sua chapa —e não o contrário.

“A conversa seria muito bem-vinda caso o PSDB decidisse nos apoiar, apontando um candidato a vice”, disse.

Ele quer conquistar fatia do eleitorado de Lula, sob argumento de que foi o responsável pelo crescimento da economia no governo do petista, período em que chefiou o Banco Central. Meirelles critica as pretensões eleitorais de Joaquim Barbosa (PSB) e avalia que “não é razoável” que restem tantas dúvidas sobre as ideias do ex-ministro do STF.

Por que sua candidatura não consegue decolar? Existe um baixo nível de informação sobre meu trabalho. Quando testes qualitativos mostram minha carreira, sendo presidente do Banco Central no governo Lula com sucesso e com o crescimento no governo Michel Temer, a reação é extremamente positiva. Tenho histórico sem questionamentos.

Sua principal dificuldade é o desejo de Temer de disputar a reeleição? Não. É direito legítimo do presidente. Vamos chegar a uma conclusão juntos sobre qual a melhor chapa para o MDB. O partido terá o seu candidato a presidente.

Temer tem vantagem com a máquina e o apoio de caciques do MDB. Como superá-lo? Não há competição, há cooperação. Faremos considerações eleitorais e veremos, no devido tempo, quem é o melhor candidato.

A baixíssima popularidade e as investigações que avançam sobre Temer inviabilizarão a reeleição? Esse será um julgamento a ser feito por ele.

Mas o sr. diz que vão tomar a decisão juntos. São duas coisas: questões judiciais, e isso é tratado pelos advogados e por ele, e a viabilidade eleitoral, que vamos discutir juntos.

Temer diz que é vítima de perseguição jurídica. O sr. concorda? Ele é vítima de ataques generalizados e não há dúvida de que há pessoas interessadas em atacá-lo.

Para tirá-lo da eleição? Talvez.

Se nem o sr. nem Temer chegarem a um patamar competitivo, qual será o plano B? Os testes qualitativos mostram que já sou viável. O MDB não precisa de um plano B.

É possível que o presidente feche acordo com Alckmin e o sr. seja vice na chapa do tucano? Não é a nossa decisão. Conversei com Temer e ele me autorizou a dizer que não acha isso aconselhável.

O sr. não será vice de Alckmin em nenhuma hipótese? Não consideramos essa hipótese.

O sr. está disposto a conversar com outros nomes do PSDB? Não há dúvida de que a conversa seria muito bem-vinda caso o PSDB decidisse nos apoiar, apontando um candidato a vice para a nossa chapa.

Joaquim Barbosa (PSB) ainda desperta dúvidas sobre o que pensa. Isso prejudica o debate? Prejudica a candidatura dele. Não é razoável ser candidato nesses termos. Ele vai ter que se posicionar claramente.

Uma aliança de centro-esquerda poderá ser maior que o centro pulverizado? Não. Existe uma dispersão da esquerda e nas intenções de voto do ex-presidente Lula. Há eleitores com boa lembrança do governo Lula, com inflação controlada, criação de emprego e país crescendo, da qual me orgulho como presidente do Banco Central. A disputa por esses eleitores do Lula pode ser mais ampla do que parece, inclusive acredito que haverá um grande número de eleitores que poderá estar disposto a votar na nossa candidatura.

O sr. tem a pretensão de pegar uma fatia do eleitorado de Lula? Não é pretensão, é constatação, na medida em que fui responsável pela estabilidade e crescimento da economia na época.

O sr. participou do governo Lula por oito anos, foi testemunha de defesa no processo do tríplex do Guarujá, mas agora defende a prisão do ex-presidente. Falta solidariedade? Não defendo a prisão, como não condeno. Quando fui listado como testemunha, não fiz defesa de ninguém. Perguntaram se eu soube de ato ilícito no governo dele e eu disse que não.

Como explicar que o sr. é apoiado por um grupo alvo da Lava Jato e sustenta um presidente investigado por corrupção? O fato de ele [Temer] ser investigado não quer dizer que foi julgado e condenado. Estamos trabalhando juntos e o país está tendo benefícios com isso. Se tem uma acusação, para isso tem a Justiça.

Alguns índices apresentaram melhora, mas a recuperação ainda é tímida. Sua passagem pela Fazenda ficou aquém do esperado? Não, ficou além. Conseguimos retirar o Brasil da maior crise da história e colocá-lo em um ritmo bom de crescimento. Controlamos as despesas públicas em pouco menos de dois anos.

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