sábado, 24 de março de 2018

Sonho


Givaldo Calado de Freitas *


Animado. Mais animado. Mais animado? Não. Não entendo o “mais animado”. Logo eu, que sou sempre animado. Que estou sempre de bom humor. Porque sou homem de fé. De muita fé. Que carrego no coração. Porque fora assim que me ensinou minha mãe. Com seu olhar sério, é certo. Contudo, carinhoso. De quem ostentava inquebrantável fé. Muita fé. Indizível fé. Fé até em seus sonhos. Quem sabe, sobretudo, em seus sonhos. Conquanto, querendo-os reais. Exequíveis.

Carregando todos os sonhos do mundo. Resguardo-me, todavia, na certeza de que não sou nada além dos sonhos que carrego comigo. Que alimento. Que renovo. Sonhos renovados. Os mesmos. Mas renovados. Meus sonhos. Sonhos meus. E ai de mim não fossem eles. Porque me alimentam. Porque me reoxigenam. Porque renovam minhas esperanças. Apesar do tempo. Do tempo que flui. Esse mesmo tempo que, para muitos, envelhece. Tira de moda. Mas que a mim, rejuvenesce. Porque vem de dentro de mim. Do coração. Que rejuvenesce. Da cabeça. Que se atualiza. Enfim, que em mim, levam-me à sensação de perseguir, sempre e sempre, o atual. O contemporâneo. Do dia. Novinho em folha. Que confere ausência ao passado. Mas que, dele, só como lição de vida.


Saio da minha alcova... Do meu lar... Todos os dias, agradecendo a Deus pelo novo dia. Sim, novo dia. Todo novo. E com os versos de Fernando Pessoa na mente. Que guardo sempre:

“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso.
Tenho em mim todos os sonhos do mundo.”

Meu Deus, eu quero continuar sonhando. Sonhando e realizando. Mas sempre segundo as Vossas graças. As Vossas vontades. Mas sonhando e sonhando, enquanto a Sua infinita bondade o desejar. E desses sonhos só hei de desistir quando o Senhor os tirar de meu ser. Que nada mais é, senão, um depositário de Suas vontades.


* Figura pública. Empresário.

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