terça-feira, 20 de março de 2018

Minha Turma


Givaldo Calado de Freitas *


Em casa. Em meu recanto, cercado de livros. De repente, ponho-me a observar a mais recente produção de Jáder Cysneiros. Que aprecio. E, por isso mesmo, tenho várias. Vejo, no entanto, que não a colocaram bem na parede.

Obra batizada com o nome de “Cortador de Cana” retrata um camponês em seu dia a dia, agachado no canavial, em sua labuta, como bom cortador dessa cultura na nossa Zona da Mata. No que pese a beleza da obra - horizontal -, fora colocada verticalmente na minha parede, dando-lhe um visual horrível e ficcional. Portanto, aquém da obra. Muito aquém...

Puxa. Que horror! Digo e penso: “Que falta de cuidado e zelo mínimo... Bastava terem observado e conferido a posição da assinatura do autor, tão visível na obra e na sua posição horizontal”.

Mais adiante, na mesma parede, vejo alguns diplomas a mim conferidos nessa minha jornada. Um deles, no entanto, chama-me a atenção e me remete a um passado que não consigo olvidar, a despeito dos anos que se foram. Do tempo. Meu diploma de graduação. De repente, na minha mente, a imagem de tantos colegas, levando-me a uma grande saudade. Saudade daquele dia. E com ele, dos colegas. Dos meus pais. Dos meus irmãos. Enfim, parentes presentes àquela data - 10 de dezembro de 1971.

Vou ao álbum de fotos daquele dia. Para quê? A saudade apertou-me mais intensamente. Começo a identificar vários de meus colegas. Vários que já se foram. Alguns deles muito próximos a mim. Agrava-se a intensidade de minha saudade.


Já faz anos. Muitos anos. Algumas décadas. De repente, percebo que aquela data se aproxima de novo, fechando mais um ano. Já que, hoje, 30 de novembro de 2014. Portanto, 43 anos. Exatas quatro décadas e três anos.


Ligo para alguns dos meus colegas. Lembro-lhes a data - 10 de dezembro - e, desesperadamente, cobro-lhes um reencontro, uma confraternização, um companheirismo... Enfim, um dia e uma noite diferente com todos. Ou, se preferirem, um repouso por alguns dias em algum resort da nossa zona sul, quem sabe, Porto de Galinhas ou alguma cidade do interior. Que já vou sugerindo: Garanhuns. E até em homenagem ao nosso primeiro ano, quando, aqui, estivemos em excursão. A muitos pergunto por vários. Mas não fico satisfeito com algumas das respostas. Na verdade, bate-me uma profunda tristeza. E fico a dizer: “Não! Não é possível. Você não fala sério!”, acentuo. De uma colega, talvez das mais próximas de mim naqueles tempos, ouvi: “Temos, Givaldo, que aproximar mais esses nossos reencontros. Afinal, o tempo flui, e urge que assim façamos. E, por isso, temos que aproveitar melhor o que nos resta”.

Torço para que este ano venhamos a nos reencontrar mais uma vez. Torço!


* Figura pública. Empresário.

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