segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Pedro Hugo


Givaldo Calado de Freitas *


Pedro Hugo Maranhão Fernandes. Amigo dos amigos - sempre me disseram!  E eu, aqui, registraria, dentre tantos, dois: o meu cunhado Celso Benigno Silvestre Valença e José Luiz Fernandes Zoby. Amizades que vêm de longe... De crianças. De pré-adolescentes. De adolescentes... De toda uma vida. Com Pedro convivi muito pouco. Ou quase nada. Até porque, de outra geração. De outro ofício. Mas acompanhei, de longe, alguns passos de sua vida. De sua trajetória. Do bom profissional que foi. Do político da época difícil da Ditadura. Dos Atos Institucionais e Complementares. E dos “Pacotes” que os recrudesciam. Que cassaram vocações. Que impediram o surgimento de outras tantas. Para o amanhã. Para o porvir. Que escureceram o futuro deste país, inibindo e desencorajando a juventude da época à prática da atividade política. Ao exercício do espírito público.

Bom de bola, Pedro jogava no então Bairro do Arraial da cidade e, dentre os “peladeiros”, tinha Neném, com quem disputava a taça dos melhores da época.

Sim, Neném. Ele que, como Pedro, mudaria de profissão para ser, mais tarde, famoso com sua sanfona - o nosso Mestre Dominguinhos. Que voltaria, mais tarde, depois de percorrer todo este país, ao seu “aconchego”.

Não me saem da cabeça os seus versos:

“Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo um sorriso sincero
Um abraço para aliviar meu cansaço
E toda essa minha vontade.

Pedro foi ser médico - e dos bons! -, com residência em cirurgia e especializado em cirurgia infantil, tendo feito história na cidade como grande profissional que era.   

Deus chamou Pedro Hugo neste último 23 de fevereiro, pertinho de seu aniversário, já que colheria mais uma rosa no jardim de sua existência, em data de 28 de fevereiro, cinco dias, portanto, antes da festa que fariam, com certeza, por aqui, em sua homenagem, sua esposa, seus três irmãos, quatro filhos, dez netos e indizíveis amigos.

Pedro Hugo teve breve incursão política em Garanhuns. E em época difícil. Muito difícil... À atividade. Conquanto a Ditadura. Com seus Atos Institucionais e Complementares. E, com estes, seus “Pacotes”.  Seus Entulhos Autoritários, que, reunidos em Decretos-Leis, recrudesceram mais ainda o regime, roubando a esperança de tantos que sonhavam com a volta da democracia ao país, que só viria ocorrer muitos anos depois, em 1985. Foi nessa situação jurídica-eleitoral que o nosso personagem disputou as eleições de prefeito de Garanhuns, ganhando e não levando por não ter conseguido superar o somatório dos votos obtidos pelos candidatos do então PDS. 

Imagino que, por isso, Pedro Hugo desistiu de sua passageira incursão política. Quem sabe? Desiludiu-se. Decepcionou-se...

Não era, no entanto, para lhe ter ocorrido isso. Até porque, penso, ele teria sido o grande vitorioso moral naquela eleição. Mas, certamente, sem vocação, tornou-se recluso da sua desilusão. Da sua decepção... E tudo por conta dos entulhos, que somente seriam expurgados, definitivamente, da legislação eleitoral brasileira, através da Emenda Constitucional 25, de maio de 1985, que passou a permitir coligações partidárias. Que suprimiu as famigeradas sublegendas. Que extirpou do processo eleitoral o voto vinculado. Aberração que obrigava o eleitor a votar, no mesmo partido, de vereador a governador, e vice versa. E o candidato - caso seu partido rejeitasse essa regra - a lutar contra a soma dos votos, de até três candidatos de um mesmo partido adversário.

Penso, hoje, que Pedro Hugo não tinha vocação para esses embates. Como certamente, tinham o saudoso Ulisses Guimarães, a nível nacional, e Humberto de Moraes, a nível local. Embates que são perversos. Difíceis. Cruéis. Duros. Desiguais... E que continuam sendo ainda em nossos dias. Que dirá naqueles anos de escuridão. Quando esses embates aconteciam com regras, previamente, estudadas, medidas, elaboradas, dentro dos gabinetes. Longe do Congresso. Conquanto fechado. De recesso forçado. E, sobretudo, humilhado... Tudo de roldão, sem a oitiva de quem quer que seja. Além deles mesmos que pensavam, igualmente. E tudo porque o poder não havia perdoado 1974, quando a maioria esmagadora da população brasileira disse, enfática e eloquentemente: “Basta! O perigo passou!” E numa eleição para renovação de 1/3 do Senado, 16 das 22 cadeiras foram preenchidas pelos que pregavam o “Basta!”. 72,72%, portanto. Representada pela oposição. Pelo então MDB. “Queremos a democracia de volta”, diziam.

Tivesse Pedro Hugo perseverado. Marchado em frente, penso que ele teria sido convocado, novamente, para outros embates. Quem sabe em 1988? Ou em 1992? Tantas eleições houveram depois da sua. Depois de 1982.  E de presságio em presságio - vencendo infortúnios, representados pelos casuísmos do dia, estamos construindo o futuro da pátria que queremos: democrática, fraterna e com oportunidade para todos. 

Descanse em paz, Pedro Hugo. Seu nome ficou na história política de Garanhuns como mais um de nós que caiu em pé. Com dignidade. Com lealdade. Com coragem. A serviço de Garanhuns e de sua gente.


* Figura pública. Advogado de empresas. Empresário.

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