sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Mestre Dominguinhos


Givaldo Calado de Freitas *


Escrevi, outro dia, melancolicamente... Em pleno Festival de Inverno de 2013. Era 24 de julho daquele ano:

“Dominguinhos morreu. Estou triste! Muito triste! E, comigo, todo o povo brasileiro. Particularmente, todo o povo nordestino. E, ainda mais, particularmente, todo o povo da cidade de Garanhuns. Cidade que o viu nascer.”.

Cheguei à Esplanada, muito animado. Com Emília e um grupo de amigos e amigas para assistirmos ao show de Andrea Amorim. Ela, como Dominguinhos, nasceram em Garanhuns, e ela, hoje, faz sucesso lá fora, inclusive no exterior, agora abraçando a Bossa Nova.

De repente, a notícia: morreu Dominguinhos. Eu, todos e todas, fomos acometidos de uma profunda tristeza e de um sentimento de perda irreparável. Que, no fundo, viria a prejudicar o nosso entusiasmo diante do show que se anunciava da nossa cantora revelação.

Garanhuns deve muito a Dominguinhos. O nosso cantor-poeta sempre levava consigo, para o Brasil inteiro, as belezas e os encantos de nossa cidade. E ele o fazia com toda a sua genialidade, mas com aquela simplicidade que encantava a todos e a todas. Daqui, e de todo esse imenso Brasil.

Os versos de suas canções encarnavam alguma coisa que transcendia e transpassava os nossos sentimentos. Senão, vejamos esses: “Estou de volta pro meu aconchego / Trazendo na mala bastante saudade / Querendo um sorriso sincero, um abraço / Para aliviar o meu cansaço / E toda essa minha vontade. / Que bom poder estar contigo de novo / Roçando o teu corpo e beijando você / Pra mim, tu és a estrela mais linda / Teus olhos me prendem, fascinam / A paz que eu gosto de ter. / É duro ficar sem você vez em quando / Parece que falta um pedaço de mim / Me alegro na hora de regressar / Parece que vou mergulhar / Na felicidade sem fim”.


Agora, não vai faltar mais esse pedaço, Mestre Dominguinhos. E sua alegria, esteja onde você estiver, será plena porque você regressa para onde saiu. E vai mergulhar, eternamente, na felicidade sem fim.

A Esplanada Cultural Guadalajara vai ter que mudar de nome. Se é que já não a chamávamos de Esplanada Cultural Mestre Dominguinhos, tamanha a sua presença em seus festejos. Que você tanto apreciava, certamente, recordando seus tempos de menino, cantando e tocando pelas ruas de nossa cidade.

Mas sinto que não basta que troquemos o nome da Esplanada .

Queremos, nós da terra de Dominguinhos, que lhe seja cumprido o seu maior desejo. O de ter o seu descanso eterno na sua querida cidade de Garanhuns, “onde o nordeste garoa” porque foi, aqui, onde tudo começou. Porque foi, aqui, que o Rei do Baião o descobriu para você reinar, em sua sucessão, como o grande Mestre Dominguinhos.

Garanhuns, por sua gente, pede à família de Dominguinhos a guarda de seus restos mortais, até para que seus filhos e netos não venham a dizer como Gabriel Garcia Márquez: “A gente não é de um lugar enquanto não tem um morto enterrado nele”.

Dominguinhos vem aí. E, daqui, de sua terra. De sua Garanhuns. Ele estará sempre, quem sabe? A cantar... “No meu Garanhuns / O forró é bom demais / Todo mundo se sacode / Cada vez querendo mais / Neve caindo / Ai, meu Deus, que coisa boa! / Suíça Brasileira / É a terra da Garoa / Quando chega o São João / É grande a emoção do povão / No Parque Ecológico Pau Pombo / Tem um relógio solar como atração / Foi lá que comecei com meus irmãos / Tocando na feira pra ganhar o pão / Tudo isso é motivo de recordações / Garanhuns, Garanhuns”.

Garanhuns recebeu Dominguinhos. Ele está de volta para sua terra em atenção e em homenagem ao seu desejo. E criou o “Viva Dominguinhos” para que ele, em tempo algum, deixe de ser lembrado e festejado. Como o será a partir de hoje, nessa IV Edição do “Viva Dominguinhos”. Para que ele, em templo algum, saia da memória de todos nós, garanhuenses.

Sem o menor fiapo de dúvida, o prefeito Izaías atendeu a não só um desejo de Dominguinhos. Mas a um desejo de toda a gente garanhuense.


* Figura pública. Advogado de empresas. Empresário.

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