terça-feira, 28 de novembro de 2017

Que Saudade!


Givaldo Calado de Freitas *


Estava a organizar e ordenar alguns álbuns de família. Ofício que carrega a gente de saudade. De emoção. De tantas emoções... De trabalho? Que nada! É prazeroso. De repente, surpresas mil. E mais surpresas porque eles registram passagens de nossas vidas, que imaginávamos apagadas de nossas memórias. E que, de chofre, a gente volta ao passado, e se reencontra com momentos que gostaríamos que voltassem. Em mãos, faz pouco, fotos de minhas filhas, Germana e Giovanna, com suas avós, Deolinda e Eulália.

Bate-me intensa saudade. Lembrança de momentos vividos com as duas. Uma, minha mãe. A outra, minha sogra. Delas, sempre tenho grandes passagens e lembranças a recordar. Que me apertam o coração. Para mim, duas Santas. No que pese de estilos de vida diferentes. Minha mãe, mais afirmativa, corajosa e agitada. Minha sogra, mais comedida, passiva e tranquila. Duas Santas, no entanto - repito. Santas pelo carinho e pelo amor que dispensavam a todos, indistintamente. Pobres e ricos. Brancos e pretos. Letrados e iletrados. Poderosos e oprimidos.


Irreprimivelmente dedico o maior respeito a todos os meus que se foram. Olho-os. Volto a olhá-los com solenidade e reverência. Que, às vezes, passa-me a lembrança do temor que deles tinha no limiar de minha existência. Nos meus verdes anos de criança.

Dos meus ancestrais, só conheci vovô Assis. “Coronel Assis”, como o chamavam. Não conheci minha avó Flora.

Minha mãe falava muito de sua doçura. De sua religiosidade. De seu apego às obras divinas. Foi meu “tio Luiz”, irmão de minha mãe quem, em vida, me presenteou com uma pintura, retratando a imagem de meus avós maternos. Há pouco mandei restaurá-la. E está, lá, na minha Galeria. 

Não tenho, no entanto, no meu acervo, nada que me lembre de meus avós paternos. Por quê? Nunca soube. Nunca me disseram. Gostaria tanto de vê-los em pintura para poder restaurar como fiz com a pintura da imagem de meus avós Assis e Flora. E completar minha galeria. Que cuido com tanta paixão. E com tanto orgulho.


Sou, incorrigivelmente, adepto dessas fotos do passado. Recentes, distantes... Sou, nesse ponto, à antiga. Gosto! Como diria a cronista Fátima Quintas, gosto de sentir a "consanguinidade dos ancestrais, de modo a cultuá-los com veemência.". Sobretudo quando registram encontros como esses: duas avós que se foram com duas netas que as queriam tanto.

Em minha casa, tenho um espaço só para esses registros. Aqueles que lá adentram, me dizem que gostam muito. Cobrem-me de elogios. Que espero sinceros.

Cultuo fotos, sobretudo de família. De ascendentes. De descendentes - avós, pais, irmãos, primos, filhos, netos... Enfim, de todos. Da consanguinidade. E daqueles e daquelas que se juntaram a ela. A essas fotos, dedico solenes altares e respeitáveis liturgias. Que me conferem a sensação de estar mais próximo do meu Criador. E esse estado me anima. E esse estado me enriquece. Faz-me bem. Deixa-me feliz.

Às vezes, em casa, desço para contemplá-las. E fico a dizer-me: faltam tantas. Tantas...


* Figura pública. Advogado de empresas. Empresário

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