quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Krause consulta Priscila antes e define decisão como "afetiva"

A deputada estadual Priscila Krause e o ex-ministro e seu pai Gustavo Krause

Uma consulta à deputada Priscila Krause precedeu a ida do ex-ministro Gustavo Krause ao ato de desagravo a Jarbas Vasconcelos. "A parlamentar é ela, não sou eu. Eu conheço a posição dela", pontua Krause, observando que, em sinal de respeito, julgou ideal saber se seria "embaraço" à herdeira a participação no ato. "Você deve ir. No seu lugar, eu também iria", devolveu Priscila. Ela tem atuado na oposição ao governo Paulo Câmara, cujo PSB traça uma rota de aproximação com o PT, o que torna a democrata ainda mais distante dos socialistas. "A atitude dela foi política. A minha foi afetiva", diferencia Krause. Leia-se: ele atribui a uma série de episódios da relação com o peemedebista o valor de amizade. Krause esteve, por exemplo, entre as primeiras pessoas a quem Jarbas confidenciou descontentamento e comunicou que não marcharia mais com Miguel Arraes ainda no início dos anos 90. Daí, Krause o orientou uma conversa com o, então, governador Joaquim Francisco, por quem Jarbas havia sido derrotado.

As passagens se somam no arquivo mental de Krause, incluindo um detalhe do dia em que ele deixou o Palácio das Princesas, em 1987. "Quando entreguei a chave do Palácio a Arraes, sabe quem me acompanhou? Jarbas Vasconcelos", recorda. E emenda: "Ele foi me levar até a porta do carro e com o povo demonstrando hostilidade ao que eu representava". Durante o ato de desagravo, Krause relatou, no discurso, ter sido, naquele tempo, procurado por um jovem, o qual contou a ele que deixaria o governo porque se aliaria a o outro conjunto de forças. Definiu essa pessoa como "realmente de talento, tinha ambição e tempo". O relato se encaixa no episódio em que Fernando Bezerra Coelho decidira romper com Roberto Magalhães, que lançara-se candidato ao Senado, o que levara Krause a assumir o governo em 1986. Indagado sobre o destinatário daquele relato, krause desconversa: "Quem quiser que bote a carapuça". (Renata Bezerra de Melo)

Nenhum comentário:

Postar um comentário