quarta-feira, 9 de agosto de 2017

'Distritão é uma nova jabuticaba, pode ser a morte dos partidos', diz professor

A fachada do Congresso Nacional - Câmara dos Deputados/Divulgação

Na reforma política que começa a ser votada hoje em comissão da Câmara, os deputados vão tentar aprovar o distritão, sistema que interessa aos parlamentares atuais pois aumenta as chances de reeleição. Usado só em quatro países - Afeganistão, Jordânia, e as ilhas do Pacífico Vanuatu e Pitcairn -, o modelo elege os mais votados, sem voto no partido.

Reportagem do GLOBO nesta quarta-feira explica que a articulação pelo Distritão ganhou força nos últimos dias. Dois especialistas ouvidos pelo jornal são críticos a este sistema:

David Fleischer, professor de Ciência Política da UNB:

"O distritão é coisa do Temer e do PMDB. Eles acreditam que podem ser beneficiados. Pode ser a morte dos partidos, perderiam muita importância. Vai reduzir o número de partidos (na Câmara) para nove ou dez. A distribuição dos recursos ainda vai fortalecer os grandes partidos. É melhor o voto distrital, porque reforça a ligação entre o eleitor e o eleito. O distritão é uma nova jabuticaba".

Roberto Romano, cientista político e professor de Ética da Unicamp:

"São medidas tomadas isoladamente. Se você opta pelo distritão, remove barreiras, mas o que vem de aprimoramento é pouco. Estamos entrando na tentativa de resolver um problema global, a crise de representatividade, com medidas parciais. É como se você pegasse uma peça de Rolls-Royce e quisesse fazer um carro eficaz e bonito. Temos é um fuscão caindo aos pedaços. Colocar peça de carrão não vai melhorar". (O Globo)

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