quarta-feira, 5 de julho de 2017

Para MPF, Geddel é ‘criminoso em série’ e faz do crime sua ‘carreira’

Ex-ministro Geddel Vieira chega à Brasília, após ser preso em Salvador - Reprodução TV Globo

O ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), preso em Salvador na última segunda-feira, foi transferido na tarde desta terça-feira da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, onde chegara na madrugada, para o Complexo Penitenciário da Papuda, localizado a 17 quilômetros do Palácio do Planalto, onde despachou até novembro do ano passado. O peemedebista vai ficar na ala para presidiários que têm curso superior, a mesma em que o ex-deputado e ex-assessor especial do Planalto Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) esteve preso.

Geddel desembarcou em Brasília em um avião da PF no início da madrugada de ontem. Imediatamente, foi conduzido para a Superintendência da PF, e passou a noite na carceragem.

Um dos mais próximos aliados do presidente Michel Temer, Geddel é acusado de tentar impedir eventual acordo de delação premiada do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, ambos presos.

Investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela PF apontam que no período em que esteve na vice-presidência da Caixa, Geddel associou-se a Funaro, Cunha e outros para facilitar a concessão de financiamentos a determinadas empresas em troca de propina. Só da JBS, do empresário Joesley Batista, o ex-ministro teria recebido R$ 20 milhões. Funaro seria um dos intermediários do pagamento.

INFLUÊNCIA POLÍTICA PARA OBTER BENEFÍCIOS

No pedido de prisão de Geddel, o MPF afirma que o peemedebista é um “criminoso em série”, que faz dos crimes financeiros e contra a administração pública “sua própria carreira profissional”.

Já o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, lembrou que o ex-ministro demonstrou ser capaz de usar a influência política em busca de favorecimento pessoal. O juiz citou como exemplo o episódio que causou a demissão do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero.

Na ocasião, Calero acusou Geddel de pressioná-lo para liberar o licenciamento de um prédio em Salvador, que tinha as obras embargadas pelo Iphan. O ex-ministro tinha um apartamento no imóvel.

A defesa de Geddel voltou a criticar o decreto de prisão preventiva e afirmou que irá recorrer da decisão. De acordo com o advogado do ex-ministro, Gamil Föppel, as provas apresentadas por MPF e PF são “frágeis”, e não há novas evidências na “Operação Cui Bono?”, que pudessem justificar a prisão. Geddel foi alvo da operação mencionada pelo advogado, suspeito de facilitar créditos da Caixa para empresas, em troca de propina

“Diante dos frágeis documentos que alegadamente serviram de embasamento para decretação da prisão preventiva, a defesa técnica do Senhor Geddel Vieira Lima vem reiterar a desnecessidade da gravosa medida cautelar”, disse a defesa, em nota.

“Com efeito, a representação formulada pela autoridade policial se limitou a exercício de infundadas conjecturas, sem elementos concretos que pudessem lastrear as suas suposições, o que apenas evidencia a fragorosa falta dos pressupostos e requisitos autorizadores da prisão preventiva”, acrescentou o advogado.

O presidente nacional do PMDB e líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), lamentou a prisão de Geddel e disse que o ex-ministro prestou “grandes serviços ao país”. Em sua opinião, a prisão não terá impacto na tramitação da denúncia contra Temer na Câmara.

— A prisão do ministro Geddel nos atinge pessoalmente. Lamentamos, é um amigo querido, uma pessoa que tem grandes serviços prestados ao país. A prisão é algo muito agressivo. Mas isso não impacta o governo. Estamos fazendo o dever de casa para recuperar o Brasil, apesar dos ataques e das flechadas — disse Jucá, em referência ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que no fim de semana afirmou que continuaria as apurações sobre Temer, usando a expressão “enquanto houver bambu, há flecha“. (Colaborou Cristiane Jungblut) (Do O Globo)

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