segunda-feira, 24 de julho de 2017

Balão

Givaldo Calado de Freitas*


“E hoje, e já há algum tempo, o perecido tem sido bem maior que as vendas do dia a dia”.
“Estou novo. Novíssimo. Esse o sentimento. De agora. Nessa quase tarde, chuvosa. Aqui, no Recife”.
“De repente, o celular toca, e me tira do deleite: diz-se do outro lado da linha: Balão faleceu. Fiquei incrédulo e atônito. A imagem de Balão veio-me logo à mente.”


Aqui, em Recife, lendo e escrevendo. No meu deleite. Sem as interrupções que tenho a cada minuto na minha cidade. Coisas do trabalho. De quem se mete a ser empresário neste país. Para sofrer. E sofrer. Para suportar uma carga tributária que engordam preços. Que, por isso mesmo, inviabilizam vendas. E, no meu caso, de uma mercadoria absolutamente, perecível. Não vendeu hoje, não tem essa de poder vender amanhã ou depois, não. Por que a de ontem já pereceu. Ontem, mesmo. Só vive doze horas por dia. E não mais. Das 12 às 24 horas.

Já há algum tempo, o perecível tem sido bem maior que as vendas do dia a dia. Há muito tempo.  Antes pela queda de destino de nossa cidade. Nesses últimos anos, além dessa queda, agrega-se a situação por que passa a econômica do nosso país. Que parece não acabar mais.

Realmente, tem sido difícil sobreviver numa situação como essa. Queda de poder aquisitivo. Desemprego. Aumento da descrença no país.


Mas, enquanto amargo essa conjuntura, peço a Ronaldo para abraçar a todos desse maravilhoso Lions Clube Garanhuns Cidade das Flores; justificar minha ausência à Assembleia, e dizer de meu entusiasmo diante das ações exitosas dos queridos Amigos e Companheiros, ao longo de seu mandato, já que ele está a passar a presidência do Clube a outro Amigo e Companheiro, José Paulo.

Também respondo a amigos: “Estou novo. Novíssimo. Esse o sentimento. De agora. Nessa quase tarde chuvosa. Aqui, no Recife. A mudança de atmosfera é muito importante. E para mim tem sido excelente. Recarrega-me todo. Dos pés à cabeça. E esta fica muito grata. Porque pra lá vão todos os problemas dos dias a dia da gente. Querendo soluções, não raro, milagrosas”.

E continuo: “Já pronto para uma nova jornada. Ou quase pronto. Parto de volta, amanhã, para a terra da garoa. A partir de segunda, tudo recomeça de novo. Dá-se o reencontro com a monotonia. Dá-se o reencontro com os problemas. Monotonia e problemas, que presidem as tarefas da gente”. 

De repente, o celular toca, e me tira do deleite: diz-se do outro lado da linha: Balão faleceu. Fiquei incrédulo e atônito. A imagem de Balão veio-me logo à mente. Também o seu olhar que inspirava confiança e crédito. Era uma satisfação na verdadeira acepção da palavra conversar com ele. Conversa séria, objetiva e honesta. Tinha grande simpatia por Balão, o querido Marcelo. Sempre que passava por perto de sua loja ia lá dar uma Olá pra ele e saber como iam os negócios. Sofríveis, Givaldo, essa a resposta, não só dele, mas da grande maioria do comércio da cidade.

Que Deus o tenha, Marcelo. Quero dizer: Garanhuns perdeu um grande filho. Que vivia a sua vida, em paz, e consciente do cumprimento de seus deveres para com seus irmãos. E fomentando essa paz e essa consciência a todos.  


*Figura pública. Advogado de Empresas e Empresário

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