quarta-feira, 7 de junho de 2017

O que os professores querem, você sabe? Nós aqui tentaremos lhe responder

Foto retirada de rede social

Na manhã desta quarta-feira (07), tivemos uma manifestação de parte dos professores da rede municipal de ensino de Garanhuns percorrendo diversas ruas da cidade. Tendo seu ponto de partida na praça da fonte luminosa, em frente ao colégio XV de Novembro, os manifestantes seguiram com destino a frente do Palácio Celso Galvão, onde ali chegando, fizeram discursos e gritaram gritos de ordem para os funcionários que ali trabalhavam. Se a intenção era protestar contra o prefeito, não deram sorte, pois o chefe do executivo municipal esta em viagem a Brasília em busca da liberação de recursos, de acordo com sua acessória, a qual nos informou que o prefeito só estará de volta ao seu expediente na prefeitura a partir da manhã da sexta-feira (09).

Com tudo isto que vem acontecendo desde a aprovação do Projeto de Lei 012/2017 por 11 votos a favor e 2 contrários, na manhã da última sexta-feira (02), na câmara de vereadores, muitos com certeza já se perguntou.

Afinal, contra o que os professores protestam?

O que eles querem?

Qual o motivo de tanta indignação?

O que tiraram deles para estarem tão furiosos?

Se tiraram, quem tirou, o prefeito? Ou foram os vereadores?

O prefeito e os vereadores estão contra a educação?

Se você já se fez alguma ou algumas dessas perguntas, de uma coisa não tenha dúvida, você com certeza não foi e nem será o único ou a única a já ter se feito uma ou mais dessas indagações, ou mesmo outras que não listadas aqui. Na verdade acho que a grande maioria das pessoas que já tomou conhecimento do que vem acontecendo já se fez pelo menos umas dessas perguntas. Eu mesmo me fiz várias.

Por este motivo, nós aqui do Blog do Cisneiros, iremos tentar destrinchar ao máximo o projeto aqui em questão, tim tim por tim tim, para que você possa aqui no Blog, encontrar suas respostas. E consequentemente formar sua opinião. Boa Leitura!


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Todos os professores foram beneficiados com o reajuste de 7,64%, ajustando o salario ao piso nacional da educação?
                   
Sim, todos os professores que receberam o reajuste de 7,64 se ajustando ao piso nacional, receberam de forma linear. Pois o projeto aprovado pelos 11 vereadores que votaram a favor só trata única e exclusivamente do reajuste dos professores. Nada mais que isso.

O que cortaram dos professores, salário ou horas/aula a mais que suas quantidades de horas/aula de direito, de acordo com o edital para o qual fizeram o concurso?

Falando numa linguajem bem coloquial, o que cortaram de 148 professores foram horas/aula complementares "extras", além das suas cargas horárias originais para as quais fez o concurso.

Imaginemos um funcionário que trabalhe no deposito de Ferreira Costa, no horário de 8 h às 12 h e dás 14 h às 18 h.

Suponhamos que no mês de abril a empresa comprou um grande carregamento de cerâmicas a mais e alguns dos carregadores do deposito foram contemplados com mais 4 horas de horas extras diárias durante todo o mês. Quando foram receber, ao invés de vim só o salário de 1 mil reais (salário fictício), veio no contracheque 1 mil e 500 reais.

O funcionário super satisfeito por ter recebido 500 reais a mais chega em casa e faz a festa, pois o seu supervisor, por ser muito legal, o deu mais 4 horas extras diárias durante todo o mês. O que consequentemente lhe rendeu um dinheirinho a mais no bolso.

Só que no mês seguinte, em maio, a empresa não vê mais a necessidade das horas extras a mais, e manda cortar, deixando todos nas suas cargas horárias originais, para as quais foram contratados. Coisa mais normal e sensata a se fazer em qualquer parte do mundo. Se não são mais necessárias as horas extras, não tem porque as manter.

Só que com os funcionários acostumados com os 500 reais a mais, pagos pelas horas extras, não aceitam não as terem mais. Com isso, resolvem protestar e exigirem que a empresa mantenha as horas a mais mesmo sem precisar. Usando as redes sociais para colocar a população contra a empresa, fazendo passeatas pela cidade e protestos em frente a loja contra sua administração.

Falando a grosso modo, é isto que esta acontecendo com os 148 professores da rede de ensino municipal em Garanhuns, de um total de mais de 1000. Pois a lei aprovada só afeta os chamados no ano de 2016 e agora em 2017, no inicio de janeiro. Todos aprovados no último concurso feito no ano de 2015, não afetando os concursados até o ano de 2011, estes tem direito adquirido, que é o caso da maioria dos lideres do movimento, estes não foram atingidos. Depois de 2011 a prefeitura só realizou um concurso para professores, que foi este de 2015, com estes 148 já chamados até o momento.

Muitos professores admitidos agora em janeiro para 150 horas, já estavam com 200 horas, concedidas pela secretária Kauely Almeida.

Estes a partir de agora irão voltar de imediato para sua carga horária de 150 horas originais, para as quais fizeram o concurso. Consequentemente, por não mais trabalharem estas 50 horas extras a mais, não irão mais receber por elas.

Mesma coisa para os que hoje estão com 180 horas, 30 horas extras a mais que as suas 150 horas de direito para as quais fez o concurso. Estes terão estas 30 horas extras a mais cortadas de forma gradativa, 10 horas extras serão cortadas a cada mês, até atingir as 30 horas extras que estão sendo pagas a mais. Trazendo o professor para as suas 150 horas originais para as quais fez o concurso.

Com os professores agora só dando as aulas para as quais fizeram o concurso, Professor I (150 horas/aula) ou Professor 2 (200 horas/aula), pode vim a faltar professor na rede de ensino municipal?

Sim. E isso é ótimo, temos de torcer para que falte, pois se faltar o município será forçado a chamar mais aprovados no último concurso de 2015, já tendo chamado todos os aprovados, terá de fazer novo concurso e já chamar de forma imediata. Dando assim mais oportunidades para muitos jovens profissionais entrando agora no mercado de trabalho. Gerando mais emprego e renda ao município e seus habitantes.

Com isto dito, muitos podem vim a se perguntar se além de estarem protestando para terem de volta suas horas extras, estarão também tentando manter uma reserva de mercado, impedindo a admissão de novos concursados? Continuando da forma que estava indo, com professor com até 430 horas/aula, quando teríamos um novo concurso?

Ouvi dizer que muitos professores que fizeram o concurso para professor nível I (150 horas/aula) e estavam com 180 horas/aula, 30 horas/aula complementares "extras" a mais, vão ser prejudicados com este corte, pendendo suas horas/aula extraclasse, isso é verdade?

Não. Todo professor, por força de lei federal, tem direito a cumprir 1/3 de sua carga horária em atividades extraclasse e 2/3 em sala de aula.

Antes de continuarmos você pode estar se perguntando, o que são atividades extraclasse?

Atividades extraclasse são todas e quaisquer atividades que os professores fazem em relação ao trabalho fora da sala de aula. Tais como corrigir e elaborar provas e trabalhos em casa, participar todas as semanas nas terças-feiras no turno da noite na escola do Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério (CEFAM). Para os professores que não participam do CEFAM, também é necessária sua presença todas as terças-feiras na escola, onde usam o tempo para elaborar atividades diversas, além de um sábado por mês pagarem aula atividade também na escola.

Quem já ouviu dizer que professor trabalha mais em casa que na escola? Eu já, e agora sei que eles recebem por isso.

Vamos às contas

Vamos usar como exemplo o professor de Nível I (150 horas/aula). Só lembrando que, como já publicado aqui no Blog do Cisneiros em matéria anterior (Clique aqui e relembre), por força de lei federal, só são facultados aos municípios a contratação de professores de Nível I (150 horas/aula) e Nível II (200 horas).

No caso Professor Nível I (150 horas/aula), 100 horas/aula da sua carga horária são em aulas dentro da sala de aula. As outras 50 horas/aula lhe são pagas por suas atividades extraclasse.

Para os professores de Nível II (200 horas/aula) vale a mesma coisa, guardando as devidas proporções.

De acordo com o MEC, todo aluno tem de ter 800 horas ou 200 dias de aula durante o ano letivo, onde os professores de Nível (150 horas/aula) e Nível 2 (200 hora/aulas) são divididos de acordo com a necessidade de cada escola no município pela secretaria de educação municipal.

Então, como acabamos de ver, não é verdade que os professores perderão horas das suas atividades extraclasse.

Com essas mudanças, estão dizendo que a aula agora vai ser de 60 minutos, uma hora completa, como também me disseram que agora os professores só darão aulas até a quinta-feira, ficando a sexta-feira sem professor, isso é verdade?

Como vimos na resposta acima, não, isso não é verdade. E como já dito aqui, caso falte professores, o governo municipal agora será obrigado a chamar mais aprovados do concurso de 2015 ou realizar um novo concurso, caso não tenham mais aprovados para serem chamados de imediato.


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Com isto posto, nós do Blog do Cisneiros, esperamos, mais uma vez, termos contribuído para o entendimento do porque desta insatisfação destes 148 professores da rede municipal de ensino de Garanhuns.

3 comentários:

  1. Pq n corta os privilégios dos políticos tbm?

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  2. Vc é tão entendedor do assunto , porque o reajuste não foi aplicado aos mais antigos, quem entrou no concurso anterior não teve um centavo de reajuste que seria para todos , cadê você dinheiro ????sabe responder?

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  3. Meu Deus!!! Vcs falam sem conhecimento de causa, conheço professores que não receberam nada de aumento ( e podem provar isso)! Outros com desconto injusto!!! Nós trabalhamos por hora aula e não hora relógio! A prefeitura não paga hora extra nenhuma!
    Imprensa fascista! Deixa claro quem tá por trás dela.

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