quarta-feira, 24 de maio de 2017

Mabel pede demissão e é o quarto assessor de Temer a deixar o governo

O então deputado federal Sandro Mabel (PMDB-GO), em sessão extraordinária na Câmara: 24/03/2013 - Reprodução - Site da Câmara

Sandro Mabel (PMDB-GO), assessor especial do presidente Michel Temer, pediu demissão na noite desta terça-feira. Em carta ao presidente, Mabel não justifica a saída do governo e agradece Temer pela "luta". O assessor especial, que despachava no mesmo andar do presidente, ocupava o mesmo cargo de Tadeu Filippelli, preso nesta terça-feira, Rodrigo Rocha Loures, flagrado recebendo R$ 500 mil da JBS, e José Yunes, que depois de sair do governo acusou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, de tê-lo usado como "mula" para uma "encomenda". A informação foi antecipada pelo G1.

Segundo delatores da Odebrecht, Mabel teria recebido caixa 2 da empreiteira na campanha de 2010. O ex-executivo Benedicto Barbosa disse aos investigadores que a empresa repassou R$ 140 mil não declarados a Mabel. Também em colaboração premiada, João Antônio Pacífico e Ricardo Roth afirmaram que o dinheiro enviado por caixa 2 chegou a R$ 100 mil.

Ainda em delações da construtora, o ex-assessor especial de Michel Temer foi implicado por José Carvalho Filho. Mabel teria feito parte de um esquema para aprovar uma medida provisória, com vistas a reduzir alíquotas do PIS/PASEP e da Cofins. Em troca, a Odebrecht pagaria R$ 2 milhões a Sandro Mabel, o ex-ministro Mario Negromonte (PP-BA), e os ex-deputados Pedro Corrêa (PP-PE) e Pedro Henry (PP-MT).

Nesta terça-feira, Filippelli foi demitido depois de ser preso em operação da Polícia Federal que investiga superfaturamento nas obras do estádio Mané Garrincha, em Brasília, para a Copa do Mundo. A operação foi baseada em delação premiada da construtora Andrade Gutierrez.

O superfaturamento na construção chega a quase R$ 900 milhões — com custo previsto de R$ 600 milhões, o estádio saiu a R$ 1,575 bilhão ao fim de 2014. Trata-se da arena mais cara de toda a competição. Também foram presos o ex-senador José Roberto Arruda (PR), que governou o DF de 2007 a 2010, e seu sucessor, o petista Agnelo Queiroz, que já foi ministro dos Esportes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Já na última semana, o também ex-assessor especial da Presidência Rodrigo Rocha Loures, em imagens reveladas pelo GLOBO, foi flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil de Ricardo Saud, diretor da JBS.

No começo de março, ele saiu do Planalto e foi exercer o cargo de deputado federal, já que é suplente do atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio. Outro funcionário que despachava no mesmo andar do presidente da República, José Yunes, saiu do governo no ano passado depois de ser citado em delação da Odebrecht como beneficiário de dinheiro da construtora. Yunes disse à Procuradoria-Geral da República que teria recebido uma "encomenda" a mando do ministro da Casa Civil. (Do Jornal O Globo)

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