sábado, 27 de maio de 2017

GARANHUNS - CIDADE UNIVERSITÁRIA

Por Givaldo Calado de Freitas

“Claro que ele se referia à vocação da cidade para o ensino. Máxime o ensino superior. [...] Foi aí quando surgiu a ideia da fundação e construção da Casa do Estudante de Garanhuns”...

A gente quando começa a pensar em Garanhuns, a gente tem que começar a pensar em Garanhuns das décadas de 50 e 60.
Nos anos 50 a história registra que teve um governador do estado que se referiu a nossa cidade como ”Cidade Universitária”. Na época, Garanhuns só contava com 03 Colégios - XV de Novembro, Santa Sofia e Diocesano.

Evidente que a mensagem do governador da época - Agamenon Magalhães - fora uma mensagem cifrada. É que ele pensava no porvir. Claro que ele se referia à vocação da cidade para o ensino. Máxime o ensino superior. E, quem sabe? Por seu clima, sua água...  A cultura de sua gente... E, de modo especial, a sua situação geográfica - próxima das capitais - ao sul, Recife e João Pessoa, Natal... Ao norte, Maceió e Aracaju, Salvador... - Afora as cidades do interior desses estados.

Ainda nos anos 50, certamente inspirados nas palavras visionárias do então governador, políticos e estudantes da cidade passaram a sonhar com a criação e implantação do nosso ensino superior. Foi aí quando surgiu a ideia da fundação e construção da Casa do Estudante de Garanhuns, para receber estudantes pobres, egressos daquelas cidades.       

Na época, era prefeito de Garanhuns Celso Galvão, eleito em 15.11.1951. Que teve mandato de 1951 a 1955, sendo, portanto o segundo prefeito de Garanhuns da pós-redemocratização, já que o primeiro fora Luiz da Silva Guerra, eleito em 15.11.1947.  A esse ideário, Garanhuns muito deve a ele e aos estudantes de época. Foi Celso Falcão quem assentou a pedra fundamental da Casa do Estudante de Garanhuns. Que, pouco depois, fora considerada precursora da sonhada Universidade. Já festejada como “Universidade do Agreste Meridional”.

Só na segunda metade da década de 60, no entanto, é que Garanhuns ganharia a sua primeira Escola de Nível Superior com a fundação e instalação de sua primeira Faculdade: a Faculdade de
Administração, no governo do prefeito Amílcar da Mota Valença, que fora vereador à época do prefeito Celso Galvão. De lá para cá, Garanhuns parece que correu para realizar o seu sonho. Sonho do passado. Que se renovava ao longo dos anos. Sonho do passado que se realiza, pouco a pouco, ainda em nossos dias, com a criação de mais e mais cursos. Hoje, Garanhuns conta com inúmeros cursos superiores - administração, engenharia, direito..., estes criados pelo município. Medicina, filosofia, letras..., estes criados pelo estado. Veterinária, agronomia, zootecnia..., estes criados pela união. Por isso se dizer: hoje, Garanhuns conta, praticamente, com três Universidades. Colocando a disposição de sua juventude, além dos chamados cursos tradicionais - engenharia, medicina e direito - dezenas de outros cursos.                    

Outras empresas, no entanto, Garanhuns iria abraçar. E, nestas, a disputa ocorrera também com a cidade de Caruaru.  Aqui, era prefeito, Amílcar da Mota Valença. Em Caruaru, João Lyra Filho. Um, como outro, puxando por sua cidade. “Eu vou mostrar que Garanhuns pode mais do que Caruaru”. Teria dito Amílcar nessa disputa. E tudo levava a crer que Garanhuns podia mesmo.

Com efeito, ele fundou e construiu o Distrito Industrial de nossa cidade, que atrairia para aqui inúmeras fábricas. Estas gerando emprego e renda à nossa população. Fundou e construiu o Mercado 18 de agosto. Este, inspirado nos modernos Shoppings Center dos EUA. E, com ele, dava-se início à modernização da cidade. Criou e construiu a nossa Central de Abastecimento. Local que reuniria as riquezas dos campos do município e dos municípios vizinhos - verduras, frutas... E, com ela, se avançava, mais ainda, na modernização da cidade.   

Um Batalhão do Exército Brasileiro estaria sendo instalado no interior do estado. Caruaru e Petrolina eram cidades candidatas. Amílcar foi atrás. Brigou... E dessa brigou Garanhuns levou a melhor. Quem sabe? Na época, teria dito: não. Não! Tem que ser em Garanhuns. Até por questões estratégicas.

Penso que temos que voltar a brigar pela cidade, como brigamos no passando. Dizendo de seus encantos. De suas belezas. De suas potencialidades... E o fazendo com seriedade. Mas com paixão. Com autoridade. Mas com respeito. Contudo, sem embargo das necessárias postura e humildade, intrínsecas à liturgia do cargo.

Givaldo Calado de Freitas é Figura pública. Advogado de Empresas e Empresário.

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