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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Esses são os três melhores esportes para prevenir um infarto

Corrida, natação, tênis ou dança? Saiba o que escolher se o seu objetivo é prevenir doenças cardiovasculares
El País / Rosa Lecina Fabrés

Não contamos nenhuma novidade se dizemos que o exercício físico faz bem ao coração. E não pretendemos fazer poesia: a ação protetora da atividade física contra as doenças cardiovasculares (infartos, hipertensão, doença aórtica, vascular cerebral e vascular periférica) é o segredo mais mal guardado da literatura científica. Especialmente, “se praticado a longo prazo, com intensidade moderada e se a pessoa modifica o estilo de vida fazendo com que desapareçam velhos hábitos e fatores de risco significativos como o tabagismo, a dieta ruim e o estresse”, diz Emilio Luengo, cardiologista responsável de Atividade Física do Programa de Empresas Cardiosaudáveis da Fundação Espanhola do Coração (FEC). O que até agora não era muito claro era qual esporte é o melhor para a saúde desse músculo vital. Mas já temos a resposta.

Pesquisadores do Reino Unido, Finlândia, Áustria e Austrália trabalharam em conjunto para determiná-lo, e os resultados de seu estudo foram publicados no final de 2016 no British Journal of Sports Medicine: os esportes que mais reduzem o risco de morte por culpa de uma doença do coração e de tipo vascular são, por ordem, os esportes de raquete (tênis, pádel, badminton, squash), a natação e o aeróbico intervalado (incluindo também a dança e outras disciplinas de atividade física para se manter em forma). Por outro lado, o ciclismo, a corrida, o futebol e o rúgbi não mostraram uma redução significativa das possibilidades de morrer por essa causa.

“Isso poderia ser explicado por seu padrão de exercício intervalado”, diz o doutor Carlos de Teresa, membro da Junta de Governo da Sociedade Espanhola de Medicina do Esporte. “Alternam períodos de atividade a uma certa intensidade com outros de repouso e recuperação. E é justamente esse tipo de atividade física que demonstrou efeitos mais positivos para a saúde na população em geral”, afirma o médico. Como já frisou em 2012 um estudo da Universidade Notre Dame, em Sidney (Austrália), os exercícios aeróbicos a intervalos de alta intensidade são associados “a um melhor rendimento cardiovascular e metabólico e encaixam como padrão de melhora tanto na população saudável como na de risco”.

Para Emilio Luengo, “são atividades esportivas de tempo livre e com um caráter lúdico, sem um componente especialmente competitivo; demandam um exercício aeróbico com movimento de amplos grupos musculares, mas sem uma solicitação extrema dos mesmos; e são satisfatórios do ponto de vista da inteligência emocional e social”.

Esportes de raquete: gasto energético elevado

Um estudo de 2007 realizado por pesquisadores das universidades Maastrich (Holanda) e Carolina do Norte em Chapel Hill (EUA) demonstrou que o tênis “está associado a um menor risco de doenças cardiovasculares (...), reduz a tensão arterial (...) e melhora a função cardíaca”. Tanto o tênis como o pádel, o badminton e o squash são exercícios que combinam “componentes intervalados de alta intensidade com descansos entre os pontos de jogo. Isso provoca um gasto energético elevado que contribui no controle da gordura corporal, prevenção do aumento de peso e melhora nas funcionalidades musculares. Isso, por sua vez, tem um efeito benéfico contra a obesidade e a diabetes”, diz Carlos de Teresa.

A obesidade abdominal é um dos principais problemas de saúde mundial, que “tem efeitos muito negativos à saúde: aumenta o risco de se desenvolver diabetes, gota, hipertensão arterial e, consequentemente, é também um fator de risco cardiovascular”, de acordo com a Fundação Espanhola do Coração. A raquete, portanto, é uma boa aliada para nossas artérias.

Natação: muitos músculos envolvidos

Com a natação se exercita boa parte da musculatura corporal. O especialista em medicina do esporte revela que além disso estimula, por um lado, o desenvolvimento muscular e, por outro, a coordenação neuromuscular. A nível cardiovascular, esse último efeito é fundamental, já que “se trata de uma atividade neurológica que facilita o controle da pressão arterial. Além disso, o aumento da massa muscular conseguido com a natação aumenta também o gasto energético, o que melhora o perfil lipídico (o nível de gorduras no sangue tais como o colesterol e as triglicérides) e a gordura corporal”.

Outra vantagem dessa atividade é que não produz impactos nas articulações, de modo que pode começar a ser praticada não importa a idade. A importância desse dado está no fato de que a idade é um fator de risco cardiovascular. “A prevalência e a incidência de insuficiência cardíaca duplica a cada década a partir dos 40-45 anos”, diz a FEC em sua página na Internet.

Aeróbico: boa coordenação neuromuscular

Os exercícios aeróbicos são extremamente cardiosaudáveis. Na atividade física aeróbica e na dança, da mesma forma que a natação, também ocorre uma coordenação neuromuscular positiva para nosso sistema cardiovascular. Ajuda a nos manter em um peso saudável: de acordo com essa tabela da Universidade Harvard (EUA), com 30 minutos de dança uma pessoa de 70 quilos perde 223 calorias; 260 calorias no caso de 30 minutos de exercício aeróbico moderado. Além disso, esse tipo de atividade “tem um componente lúdico, que contribui com todos os efeitos benéficos que se contrapõem aos produzidos pelo estresse”, diz de Teresa.

Em relação às disciplinas como a corrida e o ciclismo – não tão eficientes de acordo com o estudo publicado no BJSM –, o médico opina que “são exercícios magníficos para o favorecimento da saúde do coração e os vasos sanguíneos. Mas podem ver sua potencialidade reduzida por serem praticados, geralmente, a uma intensidade alta. De fato, não é incomum que corredores e ciclistas comentem que acabam suas sessões de treinamento absolutamente esgotados. Manter esse ritmo durante períodos prolongados pode produzir, a longo prazo, mais riscos do que benefícios”, alerta.

Para a obtenção de todos os benefícios do esporte e evitar potenciais riscos, é imprescindível que “a atividade esportiva se adapte às condições de idade, sexo, saúde e condição física de cada pessoa”, conclui o especialista.

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