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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Caso de mãe que matou e queimou filho gay tem reviravolta

O jovem Itaberli Lozano e a sua mãe, Tatiana, principal suspeita do assassinato

A gerente de supermercado Tatiana Ferreira Lozano Pereira, de 32 anos, presa na última semana em Cravinhos, interior de São Paulo, após confessar ter matado o filho Itaberli Lozano, de 17 anos, e queimado seu corpo, disse em depoimento que “não aguentava mais ele”.

O crime ocorreu na casa onde ambos moravam em 29 de dezembro. No primeiro depoimento, ela disse que teve uma forte discussão com Itaberli, que culminou em confronto físico. Num primeiro momento, ela diz ter aplicado uma “chave de braço” no jovem, que se desvencilhou. Em seguida, diz que pegou uma faca e a colocou atrás da porta do quarto do filho, pois “presumiu que ele poderia matá-la”

“(A mãe) resolveu entrar no quarto da vítima, pois ‘não aguentava mais ele’. Afirmou que a vítima encontrava-se sentada no chão e não portava qualquer objeto; ao vê-la entrar, perguntou ‘o que é que você veio fazer aqui’ e ameaçou levantar-se em sua direção. Interroganda (mãe) o interpelou dizendo ‘você está pensando em alguma coisa, né?’”, relata trecho do depoimento.
Tatiana foi presa com o seu marido, o tratorista Alex Canteli Pereira, de 30 anos. Eles foram indiciados pela polícia por homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver.

O delegado Eduardo Librandi Júnior, responsável pelo caso, afirmou que a mãe não esboçou nenhuma emoção na hora em que confessou o crime cometido, segundo ele, por “motivo fútil”

Mudança no depoimento

Após ter confessado à polícia o assassinato do filho, Tatiana mudou sua versão do crime dias depois. Em novo depoimento, ela afirmou que apenas ocultou o corpo do jovem.

Na nova versão, a mãe responsabiliza três pessoas pelo crime – dois homens e uma adolescente –, que teriam prometido dar uma “surra como corretivo” devido ao comportamento de Itarbeli diante da família. Tatiana disse que concordou com a sugestão, mas pediu para que não deixassem o filho machucado. Ela afirma conhecer apenas a adolescente e que não sabe o nome dos rapazes que entraram em sua casa e foram até o quarto de Itaberli vestindo capuzes.

Durante as agressões, Tatiana relata que chegou a ouvir seu filho pedindo socorro. Segundo ela, o jovem dizia: “Mãe, eu vou morrer”, mas ela declarou ter ficado do lado de fora da residência.

Ainda de acordo com a nova versão, a mulher afirma que se “desesperou” e que ela e seu marido “não sabiam o que fazer” diante da morte de Itaberli. Tatiana afirmou que sabia que seu filho estava morto, por isso não chamou socorro médico e não entrou em contato com a polícia para denunciar o crime porque ficou com medo de que as mesmas pessoas voltassem para matá-la.

Na mesma noite, Tatiana diz que, acompanhada do marido, enrolou o filho em um edredom, foram até um canavial e jogaram o corpo no meio da plantação. Apenas no dia seguinte, por volta da meia-noite, eles retornaram ao local com um galão de cinco litros de gasolina e atearam fogo ao corpo.

No seu primeiro depoimento, Tatiana relatou uma série de conflitos familiares devido ao comportamento de Itaberli, que era homossexual, e afirmou que “não aguentava mais ele”.

Na primeira versão, ela negou que o assassinato fosse decorrente de sua rejeição à homossexualidade do filho, mas que “apenas reprovava seu comportamento de levar homens desconhecidos para dentro de seu lar”.

Jovens presos

Os jovens indicados pela mãe no segundo depoimento como responsáveis pelo assassinato de Itaberli Lozano foram presos no último sábado. Os rapazes, de 18 e 19 anos, segundo a mulher, teriam se oferecido para ajudar a dar “uma lição” no filho dela.

De acordo com a Polícia, eles confessaram envolvimento no crime — embora neguem terem sido os responsáveis pelas facadas — e contaram que a mulher teria armado uma emboscada para o filho, se dizendo arrependida das brigas com ele e pedindo que voltasse para a casa.

Nova testemunha

Uma estudante de 15 anos, suspeita de participação no assassinato de Itaberli Lozano, cujo corpo foi achado carbonizado em um canavial, disse à Polícia Civil que presenciou o momento em que a mãe do jovem o matou com uma facada no pescoço, dentro de casa.

A menor foi liberada após prestar depoimento, mas, segundo o promotor Wanderley Trindade, ela também responderá pelo homicídio qualificado, assim como a mãe, o padrasto da vítima e outros dois jovens que já estão presos.

Testemunha do crime, a estudante contou à polícia que ela, o namorado, Victor Roberto da Silva, de 19 anos, e um amigo do casal, Miller Barissa, de 18, foram procurados por Tatiana na noite de 28 de dezembro.

Segundo a menor, Tatiana queria que os jovens matassem o filho e, para isso, armaria uma emboscada. Itaberli estava morando na casa da avó paterna, após uma desavença com a mãe. Ela então o chamaria de volta para casa, afirmando que queria fazer as pazes.

“Assim que Itaberli entrou, Tatiana foi lá fora e disse-lhes: ‘ele está na sala, vai lá’, quando Victor e Miller entraram e passaram a agredir Itaberli ainda na sala, bateram bastante nele, mesmo assim Itaberli conseguiu correr para o quarto e os agressores foram atrás (…)”, consta em um trecho do depoimento.

A adolescente confirmou à polícia que o namorado e o amigo agrediram Itaberli até deixá-lo desacordado dentro do quarto. Nesse momento, saíram do cômodo e ela ouviu Tatiana pegando algo em uma gaveta de talheres na cozinha.

“Tatiana entrou no quarto com a faca, a declarante foi até a porta do quarto e viu quando Tatiana virou a cabeça de Itaberli para o lado para cravar a faca em seu pescoço, não quis olhar a mãe matando o próprio filho, virou o rosto para não ver”, consta em outro trecho do depoimento.

Motivação homofóbica

Familiares disseram à polícia que a motivação do crime teria sido homofóbica.

O Ministério Público considera que o crime foi motivado por homofobia. Para o promotor Wanderley Trindade, a mãe não aceitava o fato de o filho ser homossexual.

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