segunda-feira, 29 de julho de 2013

Hip hop e samba fecham em grande estilo o Festival de Garanhuns

Zé Brown, Afrika Bambaataa e Arlindo Cruz fecharam noite de sábado do FIG (Foto: Manoel Filho / G1)
O hip hop tomou conta da Praça Guadalajara, na noite deste sábado (27), no encerramento da programação do palco principal do Festival de Inverno de Garanhuns, no Agreste pernambucano. Com a responsabilidade de substituir o rapper paulistano Rapin' Hood, o pernambucano Zé Brown cumpriu a missão com louvor.

Acompanhado pelo DJ Beto e pelo Long MC, Zé Brown começou com "Caco de vidro", "Nunca subestime" e "Mais um mandamento". Mais adiante, ele incrementou a apresentação com a presença das B-girls Weedja e Duda e Okado Bboy, dançarinos de break que fazem parte do projeto "Zé Brown apresenta", iniciativa social que apresenta manifestações culturais a jovens da periferia do Recife. "Você tem que dar oportunidade para cada jovem, mais na frente, não ser um marginal. Isso pode ser feito por qualquer cidadão, para combater a violência", opinou o rapper.

A homenagem a Dominguinhos já estava estampada na camiseta de Zé Brown, com um desenho à mão feito por Chico da Camiseta, artesão de Garanhuns. O DJ Beto emendou uma curta sequência com "Abri a porta", "Gostoso demais" e "Não vendo nem troco", para Zé Brown cantar uma versão bem pessoal de "Sanfona sentida" - que tem os versos "deixe a mágoa pra depois / o amor é mais importante a dois".

"Tô doidão", de Reginaldo Rossi, foi a penúltima canção do show, que terminou ao som de "Eu valorizo", música que questiona os vários tipos de preconceito social.

Bambaataa

Com uma abertura matadora - "Sex machine", de James Brown, e "Kiss", de Prince - o DJ norte-americano Afrika Bambaataa deu início ao show histórico que fez em Garanhuns. Os dançarinos de Zé Brown voltaram ao palco, pouco antes de ele tocar "Planet rock", música de 1986 que mostrou ao mundo o que era o electro funk - a mistura de Kraftwerk, Ennio Morricone e "otras cositas más".

O funk carioca também estava no set list de Bambaataa. "Tá dominado", do Furacão 2000, "Vira de ladinho", do Malha Funk e músicas de Tati Quebra-barraco e Mister Catra foram sampleadas pelo DJ. Zé Brown também voltou ao palco, acompanhado de Gilmar Bola 8, do Combo X e Nação Zumbi, Pablo, da banda Vírus, e Long MC.

A chuva que começou a cair na Praça Guadalajara não impediu o vocalista King Kamonzi de convidar a turma do gargarejo para dançar break no palco. Foi praticamente um desfile de passos, acrobacias, giros e saltos, ao som da base que Afrika não interrompia. "Ready or not", da banda Fugees, e "Got to be real", de Cheryl Lynn foram algumas das músicas que ele tocou para encerrar o show.

Antes da apresentação, o G1 conversou com Bambaataa. Kevin Donovan, "nome civil" do DJ, disse que vai se mudar para o Brasil em 2014 , onde pretende expandir a atuação da sua ONG Zulu Nation, que atua nos princípios do hip hop - paz, amor, união e diversão. O público alvo por aqui serão egressos de prisões, menores abandonados e em situação de risco e pessoas quem não têm onde morar. São Paulo deve ser a primeira cidade a ganhar um espaço. O Centro-oeste brasileiro também está na mira. "Escolhi o país por causa de toda a situação aqui, das boas pessoas que querem fazer algo para os que precisam de ajuda. Quero construir essas grandes casas no estilo domus, com escola, estúdio de música, pregando a ideologia zulu, que peg um pouquinho de todas as religiões e conhecimentos da ciência", explicou.

Guadalajara cai no samba

Depois de muito rap e hip hop, o público que foi prestigiar o encerramento do FIG na Praça Guadalajara curtiu um vasto repertório de samba. Primeiro, a cantora Mart'nália apresentou o repertório do CD "Não tente compreender" e fez um registro do show para o projeto de DVD que está em desenvolvimento. "Pé na cova", abertura do seriado homônimo que conta com a cantora no elenco, também não faltou.

O fechamento da noite ficou por conta de Arlindo Cruz, que subiu ao palco às 2h25, na estreia dele no Festival de Inverno de Garanhuns. A chuva já tinha parado e a Guadalajara era um mar de gente, pronta para sambar com o cantor, muito conhecido do público também por causa da participação no programa "Esquenta", apresentado por Regina Casé, na TV Globo.

O começo do show não deixa ninguém parado: "Batuques do meu lugar" (Arlindo Cruz), "Deixa a fumaça entrar" (Martinho da Vila), "Camarão que dorme a onda leva" (Beth Carvalho), "SPC" (Zeca Pagodinho) e "Luz do repente" (Jovelina Pérola Negra) foram algumas das canções que ele tocou para esquentar a plateia.

"O bem" deu início ao segmento mais romântico do show, seguida por "Agora viu que perdeu e chora", "Vai embora tristeza", "Trilha do amor", "A pureza da flor", "O que é o amor" e "Será que é amor?" - nessas duas últimas, já com a chuva de volta, o público se abrigou com capas e guarda-chuvas, mas não deixou de cantar com o sambista carioca.

"Meu nome é favela", composição do próprio Arlindo que retrata muitos costumes do subúrbio das grandes cidades brasileiras, retomou a animação do show, que foi mantida com "Suingue de samba", anunciada como fruto de uma parceria com Seu Jorge.

Em ritmo de samba lento, "Quem me levará sou eu" foi a escolhida por Arlindo Cruz para a homenagem a Dominguinhos. "Nunca cantei essa música, mas ela me toca muito", comentou, antes de ser acompanhado pela plateia. Para fechar a apresentação, "Madureira" e um pout-pourri com "Samba de arerê", "Coisinha do pai", "Vou festejar", "Não quero dinheiro", "Aquarela brasileira" e "A Vila canta o Brasil celeiro do mundo" - este último, samba campeão do carnaval carioca deste ano, com a Vila Isabel. Do G1 PE

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