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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Paulo Henrique Amorim rebate artigo de Fernando Henrique Cardoso

Paulo Henrique Amorim
Saiu no Estadão outro daqueles artigos besuntados do Farol de Alexandria, o que iluminava a Antiguidade e foi destruido num terremoto chamado “Lula”. VEJA AQUI: Pessoas e estórias.

Ele descreve jantar com o casal Grécia e Roberto Schwarz.


O Padim Pade Cerra entrou de penetra no jantar, como sempre.

Diz o Farol, a certa altura:

Roberto me perguntou: “Quando vocês (em tese) eram socialistas, o que queriam e no que acreditavam?”. Respondi: nosso objetivo era maior igualdade, o meio para isso seria eliminar a apropriação privada dos meios de produção, tudo o mais era secundário, mesmo a liberdade. Pensei comigo: havia variações na esquerda, os trotskistas há muito denunciavam o terror stalinista, embora alguns de seus líderes também o tivessem praticado; a “esquerda democrática”, mais liberal, não era comprometida com práticas contra a liberdade.

(…)

Noutro momento, Roberto, mais fiel às teses clássicas da esquerda, comentou: “Você não acha que mesmo sem referência explícita às classes sociais e suas lutas elas existem e é preciso uma teoria que as situe em função da forma contemporânea de acumulação de capital, inclusive na China?”. Respondi: acho, sim, mas teria de ser proposta uma nova teoria geral do capital e das relações de produção, pois a globalização alterou muita coisa.

Não parece que a oposição burguesia/proletariado tenha a vigência que teve no passado. A dissolução do conceito de classe nas “categorias de renda” chamadas classes A, B, C, D, ou nesta “nova classe média”, dificilmente se sustenta teoricamente, acrescentei. Outra vez, olhando a atualidade, quem, na esquerda, no centro, na direita, ou seja, em qualquer lugar do espectro político vigente, pensa nessas questões? O governo do PT é o primeiro a se jactar da expansão das “novas classes médias” e a comemorar os êxitos do capitalismo, ficando envergonhado quando o “pibinho” parece comprometê-los.

(…)

Roberto redarguiu como era de esperar (? – PHA): “Mas houve avanços sociais inegáveis”. E eu acrescentei que começaram no meu governo… “Está bem”, disse, “mas ganharam maior dimensão com o PT. Vejam o acesso às universidades com as cotas.”

Por fim, xeque-mate: e o mensalão? Ah, mas é a “direita” que se regozija com as condenações, embora sem elas a Justiça estivesse comprometida. Serra, mais incisivo: “E o PT é ‘de esquerda’?”. Silêncio geral. As categorias com que concordávamos nos inibiam de classificar partidos atuais na escala antiga na qual fôramos formados.

Pode parecer que o desentendimento era geral. Mas, não. Conversávamos como quem vivera uma mesma história política e cultural.

(…)

Ou Fernando Gabeira tem razão: as diferenças contemporâneas são comportamentais (ser ou não evangélico, aceitar ou não o casamento gay, ser “verde” ou “jurássico”, etc.)?

(…)

NAVALHA, Por Paulo Henrique Amorim

Triste o fim do Policarpo.

Citar o Gabeira com um pensador que mereça sentar-se à mesa com Roberto Schwarcz !

Um dos momento mais reveladores da vida intelectual do Farol de Alexandria está na entrevista que concedeu a Mino Carta logo após a primeira eleição.

Mino lembrou que no prefácio do livro “Capitalismo e Escavidão no Brasil Meridional”(de resto, ilegível), FHC dizia que tinha usado o “método marxista” de análise.

Quando o autor interrompeu bruscamente: não, eu mudei na segunda edição !

Roberto Schwarcz, além de magistral ensaista, é um homem muito educado.

Se não fosse, teria lembrado dos “pibinhos” do Governo Fernando Henrique, marcos indeléveis da História do Brasil.

Das três bancarrotas que levaram o Brasil, de joelhos, às portas do FMI.

E, sobre o “mensalão”?

Se Roberto fosse um ansioso blogueiro, lembraria da Privataria Tucana, em homenagem ao Cerra ali presente.

E da compra da reeleicão, por R$ 200 mil por cabeça.

Mas, a elegância de Roberto se revela, mesmo, quando se omite diante da menção ao “Maître Philosophe” Fernando Gabeira.

Roberto seria capaz de deixar o Fernando Henrique sem argumentos.

De tanga.

De crochê !

Paulo Henrique Amorim

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