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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

E agora para estacionar?

Dra. Anna Cecilia
O Kleber esteve doente, coitado. Mesmo com aquele tamanho todo, teve que ficar no estaleiro para curar-se de uma pneumonia. E quem fica em casa de repouso, olhando o mundo somente através das redes, acaba tendo ideias interessantes. Com vista a inovar o seu conhecido Blog do Cisneiros, pediu-me que escrevesse alguma coisa acerca da experiência que estamos vivenciando há dois anos e um bocadinho. Sou de Garanhuns, nascida e criada. Professora da AESGA, vim cursar doutorado em Multimédia em Educação na Universidade de Aveiro, cidade da região das Beiras, litoral de Portugal, às 219 km de Lisboa e 57 km do Porto. Vivo aqui com a minha filha, Ana Luíza  de 8 anos. Acompanha-me uma saudade imensa do meu parceiro, Tony Neto, dos amigos, do meu trabalho, de Garanhuns. Mas, “navegar é preciso”, e nada pode ser melhor do que Fernando Pessoa para impulsionar-nos mar a dentro.

É notório que Garanhuns vive um momento profícuo de mudanças com a eleição de Izaías Régis. É preciso lembrar que essa candidatura nasceu da situação vexatória promovida pelo destempero do Governador de Pernambuco, ao lançar como candidato a Prefeito de Garanhuns o então Prefeito de Lajedo. Na ocasião, mais precisamente em Setembro de 2011, um movimento de resistência via Facebook mostrou a indignação frente a uma proposta que impunha pela força o nome de uma pessoa desconhecida da cidade. Foi então que o Deputado Izaías surgiu como a alternativa,  possibilidade de resistência, e posteriormente, de mudança, uma vez que a administração municipal esteve nos últimos 16 anos nas mãos de um único grupo político. É neste cenário que Kleber Cisneiros me fez a irresistível proposta de colaborar com as minhas histórias, já conhecidas através do blog que escrevo (http://digaasnovas.blogspot.com). A ideia inicial é produzir 5 posts durante 5 semanas, partilhando as particularidades da organização urbana portuguesa e juntamente com o leitor, refletir acerca da nossa realidade garanhuense. Vamos ver no que isso vai resultar.

No último domingo, estava zanzando no Facebook e me depare com uma partilha do Prof. Jefferson Palmeira, lá de João Pessoa (PB), do blog de Bráulio Tavares. Disponível em http://mundofantasmo.blogspot.pt/2012/10/3006-pobre-com-carro-18102012.html?spref=fb, o post reflete sobre a necessidade social de possuir um automóvel. Obviamente que o carrinho, além de ser a paixão do brasileiro,facilita e muito o nosso corrido dia a dia. Contudo, a transformação em um bem de locomoção como prótese da personalidade é uma situação para lá de preocupante. Após a redução do IPI, estratégia governamental para alavancar a venda de automóveis no Brasil, a frota de automóveis duplicou, e em algumas zonas, triplicou. Isso é evidente, basta apenas tentar sair com o automóvel aos sábados pela manhã em Garanhuns para constatar na prática o discurso dos ferozes ambientalistas. E estacionar o automóvel  na área comercial de Garanhuns é um teste de paciência para o mais evoluído zen budista. Se for no sábado pela manhã, na Avenida Santo Antonio, é mais fácil ganhar no Euro Milhões. Já que não há como reduzir os automóveis, vitais para a locomoção numa cidade de porte médio em que o transporte urbano é extremamente deficiente, uma medida paliativa seria rever a política de estacionamento, enquanto planeamento urbano.

Sabemos que a explosão da frota de veículos particulares é uma tendência mundial. Mas, uma pequena dose de planeamento do uso do espaço comum pode reduzir drasticamente os transtornos do vai e vem de viaturas. Em Aveiro há uma experiência interessante. Enquanto a maioria das cidades investem na construção dos edifícios garagem, aqui há um grande parque (como se referem os portugueses ao estacionamento) subterrâneo. O condutor entra por um dos acessos exclusivos para viaturas (carros), e estaciona na área que desejar num dos dois pisos subterrâneos (-1 e -2) O acesso à superfície é feito através das escadas ou elevador. O motorista deve utilizar uma máquina de autoatendimento para emissão do ticket de entrada e vai cuidar da vida. Na volta, paga o valor do tempo que permaneceu no sítio, autenticando o bilhete. A saída do veículo é semelhante ao sistema dos shoppings: a máquina lê o ticket e libera a cancela. Nos estacionamentos de rua, a situação é semelhante  Nas ruas onde o parque é pago,  como na nossa “zona azul”, o condutor estaciona o veículo e emite o bilhete numa das máquinas da Move Aveiro (empresa pública que faz a gestão do trânsito do Concelho, equivalente a nossa microrregião. No sentido de região ou área, escreve-se mesmo com C). 

É necessário deixar o bilhete no painel do veículo para ser inspecionado pelos fiscais de trânsito, que não são policiais, mas que tem poder de multar os desmemoriados. Na retirada da veículo, autentica-se o ticket, pagando a diferença no caso da permanência ser maior do que foi contratado na chegada. Os automóveis dos residentes são cadastrados na Junta da Freguesia (uma espécie de subprefeitura) e não pagam parque. Contudo, precisam deixar o cartão no painel para comprovação da condição especial. Não há risco de capitalização do espaço urbano, pois os carros são registrados e os cartões são emitidos conforme esse registro. Nós, como não possuímos carro, não possuímos vagas. Simples e organizado, mas fundamentado na educação cívica da população. Se o sujeito tentar dá um jeitinho  e for flagrado, paga uma coima (multa) astronômica, perde benefícios e responde a processo judicial. Se for estrangeiro, o processo culmina em deportação. A Europa não está para brincadeiras.

É possível solucionar ou minimizar o problema que vivenciamos em Garanhuns? Cada centro urbano deve buscar as soluções conforme suas possibilidades através de ideias criativas e inovadoras. E então, qual é a sua contribuição? 

Até a próxima conversa, fiquem com Deus.

Abracinhos!

*Doutora Anna Cecilia Bezerra Professora da AESGA, cursando doutorado em Multimédia em Educação na Universidade de Aveiro, cidade da região das Beiras, litoral de Portugal, às 219 km de Lisboa e 57 km do Porto.

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