terça-feira, 17 de abril de 2012

As revistas e seus interesses


Do Blog Acerto de Contas

Todo sábado pela manhã, olho as capas das quatro revistas semanais e pago para baixar uma delas, apesar do absurdo preço cobrado pelo versão no tablet.

Muita gente não está percebendo, mas particularmente este ano um grande embate jurídico e político se dará no Supremo Tribunal Federal: o julgamento do Mensalão. Coincidência ou não, o julgamento poderá ocorrer às vésperas da eleição para Prefeito.

O histórico de condenações de políticos no Supremo é ridículo, mas desta vez poderá ser diferente. Ao contrário das outras vezes, o julgamento do Mensalão não poderá passar batido pela opinião pública, e estará expondo pessoalmente o voto dos ministros para cada réu.

Muitos dos crimes praticados, como peculato e corrupção, poderão ser discutidos com base nas provas apresentadas pelo Ministério Público, mas a operação criminosa durante as campanhas eleitorais não dá para passar batido, já que todos ali praticamente confessaram que receberam dinheiro por fora para fazer campanha.

Mas esta introdução toda era apenas para mostrar o acirramento de ânimos que toma conta das redações das quatro revistas semanais brasileiras.

É impossível evitar o assunto do momento: a CPI do Cachoeira. Dentro deste imbróglio, aparece a figura do araponga Dadá, que até o fim de 2008 trabalhava no serviço de inteligência da Aeronáutica, quando se aposentou, e passou a trabalhar como espião privado.

A Operação que pegou Cachoeira, chamada de Monte Carlo, tinha como objetivo desmontar o esquema de jogos ilegais, mas perpendicularmente acabou pegando muita gente.


A Revista Veja se viu envolvida até o pescoço na história. Na prática os serviços de espionagem de Cachoeira teriam abastecido a revista por anos. O seu editor em Brasília se beneficiou dos grampos do bicheiro. Dali saíram as principais reportagens da revista, inclusive aquela que deu origem ao Mensalão, que foi uma gravação com um pilantra de quinto escalão dos Correios, recebendo R$3,5 mil.

Com a CPI do Cachoeira, a Revista vai passar pela sua maior humilhação em as de existência, e provavelmente o seu Editor-Chefe, Roberto Civita, se verá na condição de réu, dando explicações na Comissão.

Como neste momento quer tentar se esquivar sobre o tema, resolveu vir com uma capa inovadora, falando da cortina de fumaça que o PT estaria querendo colocar sobre o mensalão.

Apesar de achar que até tem razão, já que o PT está realmente apavorado com o que pode vir do STF, a capa desta semana é quase uma confissão de culpa.


Já a Carta Capital, inimiga declarada da Veja, resolveu centrar fogo na CPI do Cachoeira.

Apesar de ser próxima ideologicamente ao Governo, resolveu ir atrás do que realmente é o assunto a ser tratado: os tentáculos de Cachoeira.


Já a Isto É, cujo grupo tem a participação majoritária de Daniel Dantas, resolveu inovar na abordagem.

Trouxe para a capa o araponga Dadá e tenta enlamear a Satiagraha, já que o araponga oficialmente trabalhou na Operação comandada por Protógenes. Dadá à época era funcionário público, e foi cedido pela Aeronáutica para a Abin e trabalhou nos grampos telefônicos que levaram à prisão de Dantas.

A revista não perdeu a oportunidade de tentar jogar tudo no mesmo barco para livrar seu Chefe Daniel Dantas, cuja cadeia é um pesadelo distante.

Mas de todas elas o caso mais curioso é o da Revista Época.

Como é praxe na Globo, nos momentos em que parceiros políticos e da imprensa estão envolvidos, o melhor é fazer de conta que tudo isso não existe.

Trouxe para a capa Paul McCartney, que chega ao Brasil esta semana.

No fundo cada um defende seus interesses, comerciais ou políticos.

Um comentário:

  1. Execelente analise, Kleber. Parabens. Essa é a imprensa brasileira.
    O interessante é que os petistas metem o pau na Veja, chamando-a de Imprensa Golpista, mas não reconhecem as outras que puxam brasa para a sardinha do governo....

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