segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Imóveis residenciais servem de fachada para locadoras

Suplente de vereador diz nunca ter ouvido falar em empresas
Do Blog do Magno
Por Rivânia Queiroz – Parte 2

Muitas das empresas que hoje são responsáveis pela locação de frotas inteiras de veículos e que recebem milhões de cifras por ano dos cofres públicos, através de licitações, não têm o endereço fixo em Moreno, conforme informado na inscrição da Receita Federal. Mais de uma dezena delas foram procuradas pela reportagem. Apenas uma ou duas tinham escritório precário e sem qualquer atividade, fosse para o atendimento telefônico ou mesmo transferência de chamada.

A Couticar – empresa que ficou conhecida por locar uma Hilux W4 ao secretário Isaltino Nascimento (PT), flagrado pela Lei Seca dirigindo alcoolizado e que até hoje não informou quem paga a conta do carro locado – assegura que seu escritório é em Moreno, na Rua José Pessoa V. Vasconcelos, nº 63. No local, porém, reside uma família que nunca ouviu falar no nome da empresa. Eles não quiseram falar com a reportagem, mas vizinhos confirmaram que lá os familiares residem há algum tempo e não têm qualquer vínculo com a Couticar.

Outra situação no mínimo curiosa é a da empresa Rec Loc, que deveria ter seu escritório virtual na Rua Paraguai, número 66, anexo B, bairro de Santo Antônio, Moreno. O endereço existe de fato, mas só no CNPJ porque o número do imóvel da empresa ou mesmo o imóvel são invisíveis. Percorremos toda a rua, número por número, e não há sinal qualquer de empresa ou casa de número 66.


No local onde deveria está o escritório das empresas Seconsult e Automarca, ambas na rua Sofrônio Portela, 3782, Centro de Moreno, o que há é um prédio antigo desativado. No térreo, uma pequena galeria de lojas. Na de número 3782 funciona uma lojinha de roupas. A dona do estabelecimento Cristina Maria dos Santos garantiu que está no local há quase dois anos e nunca ouviu falar no nome das empresas. “Não conheço essas empresas por aqui. Nunca ouvi falar”, disse a mulher.



Atravessando a rua está a Avenida Dantas Barreto. No número 1993 fica a Loquipe, uma casa estreita que serve de escritório, segundo a atendente Genilda Maria da Silva. A moça trabalha no local há quase dois anos e confirmou que a Loquipe é uma locadora de veículos e prestadora de serviços de mão-de-obra e construção. Porém adiantou que no interior da casa, que tem apenas um vão e um banheiro, funciona apenas um pequeno depósito de material para a loja do filho do proprietário, que trabalha com uma concessionária de motos, no Recife.



Na Rua Dez de Novembro, sala 1, Box 160, no Parque dos Eucaliptos, estaria o escritório da empresa Geo Car. No local há apenas quatro salas, três delas fechadas e uma que funciona como escritório de outra empresa. A funcionária da loja vizinha Valdilene explicou que o espaço serve a Geo Car apenas como referência para caixa-postal. “Há uma pessoa que pega a correspondência e manda para o Recife. A sala é fechada. Não há ninguém aí”, confirmou. O mesmo endereço abriga outras dezenas de empresas terceirizadas do Recife. Mas não há qualquer placa ou menção aos nomes ou proprietários, ou mesmo, alguém trabalhando no local.


Na Rua São Vicente de Paula, 373, no Alto da Liberdade, ao invés de encontrar a Recife Locadora há uma residência. O proprietário da casa mora ao lado. Procurado, o senhor Adonias Guerra assumiu que a casa era sua, mas que alugou a uma família há uns sete, oito meses. Justificou, no entanto, que ele próprio recebe a correspondência da Recife Locadora e de outras duas empresas, a Marcos Valério de Barros e a EV Locadora, ambas prestadoras de serviços de locação de veículos.




Em Bonança, encontramos outro paraíso virtual de empresas locadoras de veículos. Na Avenida Presidente Vargas, sala 164, deveria abrigar escritórios das empresas Locavel e Globo Locadora. Mas não há sinal de funcionários para atender qualquer cliente. As portas ficam fechadas todo o tempo. “Costumo vir aqui e nunca vi nenhuma dessas salas abertas. Essas empresas não existem aqui”, garantiu Pindoba, funcionário da Prefeitura e suplente de vereador em Moreno. O proprietário das salas alugadas com fins comerciais, senhor Fernando José dos Santos, assumiu que alugou os imóveis diretamente aos empresários e que desde então nunca mais os viu. A correspondência é levada por ele próprio ao Recife e entregue a um funcionário de nome Mateus.

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