sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

É preciso sair da internet e protestar nas ruas, dizem ativistas

Maniestante espanhol fala sobre como a web foi explorada em protestos / Foto: Divulgação
INFO Online
Por Vinicius Aguiari

Da Primavera Árabe à onda de protestos com o lema “Occupy”, 2011 foi o ano em que o ciberativismo deixou a obscuridade de pequenos fóruns para ganhar as ruas.

E esse foi o tema abordado pelos ativistas Charles Lencher, do Occupy Wall Street (Estados Unidos); Olmo Gálvez, da Acampada del Sol (Espanha); e Leila Nachawati, que revelou abusos do governo da Síria por meio de seu blog, em mesa realizada, na Campus Party, na tarde de hoje. Antes, eles concederam uma entrevista coletiva à imprensa.

Iniciada em janeiro, a Primavera Árabe foi uma onda de revoluções populares que derrubou os governos ditadores da Tunísia, do Egito e da Líbia, além de fomentar manifestações em outros países do oriente médio.

Já o Acampada del Sol se estendeu entre os meses de maio e agosto do ano passado, na Espanha, enquanto o Occupy Wall Street teve início em setembro, em Nova York. Em comum, ambos protestavam contra o desemprego, o sistema financeiro global e contra a influência das grandes corporações sobre os Governos.

De acordo com os ativistas, as redes sociais tiveram o papel de denunciar os abusos dos governos e mobilizar os cidadãos, mas não foram protagonistas das revoluções.

“Acredito que o papel da tecnologia foi o de espalhar a revolução de um país para outro de forma rápida. Antes da internet, milhares de pessoas foram assassinadas pelas autoridades na Síria e o mundo não tomou conhecimento disso. Desta vez, haviam fotos e vídeos na web que mostravam o que estava acontecendo”, afirmou Leila.

“Muitos cidadãos foram atingidos por balas de borracha e tiveram sangue derramado durante os protestos. É preciso se mobilizar online, mas, na sequência, também é preciso sair às ruas para que essa mobilização surta efeito”, afirmou o americano Charles.

Redes sociais e democracia -  Em relação à participação política da população, os ativistas afirmaram que as redes sociais oferecem novas possibilidades para a prática da cidadania.  “As pessoas querem participar da politica, mas estão cansadas de seus mecanismos tradicionais devido à falta de eficácia. Por isso, acredito que as redes sociais são uma nova forma de dar voz para as pessoas oprimidas”, disse Leila.

“Nós não queremos ser eleitos a celebridade do ano pela revista Time [a publicação apontou o manifestante como a personalidade de 2011]. Queremos que os governos ouçam o que nós estamos falando e façam mudanças”, afirmou Omar.

Questionados se achavam ser contraditório participar de um evento patrocinado por um grande companhia [a Telefônica é a principal patrocinadora da Campus Party] para discutir ativismo, eles rechaçaram a ideia.

“Estou aqui para falar e representar os 99% que se sentem oprimidos pelo atual modelo, gente que passa frio, que passa fome, que não tem acesso médico. Acredito que nosso papel é estimular a discussão entre as pessoas. Mostrar que agora elas possuem voz, que também possuem o poder para mobilizar-se. É preciso deixar claro que não aceitamos que as grandes empresas influenciem e tentem controlar nossos governos”, disse o americano, fazendo referência ao lema “Nós somos os 99%”, usado durante os protestos Occupy.

“A diferença é que aqui, se eu quiser usar a internet para criticar a Telefônica, eu posso. Na Síria, talvez eu fosse censurada”, reforçou Leila.

Por último, eles deram suas opiniões em relação aos projetos de leis do Congresso americano, o Sopa e o Pipa, que pretendem controlar a web. “Nós estamos procurando por mais transparência e colaboração. Esses projetos de lei seguem no caminho oposto a isso. Por isso, sou contra”, afirmou Omar.

“Acredito que essas propostas são estupidas e mal elaboradas, pois atingem o alvo errado. Elas não levam em consideração o usuário, mas sim os anseios das grandes corporações”, finalizou o americano Charles.

A Campus Party vai até domingo no Pavilhão do Anhembi. Segundo a organização, cerca de 200 mil pessoas devem passar pelo local durante os sete dias de evento.

Vinicius Aguiari é jornalista da Info Online

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